Leitura Partilhada
sexta-feira, janeiro 30, 2004
  Penélope Irreconhecida IV
"A eterna questão da vida conjugal". Sim, este casal tem muito que se lhe diga…


Mas acredito que a solução estará longe de ser a imagem Ulisses/Penélope, desde sempre preconizada pela história. A vida não comporta espaço para a perfeição da vida mitológica, onde todos têm um papel bem definido e um percurso previamente inscrito (muito embora fossem uns bons malandrecos!).


As atitudes de Molly não são consensuais, e ainda bem: é sinal que existe lugar para a discussão e isso é saudável e isso pode ajudar-nos a crescer e isso pode ser a tolerância ...

J.M.
 
  Penélope Irreconhecida III
Dizem-nos alguns dos estudos que a Odisseia originou que Penélope tinha outras faces.


Como não foi assim que eu senti a personagem, atrevo-me a pensar que as semelhanças entre Molly e Penélope são secundárias.


Molly não é um ser amorfo. Ela recebe Bloom no seu leito porque escolheu fazê-lo, dando-lhe(s) uma nova oportunidade.


J.M.
 
  Penélope Irreconhecida II
Molly encerra aquela diversidade de papéis que caracteriza o género e que tanta dificuldade de assimilação suscita: uma enorme versatilidade em incorporar a virgem, a amante, a mãe.


J.M.
 
  Penélope Irreconhecida I
O desafio aos padrões vigentes acaba em grande estilo: Joyce confere estatuto tridimensional a uma mulher.


O que é uma mulher naquela sociedade vitoriana e católica de Dublin? Nada que se assemelhe ao que acabamos de ler.


Pese embora evidencie desconhecimento nas questões políticas, científicas ou sociais, Molly deseja, palpita, fantasia; não é um mero acessório doméstico; tem uma profissão (até altamente desaconselhável a uma "senhora de bem"); controla os desígnios do seu útero; é um ser sensual e sexual. Enfim, não foi praticada excisão na sua mente.


J.M.
 
  Eu e Ulisses

sim isso foi o que gostei mais porque vi que entendia ou sentia o que é uma mulher


E veio a confirmar-se, tal como dizia a Charlotte. Provas? Confesso ter chorado ao ler o final. Não o copio. Leiam-no.
nastenka-d
 
  Penélope e Ulisses: sim

E eles
de seguida chegaram felizes ao ritual do leito conhecido.

Parece que, pelo menos por hoje, ainda sentem que vale a pena continuarem juntos. Amanhã será uma nova Odisseia.
nastenka-d
 
quinta-feira, janeiro 29, 2004
  “...seduzindo-o...”
Joyce escolheu para orgão deste capítulo a carne. Não é em vão que faz esta escolha. Ele pretende mostrar-nos a crueza da carnalidade e serve-se de Molly para nos desvendar um universo obscuro: a atitude da mulher em relação à sexualidade. Molly mostra-nos o seu pensamento que palpita de sensação em sensação e permite assim a Joyce abordar de forma desafrontada questões do foro íntimo feminino. Molly é sensual e transmite esta faceta de uma forma verdadeira e coerente nas suas opiniões e fantasias, nos seus desejos e anseios, nas suas tristezas e especulações, nos seus ímpetos e devaneios. Assistimos no desenrolar das suas memórias a uma exposição completa do seu âmago, descemos às profundezas da sua interioridade na nudez da sua franqueza, e podemos assim perceber a raiz de uma personalidade. Joyce oferece-nos uma mulher vivida e que quer viver, uma mulher que foi jovem, que sonhou, que se desiludiu e que aguentou o passado, uma mulher que quer evoluir e continuar a vibrar no futuro. Claro que, como muitas mulheres, a verdade de Molly é que as ilusões são a sua única aventura. E é nesta dualidade aceitação/ idealização que Joyce nos mostra o que é um ser humano.



Troti

 
  Aqui lembrei-me automaticamente de Lobo Antunes
...


«os dias corriam como anos e nem uma carte de um ser vivo a não ser as poucas que eu punha no correio para mim própria com pedacinhos de papel lá dentro»


Uma delícia...


Leitora
 
  Penélope e Eurímaco: não
E não basta de facto a Eurímaco ser o melhor entre os pretendentes, nem a Boylan a sua performance erótica, ou a sua fama pela cidade. não não não não o som repete-se como um coro que reduz Boylan às suas piores qualidades e nos faz antever o breve final da aventura apenas iniciada.
nastenka-d
 
  Penélope e Telémaco, ou o tabu do incesto
Molly fantasia: tornar-se musa. Para tal usa as suas armas: a sedução e o sexo. depois escreverá sobre mim amante e amada em público também. Mas não é só; nem acho que seja o mais importante. O desejo de Molly é de fama, sim, mas sobretudo por um jovem belo como um deus, banhando-se na praia.
nastenka-d
 
  Afinal o ULYSSES foi proposto por Molly!
E Joyce cumpriu o seu desejo!


«bom ele é capaz de tudo e declaro que alguém devia pô-lo em papel é pena que não me recorde de metade das coisas e escrevia um livro das obras do mestre Poldy»


Leitora
 
quarta-feira, janeiro 28, 2004
  Enganar
...


«está muito bem com um marido, mas não se pode enganar um amante.»


Ética diferenciada?



Leitora
 
  Molly
«Os homens são todos tão diferentes»


Será?...



Leitora
 
  Molly e as palavras
São as palavras de Molly obscenas? Grosseiras? Ou apenas cruas?
Molly expressa os seus desejos de forma explícita; mas não os diz, repare-se, pensa-os; e todos sabemos que da formulação de um pensamento à sua verbalização vai um mundo de distância. Aqui não; e o facto de estar a entrar no sono, com a consequente diminuição das inibições que se impõe a si mesma, é mais um pretexto para termos acesso a pensamentos que não sabemos se a própria Molly admitiria ter... Ela não é assim tão diferente de qualquer um de nós; visto deste modo, o seu monólogo deve ter sido um verdadeiro festim para os freudianos...
nastenka-d
 
  Kate Bush
Alguem conhece uma canção da Kate Bush, The Sensual World? A letra dessa canção é composta a partir de frases do monólogo final de Molly Bloom.
Joana
 
terça-feira, janeiro 27, 2004
  todos estão loucos por se meterem de onde saíram
Se começássemos a retirar frases assim escolhidas, acabaríamos por ter um livro completamente diferente; aliás, com tudo o que escrevemos aqui sobre o livro, não teremos construído um outro, nosso, para consumo privado – uma representação particular do ‘Ulisses’?
Com esta frase poderíamos, por exemplo, especular sobre a maneira como são tratados os homens; já sabemos que não há heróis, apenas pessoas vulgares habitam o livro; com esta frase retoma-se o conflito (insanável?) entre homens e mulheres, de que as expressões trocadas entre Ulisses e Penélope (Mulher – Homem – incompreensível) são uma outra representação...
Sendo assim, limito-me a registar: no monólogo os pensamentos sucedem-se, não são definitivos ou fechados nem, por essa mesma razão, contraditórios; os homens, como as mulheres, são alternadamente bons ou maus, ou são-no em simultâneo, o que equivale a dizer que não são nem uma coisa nem outra; não há juízos, apenas os pensamentos de uma mulher a entrar no sono.
Mas, evidentemente, este registo está sujeito a uma inevitável e sucessiva verificação...
nastenka-d
 
segunda-feira, janeiro 26, 2004
  Os homens e as mulheres, ou o conflito contínuo
:
‘Mulher incompreensível, mais do que a qualquer outra mulher
foi a ti que deram um coração inflexível os que no Olimpo habitam.
Nenhuma outra mulher se manteria afastada com tal dureza
do marido que, tendo padecido tantos sofrimentos,
regressa no vigésimo ano à terra pátria.’
(...)
A ele deu resposta resposta a sensata Penélope:
‘Homem incompreensível, não sou orgulhosa nem te desdenho.
Também não me espanto, pois lembro-me bem como eras
quando partiste de Ítaca na tua nau de longos remos.’


nastenka-d
 
  Fala Penélope
:
Telémaco, irei agora para o meu alto aposento,
para repousar na minha cama, que se tornou um leito de pranto,
sempre humedecido em lágrimas, desde o dia em que Ulisses
partiu com os filhos do Atreu para Ilion.


nastenka-d
 
  As opinões de Molly sobre os homens
“sim pois são tão débeis e lamurientos quando ficam doentes e querem uma mulher para ficar bons..
...
1 mulher não lhes chega...
...
isso é tudo o que eles pretendem...
...
alguns homens podem ser terrívelmente irritantes enlouquecem uma mulher...
...
não sabem fazer as coisas sem nós...
...
não estão satisfeitos até que nos incham como elefantes...
...
os homens são todos tão diferentes...
...
eles podem ir em busca do que lhes dá na gana desde que seja qualquer coisa com saias e nós não podemos fazer perguntas mas eles precisam saber onde estavas onde vais...
...
eles querem fazer tudo demasiado depressa tira todo o gosto...
...
são uns estúpidos nunca compreendem o que se lhes diz....onde é que está a grande inteligência deles era coisa que eu gostaria de saber matéria cinzenta têm-na toda no rabo se querem que lhes diga...
...
todos estão loucos por se meter de onde sairam parece que nunca podem chegar bastante fundo e logo acabam com um até à próxima...
...
eles não têm nem a metade do carácter que tem uma mulher...
...
a maioria não tem uma partícula de amor na sua natureza...
...
são tão idiotas...
...
são todos uns bons estupores todos eles...
...
os homens também podem procurar por todas as partes e eleger o que gostam...para os seus diferentes prazeres...mas nós temos de estar sempre acorrentadas...
...
é claro o homem nunca pensa duas vezes sobre o marido ou sobre a esposa é a mulher que ele quer e consegue-a..."




Troti

 
  Molly e a vida
“...a vida é sempre algo em que pensar em cada momento e ver tudo à volta como um mundo novo...”


“...espero que no outro mundo tenham algo melhor para nós...”



Troti
 
  Máximas de Molly
“...não há parvo como parvo velho...”


“...está muito bem com um marido mas não se pode enganar um amante...”


“...na verdade não se pode chegar a nada neste mundo sem classe..."


“...nunca se aprende bastante com os homens...”



“...muitas vezes diz-se a verdade a falar de brincadeira...”





Troti


 
  Molly Mulher
SIM “...uma mulher é muito sensível...”


SIM “...a mulher é obviamente beleza...”


SIM “...não há coisa como um beijo grande e quente que te vai pela alma abaixo e quase que te paralisa..."



SIM “...as estúpidas mulheres acreditam que o amor é suspirar...”



SIM “...uma mulher necessita que a abracem 20 vezes ao dia...”





Troti



 
  MOLLY...
“Sim...

“...eu sou honesta...”

“...gostaria de um homem novo todos os anos...”

“...é tudo culpa dele se sou uma adúltera...”

“...eu não quero explorá-lo como fazem outras mulheres...”

“...eu gosto de flores...”

“sim ele disse que eu era uma flor de montanha sim...
sim essa foi a única verdade que disse em toda a vida e o sol hoje brilha para ti sim isso foi o que gostei mais porque vi que entendia ou sentia o que é uma mulher e eu sabia que sempre havia de fazer dele o que quizesse...Sim”





Aqui está Molly Bloom.

Troti
 
domingo, janeiro 25, 2004
  Joyce (Homérico e Esotérico)
Para me distrair por umas horas de Ulysses, ponho-me a ler a Fábula de Veneza de Hugo Pratt, que encontrara por acaso na Feira da Ladra no sábado passado. Mas eis que logo na introdução, o nome de Joyce se atravessa na leitura, numa referência a propósito da Rosa Cruz, símbolo da sociedade esotérica da Aurora Dourada (Golden Dawn), à qual pertenceram Joyce, Yeats, Wilde e Crowley.

A Ordem Hermética da Aurora Dourada (The Hermetic Order of the Golden Dawn®) é a manifestação externa da Ordem Rosacruciana Alpha+Omega (A+O)®, a única Ordem Golden Dawn ainda sobre a orientação directa dos Chefes Secretos da Terceira Ordem. Nós continuamos fielmente a Tradição fundada por S. L. MacGregor Mathers em 1906. Nosso currículo engloba todos os aspectos da Tradição Hermética, incluindo teurgia (magia ritual), alquimia, astrologia, qabalah, tarot, geomancia, e cristianismo esotérico, assim como os mistérios e magia Egípcia, Enochiana, Grega e Caldéia.

Também não faltam referências maçónicas ao longo de Ulysses.

E ficamos a saber neste capítulo (Ithaka) que a banalidade quotidiana de Bloom pode esconder afinal um significado ritual e esotérico:

The preparation of breakfast (burnt offering): intestinal congestion and premeditative defecation (holy of holies): the bath (rite of John): the funeral (rite of Samuel): the advertisement of Alexander Keyes (Urim and Thummim): the unsubstantial lunch (rite of Melchisedek): the visit to museum and national library (holy place): the bookhunt along Bedford row, Merchants' Arch, Wellington Quay (Simchath Torah): the music in the Ormond Hotel (Shira Shirim): the altercation with a truculent troglodyte in Bernard Kiernan's premises (holocaust): a blank period of time including a cardrive, a visit to a house of mourning, a leavetaking (wilderness): the eroticism produced by feminine exhibitionism (rite of Onan): the prolonged delivery of Mrs Mina Purefoy (heave offering): the visit to the disorderly house of Mrs Bella Cohen, 82 Tyrone street, lower and subsequent brawl and chance medley in Beaver street (Armageddon): nocturnal perambulation to and from the cabman's shelter, Butt Bridge (atonement).


riverrun
 
sábado, janeiro 24, 2004
  Um dia perfeito
.

«Que imperfeições num dia perfeito enumerou Bloom andando, silenciosa e sucessivamente?
Um fracasso provisório em obter renovação para um anúncio, em obter uma certa quantidade de chá de Thomas Kernan (representante de Pullbrook, Robertsan & Co., Dame Street, 5, Dublin e Mincing Lane, 2, Londres, E. C.), em certificar a presença ou ausência de orifício rectal posterior no caso das divindades femininas helénicas, em conseguir entrada (gratuita ou paga) na represnetação de Leah, pela senhora Bandmann Palmer, no Gaiety Theatre, South King Street, 46, 47, 48, 49.»



E a loção de Molly! Não esquecer, não esquecer, não esquecer...


Quanto ao dia perfeito, a razão óbvia é desvendada no final:

«Que acontecimento ou pessoa emergiu como ponto saliente da sua narração?
Stephen Dedalus, professor e autor.»




Leitora
 
  Oferta de acolhimento
Bloom, pai protector, convida Stephen a fica em sua casa. Seria o hóspede perfeito, sabemo-lo. O quarto de Milly está livre, e há uma tabuleta pendurada numa janela tentando ocupá-lo e obter algum rendimento. Stephen é o desejado, mais do que a oportunidade. Mas chegamos ao princípio do fim, a separação:

«A proposta de asilo foi aceite?
Prontamente, inexplicavelmente, com amistosidade, com gratidão, foi declinada.»


Agora temos a certeza que Stephen acabará por partir, seguindo o apelo da viagem.



Leitora
 
sexta-feira, janeiro 23, 2004
  E, para que não restem dúvidas
:
Encontrou Ulisses no meio dos cadáveres dos mortos,
conspurcado de sangue e imundice, como um leão
que acaba de comer um dos bois do estábulo
e tem o peito todo e as faces de ambos os lados
manchadas de sangue – visão terrível de se ver!
Assim com marcas de sangue nas mão e nos pés
estava Ulisses.


nastenka-d
 
  O resultado
:
E Ulisses também olhou por toda a parte, não fosse ter escapado
vivo algum pretendente, escondido, a evitar a escuridão da morte.
Mas viu que todos estavam mortos, caídos no meio do sangue
e da terra, todos eles, como peixes que os pescadores
tiraram do mar cinzento nas suas redes e deixaram na praia
de orla sinuosa, todos amontoados em cima da areia,
desejosos de voltar para as ondas do mar salgado,
mas o sol resplandecente lhe tira a vida –
assim jaziam os pretendentes, uns sobre os outros.


nastenka-d
 
  O que se passou em Ítaca
:
... os pretendentes cederam ao pânico.
Precipitaram-se através da sala como gado enlouquecido
por um esvoaçante moscardo, que espicaça os bois a correr em frente
na época primaveril, quando os dias começam a aumentar.
Tal como quando abutres de garras e bicos recurvos vêm das
montanhas para se lançar sobre outras aves, e estas voam
ao longo da planície debaixo das nuvens e sobre elas se atiram
os abutres, matando-as, porque elas não têm maneira de se defender
ou escapar, mas os homens se alegram de ver a matança –
assim eles perseguiam os pretendentes através da sala,
dando-lhes golpes: e ouviram-se gritos horrendos quando
as cabeças foram atingidas e o chão escorreu de sangue.


nastenka-d
 
  Os temperamentos
.
«Que dois temperamentos representavam individualmente?
O científico. O artístico.»



Respectivamente, Bloom e Stephen. Mas vamos lá avaliar o tempreamento científico de Bloom e a sua prática de análise:


«Que provas aduziu Bloom para demosntrar que a sua tendência era para a ciência aplicada, mais do que para a pura?
Certas possíveis invenções sobre as quais tinha meditado em posição reclinada em estado de supina replecção, para auxiliar a digestão, estimulado pela sua apreciação sobre a importância das invenções agora comum mas outrora revolucionária, por exemplo, o pára-quedas aeronáutico, o telescópio de reflexão, o saca-rolhas de espiral, o alfinete-de-ama, o sifão para a água mineral, a comporta de canais com molinete e eclusas, a bomba de sucção.»



Leitora
 
quinta-feira, janeiro 22, 2004
  Um dos mais belos momentos do livro
Logo após a bela enumeração das afinidades entre a lua e a mulher (com que Joyce nos seduz depois de nos ter afastado) a tranquilidade parece reinar no interior dos dois homens, do livro. Aliás, todo o episódio, talvez pela forma (quase) neutral com que é descrito, talvez pelo cansaço que a madrugada traz consigo, transmite essa sensação; mas é naquele momento, nas traseiras da casa de Bloom, quando urinam na penumbra, observando uma estrela cadente no céu, que a relação entre embos parece ter atingido uma maturidade a partir da qual se poderão separar, cada um apaziguado, com os seus desejos, consigo mesmo.
nastenka-d
 
  Para todas as que odiámos Joyce pela forma como ele retratara as mulheres
Que especiais afinidades lhe parecia haver entre a lua e a mulher?
A sua antiguidade em preceder e sobreviver a sucessivas gerações telúricas: o seu predomínio nocturno: a sua dependência satélita: a sua reflexão luminar: a sua constância sob todas as fases, levantando-se e pondo-se a horas fixas, crescendo e minguando: a forçosa invariabilidade do seu aspecto: a sua resposta indeterminada à interrogação não afirmativa: o seu poder sobre as águas efluentes e refluentes: a sua capacidade de se apaixonar, de mortificar, de revestir de beleza, de enlouquecer, de incitar e de ajudar à delinquência: a tranquila inescrutibilidade do seu rosto: a terribilidade da sua proximidade isolada dominante implacável resplandecente: os seus presságios de tempestade e de calma: o estímulo da sua luz, o seu movimento e a sua presença: a admonição das suas crateras, dos seus áridos mares, do seu silêncio: o seu esplendor, quando visível: a sua atracção, quando invisível.


nastenka-d
 
  O estado de Bloom ao fim deste longo dia/odisseia
.

«O seu ânimo?
Nada tinha arriscado, nada esperava, não tinha ficado desapontado, estava satisfeito.

O que é que o satisfazia?
Não ter sofrido qualquer perda positiva. Ter permitido aos outros um ganho positivo. Luz aos gentios.»



Bloom consegue manter-se satisfeito ao acordar do sonho de ter encontrado o filho? Claro que não sofreu uma perda positiva, mas não deixará de ser uma desilusão...

Tento imaginar o dia seguinte, e várias são as hipóteses:

- Bloom amargurado, por ter deixado escapar a oportunidade de conquistar esse filho perdido;

- Bloom esperançado na contínua aproximação de Stephen; o dia 16 terá sido apenas a primeira aproximação, a primeira batalha com o seu destino;

- Bloom consciente do risco de colocar aquele rapaz no mesmo tecto que a sua tentada/tentadora Molly;

- Bloom consciente que a conquista desse filho tinha sido mais um dos seus devaneios;

- Bloom ainda satisfeito por ter dado luz a um gentio?


...
Outra vitória de Joyce: transporta-nos para o dia 17, e o 18, e... Deu-nos um herói humanizado, que nos é próximo, que nos põe a tentar imaginar o seu futuro...


Leitora
 
quarta-feira, janeiro 21, 2004
  Ítaca-outra visão da odisseia
Lembrei-me que poderiam achar interessante este poema. E´ de um poeta grego moderno, Kavafis, e é outra interpretação muito pessoal da Odisseia.


ÍTACA

Se partires um dia rumo a Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
Repleto de aventuras, repleto de saberes.
Que nem lestrigões, nem ciclopes,
Nem o colérico Poseidon te intimidem!
Eles no teu caminho não se cruzarão
Se altivo for o teu pensamento e uma clara
Emoção tocar o teu corpo e o teu espírito.
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o feroz Poseidon hás-de ver
Se tu mesmo os não levares dentro da alma
Se a tua alma os não puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
E numerosas as manhãs de Verão
Nas quais com prazer, com alegria,
Entrarás pela primeira vez em certos portos
Para percorrer as lojas dos fenícios
E belas mercadorias adquirir:
Madrepérola, coral, âmbar e ébano,
E perfumes sensuais de toda a espécie,
Quanto houver de aromas deliciosos.
Visita as muitas cidades do Egipto
E aprende da boca dos seus sábios.

Nunca afastes Ítaca da tua mente.
Chegar lá - eis o teu destino.
Mas não apresses nunca a viagem:
Quanto mais longa, melhor.
Chegarás lá por fim, mais velho,
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar que Ítaca te enriqueça.

Uma bela viagem deves a Ítaca.
Não fosse por ela, nem terias partido.
Porém, mais do que isso não pode ela dar-te.
Mesmo que a aches pobre, ela não te iludiu:
Rico em saberes e em vida vivida,
Sabes agora o que significam as Ítacas.


Joaninha

 
  Citação para a troika belohorizontina de Kafka
Que espectáculo os confrontou quando eles, primeiro o anfitrião, depois o convidado, emergiram silenciosamente, duplamente nas trevas, da obscuridade por uma passagem da parte traseira da casa para a penumbra do jardim?

A árvore celeste das estrelas carregada de húmidos frutos noite-azulados.


nastenka-d
 
  Reminiscências
!

«Reminiscências de coincidências, a verdade mais estranha do que a ficção.»



Relembra-me a realidade da ficção de "OS PAPEIS DE K.", que cruzámos há uns meses atrás...


Leitora
 
terça-feira, janeiro 20, 2004
  Gineceu
Pénelope foi enclausurada em casa durante vinte anos, à espera do marido (sim, estou a acabaradorar a Odisseia...).

NESTE SEC. XXI, há regiões na Índia em que as viúvas têm que raspar o cabelo para o resto da vida, uma vez que qualquer nova união lhes está absolutamente vedada.

Em vários países do mundo, existem festivais nos quais as mulheres rezam pela longevidade dos maridos, sendo que as viúvas ainda são suspeitas de causarem, directa ou indirectamente, a morte do cônjuge, ficando sujeitas a diversas proibições (no Benin, p.e., vivem um período de reclusão, durante o qual estão proibidas de se lavar, pentear, cortar as unhas, vestir roupa lavada, dormir numa cama,...).

Ao longo da história, em inúmeros países, a morte de um homem tem significado a sepultura, em morte ou em vida, da respectiva mulher. A viuvez traz apenas uma coisa: exclusão social.

NESTE SEC. XXI, há regiões na Índia em que as viúvas são imoladas na pira funerária do marido (ritual denominado "sati").

Molly é um pouco diferente. Ela não é um simples veículo reprodutor. Ela não é uma representação da mulher oprimida. Ela não vive em função de.... Parece assistir-lhe um direito de escolha.

Outra discussão será a forma como ela decide exercer a sua liberdade. Entre o negro da censura e o branco da compreensão, poderemos deter-nos em vários tons de cinzento... Uma outra discussão ainda, serão os efeitos (ao nível pessoal, conjugal e social), sobre si própria, desse mesmo exercício. Aguardo ansiosamente por Molly no último capítulo.

Bloom tenta abstrair-se do cheiro do outro macho, regressa à cama do casal, beija a mulher pelo outro beijada.

Bem ou mal, este heterodoxo casal constitui uma cambiante da tradicional imagem da vida conjugal. O que não deixa de ser refrescante e me leva a dizer que, deste ponto de vista, tal como Bloom é o oposto de Ulisses, Molly será uma antítese de Penélope.

J.M.
 
  Prontamente, inexplicavelmente, com amistosidade, com gratidão, foi declinada.
Stephen declina a oferta – bem sabemos que não desinteressada – de se acolher, por uma noite apenas, na casa de Bloom. Terá considerado demasiado alto o preço a pagar pela hospitalidade, ou quererá apenas experimentar a liberdade recém-conquistada? É Bloom quem se preocupa, em qualquer caso. É ele quem desdobra a irreparabilidade do passado, a imprevisibilidade do futuro; é ele quem acredita na incremental perfectibilidade do humano. Quanto a Stephen, abandona a casa – a nós resta-nos especular (torcendo os dedos dentro dos bolsos para dar sorte) sobre o seu caminhar deliberado em relação ao desconhecido.
nastenka-d
 
  O Banho!
Foi uma das primeiras referências que guardámos de Stephen: ele não toma banho há meses. Com Bloom deleitamo-nos no balneário público por entre espuma e perfume e óleos...

Agora, Joyce revê o assunto, tornando a informação definitiva:

«Que razão deu Stephen para declinar a oferta de Bloom?
Que era hidrófobo, odiando o contacto parcial por imersão ou total por submersão em água fria (o seu último banho tendo ocorrido no mês de Outubro do ano precedente) detestando as substâncias aquosas do vidro e do cristal e não confiando nas aquacidades do pensamento e da linguagem.

Que impediu Bloom de dar a Stephen conselhos de higiene e de profilaxia aos quais se deveriam acrescentar sugestões respeitantes ao preliminar molhar da cabeça e contracção dos músculos com o rápido salpicar do rosto e pescoço e região toráxica e epigástrica nos casos de banho de mar ou de rio, sendo as partes da anatomia humana mais sensíveis ao frio, a nuca, o estômago e o tenar ou a sola do pé?
A incompatibilidade da aquacidade com a errática originalidade do génio.»



A incompatibilidade da aquacidade com a errática originalidade do génio!!



Leitora
 
  Matreiro Ulisses, ou como leva Bloom a água ao seu moinho
Ela não gostava de chapéus de chuva, ele gostava de mulheres de chapéu de chuva, ela não gostava de usar chapéu novo quando chovia, ele gostava de mulheres com chapéus novos, ele comprou um chapéu novo num dia de chuva, ela levou chapéu de chuva com chapéu novo.

nastenka-d
 
segunda-feira, janeiro 19, 2004
  De que forma sabemos o que foi acontecendo na cozinha do n.º 7 de Eccles Street?
A partir da observação e descrição do fenómeno, seguindo a metodologia pergunta/resposta. Apesar da aparente objectividade e impessoalidade com que são narrados os factos e os pensamentos dos protagonistas, existem, tanto nas perguntas (que só poderiam ser formuladas naqueles termos por um observador omnisciente) como nas respostas, elementos que introduzem a emoção do observador como um dos dados do fenómeno em exposição. A título de exemplo, veja a pergunta 24:
O que é que Bloom admirava na água, amante da água, extractor de água, portador de água, uma vez regressado ao fogão?
E agora repare-se no final da longa resposta:
... a nocividade dos seus eflúvios em pântanos lacustres, charcos pestilentos, águas emurchecidas, poças estagnadas sob a lua em quarto minguante.

nastenka-d
 
  Bloom descrito
"Porque é que ele ficou duplamente irritado?

Porque se tinha esquecido e porque se recordou que se recordara duas vezes de não esquecer."




Leitora
 
  Nota do Tradutor (João Palma-Ferreira)
É que ‘Ulisses’ não é apenas a história de Stephen e de Bloom: é um exemplo do quase infinito número de modos em que a sua história poderia ser contada.

nastenka-d
 
domingo, janeiro 18, 2004
  Capítulo 17.º
Há sempre uma surpresa que Joyce nos revela. Ao sairmos do albergue, já só pensamos no fim, e na Molly. Joyce sabia-o, e espera por nós, leitores.

Ainda embriagada de ULISSES, quase exclamei que este era o meu capítulo preferido. Pelo desafio, pela surpresa, e pela facilidade com que Joyce contornou esta técnica tão limitativa.

Fabuloso, sim. Entusiasmante. Uno e consistente.

Para quem não leu, imagine 72 páginas de inventário, de descrição quase técnica dos objectos, percursos e diálogos. Assustador? Pois... mas o resultado é genial!


Leitora
 
  Identificação do herói
Joyce decide, finalmente, nomear o herói. Curiosamente depois de ter mostrado as suas limitações, durante a passagem com Stephen pelo albergue. O aventureiro que nunca saiu do lugar, o homem que sabe que todos sabem que foi traído pela mulher. O indesejado. Bloom.

" - Proponho - sugeriu por fim o nosso herói, depois de amadurecida reflexão enquanto prudentemente metia a fotografia no bolso - que como aqui a atmosfera está muito carregada, você venha comigo par minha casa e que falemos destas coisas em geral."


Por fim, o nosso herói.


Leitora
 
  O Regresso
Se a primeira parte do livro se centra nos preparativos para e saída de casa, a terceira parte descreve o regresso. No 16.º capítulo começa por ser um regresso lento, porque B. e S. têm de recuperar algumas forças.

O paralelismo com a ODISSEIA é, a meu ver, mais claro do que nunca. Vê-se a olho nu, independentemente de tabelas de comparação. Fala-se em atravessar o mundo pela mulher, numa alusão clara a uma Penélope, neste caso a mulher do velho marinheiro que B. e S. encontram no albergue. Aqui, a ironia de Joyce que desdobra o papel do ULISSES homeriano por Bloom, que nunca saiu de terra, e um velho marinheiro acabado de chegar de uma expedição de anos.

Para colmatar a sua falta de experiência, Bloom relembra o seu plano de ir a Londres por via marítima, para não dizer que jamais viajara por uma grande extensão, embora fosse, de alma e coração, um aventureiro nat, ainda que, por partida do destino, tivesse consistentemente permanecido como um marinheiro em terra..

Reencontrado o filho, Ulisses propõe o regresso a casa.


Leitora
 
sábado, janeiro 17, 2004
  Reflexão VII
"Se se tivesse sorrido, porque é que se teria sorrido?
Ao pensar que cada um entra e imagina que é o primeiro que entra ao passo que não é sempre mais do que o último termo da série precedente, até se é o primeiro da seguinte julga cada um que é o primeiro, só e único, ao passo que não é o primeiro nem o último, nem ele só, nem o único, numa série que em si se origina e que até ao infinito se reproduz.”




Troti
 
  Reflexão VI
"Porque é que um fracasso repetido ainda mais o deprimia?
Porque na viragem crítica da existência humana desejava emendar muitas condições sociais, produto da falta de igualdade, da avareza e da animosidade internacional.

Acreditava ele então que a vida humana era infinitamente perfectível, eliminando-se essas condições?
Ficavam as condições genéricas impostas pela lei natural, uma vez distinta de lei humana, como partes integrantes da totalidade humana. A necessidade da destruição para se procurar sustento alimentício: o carácter doloroso das últimas funções da existência individual, os sofrimentos do nascimento e da morte: a monótona menstruação das fêmeas simiescas e (especialmente humanas, estendendo-se desde a idade da puberdade até à menopausa: os inevitáveis acidentes no mar, nas minas, nas fábricas: certas enfermidades muito dolorosas e as suas consequentes operações cirúrgicas, a loucura hereditária e a delinquência congénuita: as epidemias dizimadoras: os cataclismos catastróficos que do terror fazem a base da mentalidade humana. Os transtornos sísmicos cujos epicentros estão situados em zonas densamente povoadas: o facto do crescimento vital, mediante convulsões de metamorfoses desde a infância através da idade madura, até à decadência.

Porque desistiu da especulação?
Porque era uma tarefa para uma inteligência superior, a de substituir outros fenómenos mais aceitáveis no lugar dos fenómenos menos aceitáveis que deviam ser suprimidos.”




Troti
 
  Reflexão V
"Por que estava o anfitrião silencioso (secreto, infeliz)?
Suspeitava das possíveis provas a favor e contra o crime ritual: a incitação da hierarquia, a superstição da populaça, a propagação de rumores em continuada dissolução de vericidade, a inveja à opulência, a influência da represália, a reaparição esporádica da delinquência atávica, as circunstâncias atenuantes do fanatismo, a sugestão hipnótica e o sonambulismo.”




Troti
 
  Reflexão IV
“O que é que compensava, na falseada balança da sua inteligência, estas e análogas deficiências de juízo a respeito de pessoas, lugares e coisas?
O falso paralelismo aparente de todos os braços peerpendiculares de todas as balanças, provado verdadeiro por construção. O contrapeso da sua eficácia de juízo a respeito de uma pessoa, demonstrado verdadeiro por experiência.”




Troti
 
  Reflexão III
“Qual o problema doméstico que ocupava a sua mente, tão frequentemente como qualquer outro, se é que não mais?
Que fazer com as nossas mulheres.”




Troti

 
  Reflexão II
“Que considerações atenuadoras modificaram as suas perturbações?´
As dificuldades de interpretação visto que a significação de qualquer evento seguia a sua ocorrência tão variávelmente como o fenómeno acústico seguia a descarga eléctrica e de contra-estima quanto a uma perda efectiva, por incapacidade de interpretar a soma total de perdas posssíveis originariamente derivadas de uma interpretação coroada de êxito.”

O seu ânimo?
Nada tinha arriscado, nada esperava, não tinha ficado desapontado, estava satisfeito.

O que é que o satisfazia?
Não ter sofrido qualquer perda positiva. Ter permitido aos outros um ganho positivo. Luz aos gentios.”




Troti
 
  Reflexão I
Em “Ítaca “ a vida é dissecada com um bisturi, remexida, perfurada, martelada, especulada, decidida. Joyce parte com as duas personagens – Stephen e Bloom – para reflectir sobre o indivíduo no seu todo.




“Reflectiu (Bloom) que a existência progressiva do campo de desenvolvimento e da experiência do indivíduo era progresssivamente acompanhada por uma restrição do recíproco domínio das relações interindividuais.

Como em que sentidos?
Partindo da inexistência para a existência, chegou a muitos e como um foi recebido: a existência com a existência era com cada um como cada um com cada um: da existência para a não existência passada seria ele por todos compreendido como nenhum.”




Troti
 
  ÍTACA
Chegados a "Ítaca" temos todas as perguntas e todas as respostas.

“Quais, reduzidas às suas formas recíprocas mais simples, eram os pensamentos de Bloom acerca dos pensamentos de Stephen sobre Bloom e os pensamentos de Bloom acerca dos pensamentos de Stephen sobre os pensamentos de Bloom acerca de Stephen?
Ele pensava que ele pensava que era judeu enquanto ele sabia que ele sabia que ele sabia que sabia que não era.”





Troti
 
  Citação III
“Não temais os que vendem o corpo mas não têm poder para comprar a alma.”




Troti
 
  Ciatação II
“Eventualmente tudo se reduz a adivinhar.”



Troti
 
  Citação I
“...as petas que um fulano conta sobre si próprio não podem provavelmente manter uma candeia proverbial sobre as grandes mentiras por atacado que os outros forjem sobre ele.”




Troti
 
  Continuação
“...cultivar relações com alguém de calibre pouco comum, que poderia fornecer pasto a reflexão, compensaria amplamentre qualquer pequeno...O estímulo intelectual, como tal, era, parecia-lhe, de tempos a tempos, um tónico de primeira qualidade para o espírito...
...
As coisas subitamente estranhas que ele
(Stephen) proferia, atraíam o homem mais velho...
...
Tudo apontava para o facto de que lhe competia aproveitar-se em cheio da oportunidade, considerando todos os aspectos.
...
...venha comigo para minha casa e falemos destas coisas em geral.
...
Todos os géneros de planos utópicos relampejavam pelo seu(de B) atarefado cérebro, educação (a genuína), literatura, jornalismo,...publicidade..., digressões..., duetos... e uma quantidade de outras coisas...Tudo o que queria era uma oportunidade...
...

- disse Bloom ...-Encoste-se a mim.
...
Assim passaram a conversar sobre música...
...
Tinha
(Stephen), de facto o mundo a seus pés e era essa a precisa razão por que o outro, possuidor de um nariz notavelmente doatado para cheirar a isca, se lhe pendurava de qualquer maneira."



Troti
 
  Continuação
“Todas essas miseráveis disputas, na sua humilde opinião, provocando más vontades, por causa da bossa da combatividade ou de uma glândula desse género, erroneamente atribuídas a um ponto de honra e a uma bandeira, eram de em grande medida uma questão de dinheiro, uma questão que estava atrás de tudo, cobiça e inveja, a as pessoas sem nunca saberem onde é que haviam de se deter.”




Troti
 
  O Senhor Bloom
“...prosseguiu o senhor B, a estipular, - ...É difícil estabelecer regras rigorosas e firmes quanto ao que está certo e está errado, mas o que é verdade é que há muito espaço para melhorias por aí, embora cada país...incluindo o nosso desventurado, tenha o governo que merece. Mas com um pouico de boa vontade de todos. É muito bonito presumir sobre a superioridade mútua, mas e quanto à igualdede mútua? Abomino a violência e intolerância de qualquer espécie ou forma. Nada consegue e nada impede. Uma revolução deve ser estabelecida a prestações. É um absurdo patente, que salta à vista, odiar pessoas só porque vivem ali à esquina e falam outro vernáculo..."



Troti
 
  ENIGMA
“É escusado dizer que se voltou a pôr a eterna questão da vida conjugal. Poderá existir amor verdadeiro entre casados, admitindo que haja outro sujeito metido no assunto? Enigma.”





Troti
 
  !!!!!!!!
“As senhoras que gostam de roupa interior de alta qualidade deveriam, e todo o homem bem vestido também deve, tratar de tornar mais largo o intervalo entre eles por meio de alusões indirectas e dar mais genuíno aos actos de indecência entre ambos, ela desabotoou-o e depois ele desabotoou-a, cuidado com o alfinete, enquanto que os selvagens nas ilhas canibais...a noventa graus à sombra não querem saber disso para nada."



Troti
 
  O Senhor Bloom
“O Senhor Bloom era tudo menos um assobiador profissional...

O Senhor Bloom endereçou-lhe uma palavra de cautela...

O Senhor Bloom ...era partidário de que cada um só deve meter-se na própria vida...

O Senhor Bloom...podia marcar pontos a não poucos quanto a astuta observação...

...jamais viajara por uma grande extensão, embora fosse, de alma e coração, um aventureiro nato, ainda que, por partida do destino, tivesse permanecido como um marinheiro em terra...

...a sua ideia...era a de fazer bem e empochar um certo lucro...

...sentia certamente sem o negar(enquanto, interiormente, permanecia o que era) uma certa espécie de admiração por um homem que realmente tivesse brandido uma faca, aço frio, com a coragem das suas convicções políticas(ainda que, pessoalmente, nunca tomasse parte em tal coisa)...

O Senhor Bloom atribuía – à vida doméstica – a maior importância...

...pessoalmente, sendo de natureza céptica, acreditava e não hesitava mínimamente em dizer que ...homens...estavam sempre na lista de espera de uma senhora..."





Troti
 
sexta-feira, janeiro 16, 2004
  Entretanto, em Ítaca...
Não sou um deus. Porque me assemelhas aos imortais?
Sou o teu pai, aquele por causa de quem tanto gemeste
e tantas dores sofreste, subjugado pela violência daqueles homens.
(...)
Assim falando, sentou-se; e Telémaco abraçou
o nobre pai, chorando e vertendo lágrimas.
E do coração de ambos surgiu o desejo de chorar.
Gemeram alto, os seus gritos mais acutilantes que os
de corvos marinhos ou abutres de recurvas garras, a quem
os lavradores roubaram as crias antes de lhes crescerem as asas:
assim deploravelmente dos olhos se lhes derramaram as lágrimas.


nastenka-d
 
  E qual é acaso seu nome?
A 3ª parte e o 16º capítulo (Eumeus) começarem com a letra "P" poderia parecer um mero acaso, mas não quando reparamos que a 1ª parte começa com um "S" ("Stately") e a 2ª com um "M" ("Mr."). Segundo uma teoria, as três letras iniciais das três partes do livro corresponderão às três iniciais das três personagens principais do livro:

1 - S (Stephen)

2 - M (Molly)

3 - P (Poldy)

Joyce joga com as letras, com os nomes e com os seus sons. Eles tornam-se átomos deste livro-organismo que é Ulysses.

Ainda no mesmo capítulo Stephen dialoga com Bloom:

- Os sons são imposturas - disse Stephen após uma pausa de um certo pequeno tempo. - Como os nomes, Cícero, Podmore, Napoleão, senhor Goodbody, Jesus, senhor Doyle, Shakespeares eram tão comuns quanto Murphies. Que é que há num nome?


riverrun
 
quinta-feira, janeiro 15, 2004
  As possibilidades artísticas da má escrita!
Sobre o capítulo 16, encontrei uma análise retirada de Before the Wake. by Bob Williams , em que se saliente que no 16.º capítulo Joyce regressa à má escrita, explorando as suas possibilidades artísticas. A ironia do mestre que revê neste livro toda a literatura...



In Eumaeus Joyce again exploits the artistic possibilities of bad writing. The earlier explorations – many passages in Cyclops and slightly more than half of Nausicaa – were professionally acceptable examples, the kind of bad, or genre, writing that was and is current in journalism and in writings for women. The style of Eumaeus seldom rises even to this low level of professional acceptability. This narrator, fearless of clichés, will leave nothing out but has no idea how to make everything fit. The only relief that Joyce provides is the expertly reported conversations and the startlingly poetic conclusion. The very flatness of the style may be intended as a metaphor for a slave mentality, a fitting recollection of the slave Eumaeus that assisted the restoration of Odysseus his master.



Leitora
 
  Um marinheiro em terra
Delicioso, este Ulisses do sec. XX, "um aventureiro nato", muito embora a sua viagem a Hollyhead" tenha sido o mais longe até onde fora."

J.M.
 
  Tudo o queria era uma oportunidade
É comovente ver a forma como Bloom vai sentindo, à medida que a madrugada avança, cada vez mais desejo de proteger Stephen; e como este parece ausente, indiferente à protecção que lhe é oferecida. Sim, bem sabemos que Bloom não é capaz de acompanhar as digressões filosóficas de Stephen (ao tentá-lo apenas se cobre de ridículo), mas por seu lado, também Stephen é um ingénuo no que diz respeito aos assuntos mais prosaicos...
- Há uma coisa que nunca compreendi. Porque é que à noite põem sempre as mesas de pernas para o ar, isto é, as cadeiras de pernas para o ar em cima das mesas, nos cafés.
Ao que, de improviso, o infalível Bloom replicou sem hesitação:
- Para varrerem o chão, de manhã.

nastenka-d
 
quarta-feira, janeiro 14, 2004
  "Os boers eram o princípio do fim"
1652 - a small group of Dutch settlers founded Cape Town

1815 - the Dutch ceded the Cape of Good Hope to Britain

1826 - Britain's Cape Colony had extended its borders to the Orange River

1834/38 - Dutch colonists moved to new lands (Natal, Transvaal and the Orange Free State) and were forced to defeat the Zulu - Britain then repulsed the Boers and made Natal a British colony in the pretense of protecting the natives

1854 - the British withdrew from lands north of the Orange River and the Boers seized the Orange Free State

1856 - Britain made Natal a Crown colony; the Boers established the South African Republic (Transvaal) with Pretoria as its capital



... diamonds were discovered in the Orange Free State

1871 - the British disregarded Boer claims to the territory, annexing the district to Cape Colony

1877 - Britain annexed the South African Republic in violation of the Sand River Convention of 1852 that recognized the independence of the Transvaal. ...a reluctant Parliament to act led to the Boers taking up arms

1880 - a Boer Republic independent of Britain's Cape Colony was proclaimed by Paul Kruger

1881 - the Treaty of Pretoria gave independence to the Boer Republic but under British suzerainty

1886 - gold was discovered in the Transvaal; Cecil Rhodes dreamed of extending British rule in Africa, but the Boers were in the way, controlling the key areas of the Transvaal and the Orange Free State; Rhodes with other imperialists established British colonies to the north of the Boer territories



1899 - war began as a result of British diplomatic pressure and a military build up on the borders of the Transvaal

The highly mobile guerrilla units of the Boers were immediately successful in defeating much larger units of the British Army

1900 - Kruger went into exile and the two Boer republics were annexed to the British crown

Yet the war dragged on; the Boers utilized commandos to strike at British lines of communication; the British resorted to a scorched earth policy to deny the Afrikaners food and supplies, burning their farms and crops and removing masses of farming families to concentration camps

1902 - the Boers accepted British sovereignty with a promise of future self-government

http://www.britannia.com/history/naremphist8.html

J.M.
 
  O Lucro e o Pecado
"Se não acreditassem que vão direitos para o céu, quando morrem, tentariam viver melhor".

A este propósito (embora por contraponto aos protestantes, e não aos judeus), uma abordagem de Max Weber que poderá contribuir para explicar a diferença entre as chamadas Europa do Norte e Europa do Sul:

"Weber's most famous book is The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism (1904-5). It is generally taken as a counter to the Marxist thesis of the primacy of base over superstructure: Weber is supposed to have argued in this book that capitalism in fact developed historically as a result of a religious movement, protestantism, specifically Calvinism. The argument is that Calvinism, with its doctrine of predestination - i.e. the doctrine that God eternally decreed the salvation of some and the damnation of others, not in view of the good or evil deeds they would do, but simply 'because he willed it' - that this doctrine made Calvinists anxious about their salvation; that this led them to seek reassurance in attempting to succeed in their economic (and other) undertakings, in the belief that God signifies his favour by giving prosperity to the undertakings of the elect; at the same time the Calvinist did not spend his money on self-indulgence, so had nothing else to do with it but plough it back into the business. And his employees, being Calvinists also, had a sense of their jobs as 'callings' to be done well out of religious duty even for small earthly reward. Hence the 'Protestant ethic' - the famous 'work ethic' -, the drive for economic success, the will to work hard, the habit of not spending on frivolous self-indulgence - all this, originating in theology, provided a 'spirit' for capitalism, the set of motivations and attitudes that led to 'rational investment' of profits continually ploughed back, and to the modern world."

http://www.humanities.mq.edu.au/politics/y64l10.html

J.M.
 
  Odisseia
Foi este um dos capítulos em que mais me apercebi da importância de se ter lido a Odisseia (algo que ainda não me decidi a fazer...).

"The similarities between this chapter of Ulysses and the corresponding chapters of the Odyssey are many. And as most readers will realize, they are more apparent than many other of Joyce's chapters.

- Leopold Bloom plays the role of both Telemachus and Odysseus

- Dedalus plays the role of both Eumaeus and Telemachus

(Odysseus and Telemachus are finally united after both of their long journeys are nearly ended; Bloom and Stephen are finally united in meaningful interaction with one another, at a point where the long journey that is June sixteenth is nearing its end)

- D.B. Murphy represents dual sides of one character: sailor-Odysseus and beggar-Odysseus

(Odysseus is seen, under the guise of a beggar, telling false tails of the sea to Eumaeus in order to uphold the illusion that he is a Cretan vagabond; Murphy tells falsified tales of the sea to the crowd at the cabman's shelter; neither of them have been home to see their wives in over seven years)

- Corley is likened to Beggar-Odysseus

- Fitzharris is likened to Eumaeus

(he is the man who owns the cabman's shelter and he is still loyal to the Irish hero Parnell, even though he too has been long gone; Eumaeus provides both food and shelter to Odysseus when he needed it most: near the end of his journey)"


http://caxton.stockton.edu/ulysses/stories/storyReader$52

(nota: adaptei/cortei algumas frases, com o intuito de resumir o texto, mas julgo não ter alterado o sentido das mesmas)

J.M.
 
  Como Um Pai Com Um Filho
Em todo o capítulo, impera a atitude paternal de Bloom para com Stephen.

Conduziu-o a um refúgio; "pô-lo em estado decente"; deu-lhe de comer e de beber, até lhe mexeu o café; preocupa-se e mima-o. Vive com ele momentos de cumplicidade ("...trocaram entre si instintivamente significativos olhares"). Lastima que "perdesse o seu valioso tempo com mulheres depravadas"; "endereçou-lhe uma palavra de cautela", para que se pusesse a salvo de "toda a espécie de sarilhos"; "comentou, com reprovação" o comportamento dos seus companheiros. Admira-o. Considera-o um jovem de excepção, "de longe o escol dos seus iguais". Faz planos para o seu futuro. Protege-o ("puxou gentilmente pela manga do outro"). Dá-lhe o braço ("encoste-se a mim"). Oferece-lhe a sua casa. Um pai a cuidar de um filho.

"Embora nem em tudo se olhassem cara a cara, havia de qualquer modo, uma certa analogia, como se os seus espíritos fossem de viagem, por assim dizer, no mesmo comboio do pensamento".

J.M.
 
 
Você suspeita que eu posso ser importante porque pertenço ao faubourg Saint-Patrice que abreviadamente se chama Irlanda.
Mas eu suspeito que a Irlanda deve ser importante porque me pertence.

Bloom fica confundido com esta declaração de Stephen, pois não podia dizer exactamente qual a interpretação a dar àquele pertence que lhe parecia vir de grande distância.
Eu li-a como uma declaração de amor.
nastenka-d
 
  Em Câmara Lenta
Quase no fim da sua viagem, enquanto "Dublin dormia", os nossos heróis estão "ambos em mau estado", "sofrendo de lassidão geral".

O capítulo tem um ritmo lento, fala-nos de sonolência e desatenção. Os movimentos são pesados.

Stephen, de "feições ... morosas", "repetidamente bocejava", com os "olhos da imaginação demasiadamente ocupados..".

Também o marinheiro estava "farto de todos os rochedos do mar, de barcos e de navios".

Alheamento e cansaço, "com o olhar fixo e a divagar para consigo próprio ou para algum ouvinte desconhecido algures", "negando-se os órgãos mentais, pelo momento, a ir mais além".

Está na altura de regressar a Ítaca. ".. e sentia uma espécie de necessidade, ali e então, de seguir algo como uma voz interior e de satisfazer um possível desejo de se pôr em movimento".

J.M.
 
  Citação V
"...outros havia por sua vez que do mais baixo tinham chegado ao mais alto, inteiramente à sua custa. Essa era a força pura do génio natural. Questão de miolos..."



Troti
 
  Citação IV
"Ninguém pode dar o que não tem."




Troti
 
  Citação III
"Oh! Inclinar-me perante o inevitável. Sorrir e aguentar."



Troti
 
  Ciatação II
"Ele sabe qual é o lado em que o pão leva a manteiga, embora, com toda a probabilidade, nunca tenha compreendido o que significa não ter de comer."



Troti
 
  Citação I
"A cada um as suas necessidades e cada qual conforme as suas acções"




Troti
 
  "Eumeu"
No capítulo 16 Bloom tem ao seu lado Stephen. Juntos entram numa longa palestra em que debatem ideias e esgrimem argumentos:


"Tem tanto direito a viver do que escreve, em busca da sua filosofia, como o camponês. O quê? Ambos pertencem à Irlanda, o cérebro e o músculo. Cada um deles é igualmente importante."


Troti
 
  Ainda em Circe
"O teu nome, fragilidade, é o matrimónio."




"O grito da putéfia de rua em rua
Tecerá o sudário da Velha Irlanda"





Troti
 
  Ainda em "Circe"
"Sou pela reforma da moral municipal e dos dez mandamentos em cheio. Novos mundos pelos velhos. União de todos, judeus, muçulmanos e gentios. Três hectares e uma vaca para todos os filhos da natureza. Coches funerários tipo salão, a motor. Trabalho manual obrigatório para todos. Todos os parques abertos ao público dia e noite. Lava-loiças eléctricos. A tuberculose, a loucura, guerra e mendicidade devem cessar. Amnistia geral, carnaval todas as semanas com licenças de uso de máscaras, gratificações para todos, esperanto, a língua universal com fraternidade universal. Não mais patriotismo de frequentadores de tabernas e de impostores hidrópicos. Dinheiro livre, renda livre, amor livre e uma igreja laica livre num estado laico livre...
...
Raças mistas e casamento misto."





Como disse a leitora: Bloom sonha.



Troti
 
  SEXO
BLOOM A FALAR:

“Eu só me referia a uma partida a quatro, a um matrimónio misto que misturasse as nossas diferentes conjugalidades.”

“Confesso que estou a ferver de curiosidade por saber se certa coisa de certa pessoa não está neste momento a ferver.”

“...Eu só me referia à ideia das chicotadas. Uma cálida sensação de formigueiro sem efusão de sangue. Uma zurzidela refinada para estimular a circulação.”

“A boca pode ser melhor aproveitada do que com um cilindro de erva mal-cheirosa.”

"Má sorte. Enfiar no buraco errado da..."

"... Posso trazer dois amigalhaços para testemunhar e tirar um instantâneo?...Vaselina, senhor?"

"Trufas"



A FALAREM SOBRE BLOOM:


"Porco sujo foi ele sempre desde que o desmamaram."

"É um bem conhecido cornudo."

"Capacho!"

"Como vai esse terno traseiro?...começa a preparar-te."

"Beija, vamos. Ambos. Beija."

"Ainda não acabaste com ele, mamona?"

"Os pecados do teu passado estão todos contra ti. Muitos. Centenas."

"Toquem e examinem as suas qualidades...muito fácil de mungir..."

"E para que mais é que tu serves, uma coisa impotente como tu?"





Socorro-me do tradutor de "Ulisses" e das suas palavras que explicam um dos rumos mais importantes do capítulo 15:

"O episódio de Circe caracteriza-se não apenas pelo "abuso" da teatralidade...como....pela "perversidade" sexual que é comum apontar em Joyce."




Troti
 
terça-feira, janeiro 13, 2004
  Frases Escolhidas (Cap. 16)
"Os sons são imposturas."

"...ama-me e ama a minha camisa suja."

"Não temais os que vendem o corpo mas não têm poder para comprar a alma."

"Ela é uma péssima comerciante. Compra caro e vende barato."

"...descobrir erros é proverbialmente um mau negócio."

"As petas que um fulano conta sobre si próprio não podem provavelmente manter uma candeia proverbial sobre as grandes mentiras por atacado que os outros forjem sobre ele."

"Os gigantes, embora sejam coisa muito longínqua, só se vêem de vez em quando."

"Uma resposta branda afasta a ira."

"Uma revolução deve ser estabelecida a prestações."

"Se não acreditassem que vão direitos para o céu, quando morrem, tentariam viver melhor."

"Cometeu um erro em combater os padres."

"As pessoas podiam suportar que lhes mordesse um lobo, mas o que propriamente as exasperava era que lhes mordesse um cordeiro."


J.M.
 
  «Dizem que cada um recebe a sua ração de sorte»
Depois da loucura, regressamos à narrativa. Bloom tem finalmente Stephen só para si, no albergue, apesar do domínio das histórias do marinheiro. Bloom toma conta de Stephen, dá-lhe comida e conselhos. Com sobriedade, Bloom continua a sonhar. Nesses sonhos, Stephen está sempre por perto, como parte integrante do seu lar e da sua vida.

Será que consegue conquistar o desejado filho?


Leitora
 
  O super herói
Finalmente, no 15.º Capítulo, é-nos dado um Bloom glorioso, amado e admirado por todos. Uma Irlanda rendida à sua inteligência e capacidade de liderança.


Pura ilusão, devaneio mental de um Bloom bastante alegre. Rapidamente será arrancado do trono, e desprezado...


Mas nos sonhos tudo nos é permitido. É nesse sonho que Bloom obtém a glória consoladora.


Leitora
 
  O super capítulo
O capítulo 15 acentuou a minha noção de cada uma destas partes do ULISSES formarem um corpo inteiro. Como se este 15.º capítulo fosse um livro autónomo, e apenas pudesse ser apreciado como tal. Apesar de resgatar personagens que já conhecíamos de páginas anteriormente lidas.

Claro que, a posteriori, me lembro que todos os capítulos terão essa natureza única e independente. Mas estas 200 páginas são de tal forma hilariantes e distintas do antes e depois, que o impacto é incontornável!


Leitora
 
  Michael Collins
"The British attempt to smash Sinn Féin led to the War of Independence of 1919-21.

The Irish forces were led by Michael Collins.

After more than two years of guerilla struggle a truce was agreed.

In December 1921 an Anglo-Irish Treaty was signed and 26 counties gained independence as the Irish Free State. Six Ulster counties had been granted their own parliament in Belfast in 1920 and remained within the United Kingdom."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Sinn Féin
"Arthur Griffith developed a new political party in the period 1905-08 known as Sinn Féin - 'we ourselves'. The Sinn Féin policy was that Irish MPs should withdraw from Westminster and establish an independent parliament. Sinn Féin had close links with the IRB.

In the 1918 general election Sinn Féin totally defeated the Irish Parliamentary Party. The Sinn Féin representatives now constituted themselves as the first Dáil, or independent Parliament, in Dublin. The Dáil was headed by Éamon de Valera.

The British attempt to smash Sinn Féin led to the War of Independence of 1919-21."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Gaelic Athletic Association e Gaelic League
"The Gaelic Athletic Association, founded in 1884, promoted the national games while the Gaelic League, founded in 1893 by Douglas Hyde and Eoin MacNeill, tried to revive the Irish language and culture on a nationwide basis."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Charles Stewart Parnell
"The latter half of the 19th century was characterised by campaigns for national independence and land reform.

A constitutional movement seeking Home Rule was set up by Isaac Butt. The Home Rulers, who sought a separate parliament subordinate to London, won half the Irish seats in the 1874 election. Leadership of the movement soon passed to Charles Stewart Parnell.

The strained relations between landlords and their tenant farmers were a constant social and political difficulty. In 1879 Michael Davitt founded the National Land League. The League aimed to secure basic rights for tenant-farmers - fair rent, free sale and fixity of tenure. Parnell became president of the movement. Many Fenians also joined. The result was a great national campaign of mass agitation from 1879 to 1882 which forced the British Government to pass a series of Land Acts. These eventually abolished the old landlord system and transferred ownership of the land to the people who worked it. Parnell then used the agrarian movement as the basis to agitate for Home Rule in the 1885 election.

The Home Rule party swept the country outside eastern Ulster. Gladstone, the British Prime Minister, responded by introducing a Bill in Parliament to grant Home Rule but this was defeated in 1886, as was another in 1894. The impetus of the Home Rule campaign was effectively lost with the death of Parnell in 1891. However, the years after Parnell's death saw the growing emergence of a cultural nationalism."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Irish Republican Brotherhood
"The Irish Republican Brotherhood (IRB), also known as the Fenians, was founded in 1858.

The Fenians, a secret society, rejected constitutional attempts to gain independence as futile. Among the leaders of the Fenians were James Stephens and John O'Leary.

The Fenians staged an armed uprising in 1867. The rising was no more than a token gesture and was easily put down. The IRB continued in existence, however."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Thomas Davis
"In the 1840's the Young Ireland movement was formed. The most influential of its leaders was Thomas Davis who, like the United Irishmen, expressed a concept of nationality embracing all who lived in Ireland, regardless of creed or origin. An attempt by the Young Irelanders to stage an insurrection failed in 1848, but their ideas strongly influenced later generations."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  Daniel O'Connell
"From 1801 onwards Ireland had no Parliament of its own; Irish MPs sat in the Westminster parliament in London where they were a small minority. Westminster was unwilling to grant major concessions to Catholics, despite persistent agitation.

In 1823 a Catholic barrister, Daniel O'Connell, established the Catholic Association to press for full liberty for Catholics and rapidly converted it into a political mass-movement. O'Connell's success forced the London parliament to grant Catholic Emancipation in 1829, removing virtually all the disabilities against Catholics.

O'Connell, the most popular figure in the country, now sought repeal of the Act of Union of 1800 and the restoration of the Irish parliament. He set up the Repeal Association and modelled his campaign on that for emancipation. The agitation was characterised by mass meetings, some attracting hundreds of thousands of people. The London Government resisted and when a Dublin rally was banned in 1843, O'Connell acquiesced. This marked the effective end of the repeal campaign."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
  E agora, quem é Ulisses?
No capítulo 16, vemos Bloom guiando (salvando?) Stephen até um abrigo; como, na Odisseia, Ulisses se acolhe junto de Eumeu, o fiel guardador de porcos, assim que chega à sua ilha. Mas, em Dublin, há um outro marinheiro que se acolhe no abrigo de Fitzharris, o Pele-de-Bode. Murphy, o marinheiro (terá perdido as graças do mar?) apresenta-se com uma história recheada de aventuras; mas nela não escapa a Bloom pelo menos uma falsidade: o postal que o outro apresenta é endereçado a um Señor Boudin, no Chile, e não a ele mesmo. E também, em Ítaca, Ulisses se apresenta sob nome e biografia falsos...
nastenka-d
 
  A Fome e a Batata V
"The overall impacts of the Famine included:

- the decline of the Irish language and customs (in 1835, the number of native Irish speakers was estimated at four million -- in 1851, only 2 million spoke Irish as their first language)

- the devastation of the landless laborer class and small tenant farmer.

- a treeless landscape in many parts of Ireland.
- the shells of homes and "mud" cabins that were rendered uninhabitable.
- a massive decrease in farms of 15 acres and less. The 1841 census showed that 45% of land holdings were less than five acres. In 1851 this was 15%.
- Irish emigrants scattered around the globe.

Today there are over 5 million people in Ireland, while it is estimated there are upwards of 70 million people of Irish descent throughout the world."


http://www.rootsweb.com/~irlkik/ihm/ire1841.htm

J.M.
 
  A Fome e a Batata IV
"For many the only alternative to disease and starvation, and the only option to eviction from their tenant lands, was emigration. The Passenger Act of 1847 was passed and it granted each [eligible] emigrant 10 cubic feet and a supply of food and water. Realistically captains didn't obey this act and many people starved or died of disease in cramped quarters aboard the emigrant ships. An estimated one and one-half million Irish emigrated from 1845 to 1851, upwards of 20-45% dying in the "coffin ships" on their journey or shortly after their arrival in their new home."

http://www.rootsweb.com/~irlkik/ihm/ire1841.htm

J.M.
 
  A Fome e a Batata III
"While the blight provided the catalyst for the famine, the calamity was essentially man-made, a poison of blind politics, scientific ignorance, rural suppression, and enforced poverty.



Many Irish landlords sent badly needed grain to England for profit, instead of retaining it for the poorer classes (cottiers and labourers). Without crops or employment the tenants could no longer pay rent, so many lost the lands they may have rented while their landlords exported grain ans cattle to offset their losses. The effect of this was multiplied by the fact that the English parliament was reluctant to send any food to Ireland. One official declared in 1846, "It is not the intention at all to import food for the use of the people of Ireland.""

http://www.rootsweb.com/~irlkik/ihm/ire1841.htm

J.M.
 
segunda-feira, janeiro 12, 2004
  A Fome e a Batata II
"'The Great Hunger' began in Ireland around the Fall of 1845, continued up to 1851, and ended in the deaths of an estimated one million Irish (or one out of every nine inhabitants).

To understand the Great Famine, one must realize the expanding population of early 1800's Ireland and the growing dependency on a single crop - the Potato.

The "white" potato, known today as the Irish potato, originated in the Andean Mountains. In 1532 the Spanish arrived in north Peru and it is speculated that they brought the potato to Europe in the second half of the 16th century. By 1800, the potato had taken root and ninety percent of the Irish population was dependent on the potato as their primary means of caloric intake and as an export.



In September of 1845, a fungus called Phytophthora infestans was infecting Ireland's potato crops, devastating the potato population. About half the Irish potato crop failed in 1845. This event is what began The Great Famine in Ireland.



The next year, 1846, the crop was destroyed again. By 1847 (Black '47) the impact of the famine spelled doom for Ireland. A large proportion of the population died from disease or starvation, while a great number of the people fled the country, largely occuring in a five year period between 1846 to 1851. This event is well noted as one of the greatest catastrophes of the 19th century."

http://www.rootsweb.com/~irlkik/ihm/ire1841.htm

J.M.
 
  A Fome e a Batata I
Acho que começo a perceber a enorme importância da batata....

"The end of war in Europe in 1815 had a drastic impact on the economy.

The war had led to a huge growth in tillage farming to supply the armies, and a dependence on the potato as a staple food.

When war ended there was a change from tillage to pasture, causing agrarian unemployment. Population increased rapidly and reached 8 million by 1841, two- thirds of whom depended on agriculture.

In this precarious agrarian economy the failure of the potato crop in 1845, due to blight, proved disastrous. The crop failed again in 1846, 1847 and 1848 and, coupled with severe weather, resulted in famine.

By 1851 the population had been reduced by at least 2 million due to starvation, disease and emigration to Britain and North America."

http://www.ireland-now.com/history/modern.html

J.M.
 
domingo, janeiro 11, 2004
  De Ulysses a Ulisses: Augusto de Campos (a primeira tradução de Ulysses para português-brasileiro)

1

43 anos depois do lançamento do Ulysses (1922), 38 anos depois da tradução alemã (1927), 36 depois da francesa (1929), 20 da argentina (1945) e 5 da italiana (1960), para só ficarmos nalguns dos idiomas mais conhecidos, chega afinal a vez do nosso Ulisses, ou seja, da versão brasileira do romance de James Joyce, graças ao trabalho intelectual de Antônio Houaiss e à iniciatica da Editora Civilização Brasileira.

Ulysses arriba a terras brasílicas com algum retardo, é de convir. Mas antes tarde, etc. Na verdade, fora dos arraiais de vanguarda, a crítica brasileira assim como a maioria dos nossos prosadores não demonstraram, nesses 40 anos, ter compreendido o significado da revolução operada por Joyce na prosa literária com Ulysses e Finnegans Wake. Sua área de interesses, em matéria de prosa criativa moderna, não vai além de Thomas Mann e Kafka, do romance pré-joyciano ou das ramificações menos radicais (Virginia Woolf, Faulkner, etc.). O Joyce de Ulysses e Finnegans Wake divide a história do romance em antes e depois. A. J., D. J., antes de Joyce, depois de Joyce. E, bem pesadas as coisas, talvez nem haja "depois"; talvez depois de Joyce, o romance já não deva ser romance, mas uma outra coisa, pois com Ulysses Joyce escreveu, na expressão de Harry Levin, "um romance para acabar com todos os romances", deixando todo prosador consciente, posterior a ele, num aparente e salutar "beco sem saída"... (...)

2

O motivo principal da excelência da tradução que António Houaiss fez de Ulysses reside, a meu ver, na sua radicalidade. Entre verter simplesmente "as idéias" do texto, aclimatando-as ao "gênio da língua portuguesa" e subverter o idioma para corresponder às invenções do original inglês, Houaiss optou por esta última alternativa. E o fez, por vezes, com mais arrojo que os seus mais conhecidos predecessores na tradução de Ulysses. Radical no seu empreendimento, Houaiss consegue, assim, em muitos passos, re-criar em português a criatividade do livro. E dizer isso, quando o criador é James Joyce, é dizer muito. Não posso concordar, portanto, com Otto Maria Carpeaux quando afirma que Antônio Houaiss "traduziu a obra para o português, ficando fiel ao gênio lingüístico de Joyce sem trair a língua portuguesa". Não. A essência revolucionária da obra de Joyce está precisamente na sua insubmissão ("non serviam") aos cânones lingüísticos. Desse "crime" de lesa-língua não há como pretender expurgá-la. Assim como será impossível ficar fiel ao espírito da obra sem transportar a sua insubordinação lingüística para o idioma em que se queira convertê-la. Insubordinação agravada, em nosso caso, por certas diversidades estruturais entre o inglês e o português. (...)

3

Contagiado pela paixão joyceana da composição de palavras, Antônio Houaiss, por vezes, toma a iniciativa de montar vocábulos à margem do texto. Simples palavras como "puzzling" ou "frowning" podem converter-se em "manimisturando" ou "frontipregueando". "Choked" se expande num "esganenganou-se". "Lines in her eyes" se adensa num "olhos congestriados". "He snapped the blade" pode relampaguear num sugestivo "ele estalidobrou a lâmina". Convencem menos as conversões sintéticas de compostos lexicalizados, como a de "sunlight" em "soliluz", "milkwhite" em "lactibrancos", "shortlived" em "curtiviva" pela falta de correspondente vivência semântica.

Eis alguns dos efeitos sonoros que Houaiss reproduz com felicidade e que passam mais ou menos em branco nas demais traduções:

Rima interna:
Joyce: "Dun for a nún."
Trad. francesa: "Bai pour les curés."
Trad. espanhola: "Pardo para una monja."
Trad. italiana: "Baio per le monache."
Houaiss: "Escura para um cura."

Aliterações:
Joyce: "Flapdoodle to feed fools in."
Trad. francesa: "De la viande creuse pour les imbéciles."
Trad. espanhola: "Estupideces para embaucar a los tontos."
Trad. italiana: "Datela a bere ai fessi."
Houaiss: "Baboseiras para embasbacar bobocas."

Joyce: "ruffle his fell of ferns."
Trad. francesa: "ébouriffer sa fourrure de fougères."
Trad. espanhola: "rizar el vello de los helechos."
Trad. italiana: "scompillare la sua pellicia di felci."
Houaiss: "frufrulhar seu feltro de fetos."

Neste último caso, só a francesa e a brasileira acompanham a tensão aliterativo-onomatopaica da frase. Nos anteriores, só a de Houaiss funciona totalmente, como neste outro exemplo, em que o tradutor brasileiro consegue uma perfeita equação fonética:

Joyce: "Neck or nothing."
Trad. francesa: "Le coût d'un cou."
Trad. espanhola: "Precio por cuello."
Trad. italiana: "Il collo o nulla."
Houaiss, lapidar: "Nuca ou nada." (...)

4

A "luta com as palavras", na tradução de um livro como Ulysses, é um permanente ganha-perde para o tradutor exigente. Perde-se um "round" para ganhar-se outro. Marca-se um tento, leva-se o troco. A tradução brasileira é, felizmente, uma partida ganha, ao cabo. Ganha por Houaiss, para nós, no tempo-recorde de um ano. Digo-o com verdadeira satisfação e sincero reconhecimento. Mas mesmo um excelente recordista como se revelou Houaiss, nessa sua primeira incursão criativa, tem seus momentos menos lúcidos, sofre seus "knock-downs" ou leva seus dribles, no memorável prélio, de que sai, afinal, vitorioso. (...)


in Panaroma do Finnegans Wake, Augusto e Haroldo de Campos. Publicado originalmente como uma série de artigos no Suplemento Literário de O Estado de São Paulo, 1966.


riverrun
 
  Oh...
"Oh Poldy, Poldy és um pobre pau espetado na lama! Vai ver a vida. Vai ver o vasto mundo."



Da Senhora Marion (satírica Molly) para um agitado Bloom, seu senhor.



Troti
 
  CIRCE /MUD POEMS Margaret Atwood
"It´s the animals I´m afraid of, they weren´t part of the bargain, in fact you didn´t mention them, they may transform themselves back into men. And I really immortal, does the sun care, when you leave would you give me back the words? Don´t evade, don´t pretend you won´t leave after all: you leave in the story and the story is ruthless."

Margaret Atwood
http://clem.mscd.edu/~holtzee/odyssey/circe.html






"My body...a dessert island...your body...marred by war': the female body as space and the male body as time"

in Margaret Atwood's 'Circe/Mud Poems' ".
http://online.northumbria.ac.uk/faculties/art/modern_languages/staff/massoura.htm





"Men with the heads of eagles
no longer interest me
or pig-men, or those who can fly
with the aid of wax and feathers

or those who take off their clothes
to reveal other clothes
or those with skins of blue leather

or those golden and flat as a coat of arms
or those with claws, the stuffed ones
with glass eyes; or those
hierarchic as greaves and steam-engines.

All these I could create, manufacture,
or find easily: they swoop and thunder
around this island, common as flies,
sparks flashing, bumping into each other,

on hot days you can watch them
as they melt, come apart,
fall into the ocean
like sick gulls, dethronements, plane crashes.

I search instead for the others,
the ones left over,
the ones who have escaped from these
mythologies with barely their lives;
they have real faces and hands, they think
of themselves as
wrong somehow, they would rather be trees."


http://lorenwebster.net/In_a_Dark_Time/archives/cat_margaret_atwood.html






"I made no choice
I decided nothing
One day you simply appeared in your stupid boat,
your killer’s hands, your disjointed body, jagged as a shipwreck,
skinny-ribbed, blue-eyed, scorched, thirsty, the usual,
pretending to be — what? a survivor?

Those who say they want nothing
want everything.
It was not this greed
that offended me, it was the lies.

Nevertheless I gave you
the food you demanded for the journey
you said you planned; but you planned no journey
and we both knew it.

You’ve fallen for that,
you made the right decision.
The trees bend in the wind, you eat, you rest,
you think of nothing,
your mind, you say,
is like your hands, vacant:

vacant is not innocent."



—Margaret Atwood (1974)
http://litmuse.maconstate.edu/~glucas/archives/000204.shtml





"Margaret Atwood's “Circe/Mud Poems” talk back to Homer's Odyssey and to the myths of Canada's indigenous peoples as well addressing the present, creating an ahistorical context for her lovers, Circe and Odysseus.
...
As the “Circe/Mud Poems” develop, Atwood raises the possibility of breaking the repetitive cycle of gender relations by having Circe seek to imagine new territory where individuals are responsible for their own mythologies."

http://emsah.uq.edu.au/journals/aumla/past/96.htm#8





Troti
 
  CIRCE
Circe

"...vitreamque Circen"


"Something of glass about her, of dead water,
Chills and holds us,
Far more fatal than painted flesh or the lodestone of live hair
This despair of crystal brilliance.
Narcissus' error
Enfolds and kills us--
Dazed with gazing on that unfertile beauty
Which is our own heart's thought.
Fled away to the beasts
One cannot stop thinking; Timon
Kept on finding gold.
In parrot-ridden forest or barren coast
A more importunate voice than bird or wave
Escutcheoned on the air with ice letters
Seeks and, of course, finds us
(Of course, being our echo).

Be brave, my ego, look into your glass
And realise that that never-to-be-touched
Vision is your mistress."


(August 1931)
The Original Poetical Works of Louis MacNeice
http://www.geocities.com/Athens/Troy/5187/lmworks.html





Described by Anthony Thwaite as 'one of the best poets of the century',[1] Louis MacNeice is the only Irish writer to become a professional classicist.[2] This fact has important consequences for MacNeice's treatment of Greek and Roman themes : he not only follows Yeats, Joyce, and others in appropriating these themes for his own purposes, but he also provides extensive comment on the Greco-Roman world as such, and on the methods used to teach about that world. So far as Greek and Roman material is concerned, MacNeice therefore exemplifies what he himself calls 'The drunkenness of things being various'.
http://www.ucd.ie/classics/2000/arkins.html




Troti
 
  CIRCE


"THIS the house of Circe, queen of charms,—
A kind of beacon-cauldron pois’d on high,
Hoop’d round with ember-clasping iron bars,
Sways in her palace porch, and smoulderingly
Drips out in blots of fire and ruddy stars: 5
But out behind that trembling furnace air
The lands are ripe and fair,
Hush are the hills and quiet to the eye.
The river’s reach goes by
With lamb and holy tower and squares of corn, 10
And shelving interspace
Of holly bush and thorn
And hamlets happy in an Alpine morn,
And deep-bower’d lanes with grace
Of woodbine newly born. 15

But inward o’er the hearth a torch-head stands
Inverted, slow green flames of fulvous hue,
Echoed in wave-like shadows over her.
A censer’s swing-chain set in her fair hands
Dances up wreaths of intertwisted blue 20
In clouds of fragrant frankincense and myrrh.
A giant tulip head and two pale leaves
Grew in the midmost of her chamber there.
A flaunting bloom, naked and undivine,
Rigid and bare, 25
Gaunt as a tawny bond-girl born to shame,
With freckled cheeks and splotch’d side serpentine,
A gipsy among flowers,
Unmeet for bed or bowers,
Virginal where pure-handed damsels sleep: 30
Let it not breathe a common air with them,
Lest when the night is deep,
And all things have their quiet in the moon,
Some birth of poison from its leaning stem
Waft in between their slumber-parted lips, 35
And they cry out or swoon,
Deeming some vampire sips
Where riper Love may come for nectar boon!

And near this tulip, rear’d across a loom,
Hung a fair web of tapestry half done, 40
Crowding with folds and fancies half the room:
Men eyed as gods, and damsels still as stone,
Pressing their brows alone,
In amethystine robes,
Or reaching at the polish’d orchard globes, 45
Or rubbing parted love-lips on their rind,
While the wind
Sows with sere apple-leaves their breast and hair.
And all the margin there
Was arabesqued and border’d intricate 50
With hairy spider things,
That catch and clamber,
And salamander in his dripping cave
Satanic ebon-amber;
Blind worm, and asp, and eft of cumbrous gait, 55
And toads who love rank grasses near a grave,
And the great goblin moth, who bears
Between his wings the ruin’d eyes of death;
And the enamell’d sails
Of butterflies, who watch the morning’s breath, 60
And many an emerald lizard with quick ears
Asleep in rocky dales;
And for outer fringe, embroider’d small,
A ring of many locusts, horny-coated,
A round of chirping tree-frogs merry-throated, 65
And sly, fat fishes sailing, watching all."

Lord De Tabley (John Byrne Leicester Warren) (b. 1835)





Troti
 
  Citações
STEPHEN
“O rito é o repouso do poeta.”


EDUARDO SÉTIMO
“Para dar vista aos cegos, deito-lhes poeira nos olhos.”


SHAKESPEARE
“Na sonora gargalhada trai-se a mente vazia.”



BLOOM
“As circunstâncias alteram os factos.”


VIRAG
“Do sublime ao ridículo só vai um passo.”





Troti
 
sábado, janeiro 10, 2004
  DELÍRIO...
Em “Circe” trava-se uma longa conversa. Joyce dá voz a todas as personagens que foram surgindo ao longo dos capítulos anteriores e deixa também entrar os interlocutores mais improváveis como UM AZEVINHO, O GRAMOFONE, O PROSPECTO, A CAVERNA DO SONO, AS LOJAS ORANGISTAS, A PIANOLA, e muitos outros. O facto é que todos têm alguma coisa para nos dizer. A conversa torna-se assim num carrilhão gigante em que a multiplicidade de sinos toca uma música vibrante e carregada de sentidos. É um autêntico delírio. Aqui ficam algumas das vozes inesperadas mas sempre oportunas.



AS CAMPAINHAS
Páraaí-páraaí-páraaí.


A CAMPAINHA
Bang, Bang, Bla, Brak, Blud, Blugg, Blu.


O SABONETE
Somos um óptimo casal, Bloom e eu.
Ele faz resplandecer a terra e eu limpo o céu.


AS GRINALDAS
Doces são os doces. Doçuras do pecado.


O RELÓGIO...
Cucu
Cucu
Cucu


OS SINOS
Volta,Leopold! Lord Mayor de Dublin!


A MÃO DE UM MORTO
(escreve na parede) Bloom é um bacalhau


AS FIVELAS
Bem me quer. Mal me quer.


A BÓINA
... Bah! É assim porque é assim. Razão de mulher. Judeigrego é gregojudeu. Os extremos tocam-se. A morte é a forma mais elevada de vida. Bah!


O JACTO DE GÀS
Puuah! Pfuiiiiiii!


A TRAÇA
Eu sou uma coisinha
Sempre a voar na Primavera
Sempre a voar em redor
Há muito que fui um rei
Agora é isto que faço
Com a minha asa, com a minha asa!
Bing!

( precipita-se contra o quebra-luz cor de malva, batendo as asas ruidosamente)

Lindas lindas lindas lindas lindas lindas lindassaias.
.

A MAÇANETA DA PORTA
Tiiii!


O LEQUE
(abanando depressa, depois lentamente) Casado, segundo vejo.
...
(semi-aberto, depois fechado) E a senhora é a dona. Governo de saias.


A PATA
Cheira a minha pele de cabra quente. Reconhece o meu real peso.


OS PECADOS DO PASSADO
(numa confusão de vozes) Fez uma espécie de casamento clandestino...Telefonou mentalmente mensagens indizíveis...Por palavras e actos encorajou francamente uma putéfia nocturna a depositar matérias fecais e outras...Em cinco urinóis públicos escreveu mensagens a lápis oferecendo a sua companheira nupcial a todos os machos bem fornidos de membro...


OS TEIXOS
(as folhas a murmurar)...Ssht!...Ssht!...Oiçam...Quem profanou a nossa silenciosa sombra?...E sobre a nossa virgem relva...


A NINFA
(brandamente) Mortal! (bondosamente) Não, não deves chorar!...
Sim. Tu levaste-me, emoldurada em carvalho e lantejoulas e puseste-me sobre o teu leito matrimonial. Às escondidas...beijaste-me em quatro sítios...
Por negras noites escutei os teus louvores...
Que coisas não vi eu nesse quarto?...Pior, pior!...
Oh, infâmia!...


A CATARATA
Poulaphouca Poulaphouca
Poulaphouca Poulaphouca...
Poucaphouca Poucaphouca...
Phillaphulla Poucalaphouca
Poulaphouca Poulaphouca


O ECO
Falso!


OS DIAS ALCIÓNEOS
...Hurra! (aplaudem)


O HESITANTE BOB( um vitelo de testa branca)
...Mim. Mim ver.


A CABRA
(a balir) Megegagege! Caaabraaa!


O MANEQUIM MúMIA
Bbbbbbllllllbbblblodschbg?


O BOTÃO
Pim!


AS HORAS
Podes tocar o meu...Oh, mas levemente.


AS PULSEIRAS
Ai ho! Ai ho!


O JACTO DE GÁS
Pfung!


O CÃO DE CAÇA
( a ladrar furiosamente) Ute ute ute ute ute ute ute....Bau baú baú.


O CAVALO
Cahaaaaaaasa! Cahaaaaaaaaasa!


Troti





 
sexta-feira, janeiro 09, 2004
  Rudy!
Olha, sem ver, os olhos de Bloom e continua a ler, beijando, sorrindo. Tem um rosto delicado cor de malva. Traz, no fato, botões de diamante e rubi. Na mão esquerda, livre, detém uma fina vara de marfim com um laço violeta. Um cordeirinho branco espreita do bolso do colete.
Ulisses nunca parece ter estado mais próximo de Ítaca...
nastenka-d
 
  CIRCE
Chegamos ao capítulo caleidoscópio. Circe é um carnaval de costumes, um carrossel de conteúdos, um corrupio de conceitos, um circo de choques, um ciclone de confrontos, um cartaz de chagas, um coro de contrastes, uma colecção de caricaturas, uma corrida de culpas, uma catarata de confissões. Joyce concebe o caudal, constrói o cerco, calcula a contenda e controla o compasso, capta-nos, convoca-nos, calca-nos. Contorcemo-nos com as cotoveladas e as chispas, os coices e as cacetadas, as charadas e as conjecturas, as cabriolas e o chinfrim. Joyce convidada-nos a contracenar com Bloom na coreografia da sua convulsão e a conviver com ele na cratera dos seus contornos. A corda da sua consciência, ao ceder, clarificou a comédia do seu carácter, consentiu o cerne da sua cognição e comprovou os contrastes da sua conduta. No choro das suas cicatrizes conhecemos o seu corpo e o seu coração, consideramos as curvas do seu caminho, conferimos o calibre da sua carne e da sua couraça. Congregamos o seu cálice e o seu caos. De confidência em confidência, a caravana da sua comoção e o círculo do seu código contribuem para a compreensão dos seus costumes e conduzem-nos à crueza do seu cativeiro clandestino. Cavaleiro em cena nos claustros da cogitação, careca, com uma coroa de cardos, ele é o caminheiro nos confins da sua cruz, cicerone carrasco do seu combate; cara a cara consigo, Bloom concretiza a sua cruzada na concha das suas crenças, na cambalhota da sua condição, na cristalização da sua crítica, na camuflagem das suas costuras.
Circe é uma chama, um clamor.
Circe é a catarse.



Troti
 
  Citação II
"O instinto é que governa o mundo. Na vida. Na morte."




Troti
 
  Citação I
"O homem justo cai sete vezes."




Troti
 
  LEOPOLD BLOOM
"Porque é que eu corri?
...
Sensação de cansaço. Já é demasiado para mim.
...
Escorreguei.
...
Mamã!
...
Molly!
...
Eu? Estás a sonhar. Nunca te vi.
...
Não diga o meu nome tão alto...Não me deite a perder.
...
Confesso que estou a morrer de curiosidade para saber...
...
Nunca lhe poderei perdoar.
...
Não atraiam as atenções.
...
... nem sempre nos podemos salvar.
...
Que absurdo que eu sou.
...
Estou a fazer bem aos outros.
...
Em paga das minhas penas só recebi insultos.
...
Estou a ser injustamente acusado....
...
Fiz tudo quanto um homem branco pode fazer.
...
Universidade da vida. A má arte.
...
Em tudo há um meio termo.
...
Posso dar as melhores referências.
...
Adoro o perigo.
...
(oferece a outra face)
...
Ouviram?
...
A humanidade é incorrigível.
...
Tudo prometo fazer.
...
Tudo está perdido.
...
A saudade torna o coração mais jovem.
...
Oh, como eu desejo ser mãe.
...
Respeitem o meu passado.
...
Não choreis por mim.
...
Estou arruinado.
...
Sou muito desagradável
...
Sim, em parte, extraviei-me..
...
Estou exausto, abandonado, já não sou jovem.
...
Prometo nunca desobedecer.
...
Só provei as coisas dela duas vezes, por graça...
...
... eu costumava molhar-me muitas vezes...
...
Perdoa! Molly...
...
A minha força de vontade!...Pequei!
...
Eu era precoce...o demónio possuiu-me...
...
Não havia rapariga que quisesse...Feio demais...
...
Oh, fui um perfeito porco.
...
Vão brincar com outro, mas não comigo.
...
Não sou um hélice de três pás.
...
Maldito cão que eu encontrei.
...
Assim farei, senhor.
...
Perdoam-se os lapsos.
...
Bem preciso do ar da montanha.
...
Está tudo bem.
...
Vamos para casa."




Troti
 
quinta-feira, janeiro 08, 2004
  Os Beijos
«(a chilrear) Leo! (a pipilar) Gordinhos, lambidos, meiguinhos, quentinhos para Leo! (a arrulhar) Cucu cucu! Ium ium! Uomuom! (a gorjear) Grande, um dos grandes! Pirueta! Leopopold! (a pipilar) Oh, Leo!

(Roçam por ele, esvoaçam sobre a sua roupa, leves, brilhantes levianos salpicos, sequins de prata.)


Leitora
 
  O Leque
«(fechado contra a cintura dela) Sou eu com quem tu ela sonhaste antes? Era então ela ele tu nós que depois nos conhecemos? Sou todos eles e o mesmo eu agora?»


Com um leque assim, imaginem o Bloom!


Leitora
 
  Carrossel
Sublime neste capítulo é a alternância entre as cenas de divertimento, ligeiras e carnavalescas, e as mais pesadas e melancólicas; bem como a subtileza da passagem de um registo ao outro., como se estivéssemos em cima de um carrossel... Foi assim com Bloom (o julgamento e a entronização, seguida de nova queda); e é assim com Stephen. Mas, como em tudo o que o rodeia, o tom é aqui mais dramático... O baile que havia começado pára repentinamente para que surja, macilenta e degradada, a sua mãe.
Diz-me a palavra, mãe, se já a sabes. A palavra que todos os homens conhecem. Pela última vez Stephen recorre à mãe; mas esta não sabe, não pode, não quer responder-lhe.
Stephen está finalmente só. Terminou o seu luto.
nastenka-d
 
 
Impossível não evocar Virginia Woolf (de novo!) e o seu Orlando aquando da transformação de Bloom em mulher. Quanto às diferenças entre uma e outra transformação, destaco a delicadeza em Orlando, por oposição á crueza (diferente de crueldade ou grosseria) em Ulisses. Mas aqui a metamorfose funda-se no episódio de Circe, a deusa que seduzia os homens, acabando por os transformar em porcos...
nastenka-d
 
  Circe VIII
Bloom, o homem mais engraçado do mundo.

Bloom, o ídolo das mulheres.

Bloom, o Messias.

Bloom e a sua batata, uma relíquia da pobre mamã.

J.M.
 
quarta-feira, janeiro 07, 2004
  Circe VII
Ele não é professor, médico ou cientista, como tanto gostaria.

Ele, o wandering jew, o deslocado, o injuriado, o rejeitado, gostaria de ser... arrojado...influente...competente...bem sucedido. Quem não gostaria?

Amigo de Deus e do Diabo, bem amado entre os nacionalistas ingleses e os nacionalistas irlandeses. Uma raposa livre num galinheiro livre.

A nova Bloomusalem, justiça e sabedoria. A sua palavra é ouvida, as suas acções contribuem para o bem-estar geral. Tudo prometo fazer.

(assombrado, chama inaudivelmente) Rudy!


J.M.
 
  Circe VI
Masturbação. Feio demais. Culpado.

As recordações da sua primeira experiência sexual.

A empregada de quem ele abusou. Culpado.

É um bem conhecido cornudo. Fracassou como marido, um estranho na sua própria casa. Molly e Boylan, terrífica visão.

Faz xixi sentado. Oh, como eu desejo ser mãe, dar à luz um macho.

Fêmea exuberante. Desejo enormemente o teu domínio. Seviciado, humilhado, insultado, submetido a todos os vexames. E gosta. O seu secreto desejo de vestir a pele da mulher dominada. A tendência masoquista e outras mais. Devorador de .....

J.M.
 
  Circe V
Os erros do passado e as fraquezas do presente vão-se sucedendo.

É apupado pela multidão, é atacado por um júri. É aplaudido pela multidão, é admirado por um júri. Do sublime ao ridículo só vai um passo.

J.M.
 
  O leque
Pensei que a alucinação não seria capaz de atingir um patamar mais carnavalesco do que aquando da entronização de Bloom, ainda durante as suas deambulações por Malbot Street. Mas a noite reservava-me ainda algumas surpresas, a menor das quais não será a aparição de Henry Flower; nem a de Simon Dedalus, personificando um cardeal, o que me faz crer que as alucinações de Stephen e de Bloom coexistem, talvez se misturem até... Perguntar-me-ia mesmo se não seria eu a criá-las. E encontrei, no diálogo de Bloom com o Leque (para quem não acompanha a leitura de Ulisses: não, não enlouqueci!), mais uma daquelas belas passagens que recompensam qualquer esforço de leitura:
Fêmea exuberante. Desejo enormemente o teu domínio. Estou exausto, abandonado, já não sou jovem. Estou, por assim dizer, com uma carta por expedir, com o selo regulamentar da taxa extra, diante da caixa postal da última hora. Correio geral da vida humana.
nastenka-d
 

O QUE ESTAMOS A LER

(este blogue está temporariamente inactivo)

PROXIMAS LEITURAS

(este blogue está temporariamente inactivo)

LEITURAS NO ARQUIVO

"ULISSES", de James Joyce (17 de Julho de 2003 a 7 de Fevereiro de 2004)

"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

"AS ONDAS", de Virginia Woolf (13 a 20 de Outubro de 2003)

"AS HORAS", de Michael Cunningham (27 a 30 de Outubro de 2003)

"A CIDADE E AS SERRAS", de Eça de Queirós (30 de Outubro a 2 de Novembro de 2003)

"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

"PEQUENO TRATADO SOBRE AS ILUSÕES", de Paulinho Assunção (22 a 28 de Dezembro de 2003)

"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. IV - Sodoma e Gomorra)", de Marcel Proust (1 a 30 de Setembro de 2004)

"UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES" e outros, de Clarice Lispector (1 a 31 de Outubro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. V - A Prisioneira)", de Marcel Proust (1 a 30 de Novembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", de José Saramago (1 a 21 de Dezembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ", de José Saramago (21 a 31 de Dezembro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VI - A Fugitiva)", de Marcel Proust (1 a 31 de Janeiro de 2005)

"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

"A GRANDE ARTE", de Rubem Fonseca (1 a 30 de Abril de 2005)

"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2005)

UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

"RICARDO III" e "HAMLET", de William Shakespeare (1 a 31 de Janeiro de 2006)

"SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE" e "PALOMAR", de Italo Calvino (1 a 28 de Fevereiro de 2006)

"OTELO" e "MACBETH", de William Shakespeare (1 a 31 de Março de 2006)

"VALE ABRAÃO", de Agustina Bessa-Luis (1 a 30 de Abril de 2006)

"O REI LEAR" e "TEMPESTADE", de William Shakespeare (1 a 31 de Maio de 2006)

"MEMÓRIAS DE ADRIANO", de Marguerite Yourcenar (1 a 30 de Junho de 2006)

"ILÍADA", de Homero (1 a 31 de Julho de 2006)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2006)

POESIA DE ALBERTO CAEIRO (1 a 30 de Setembro de 2006)

"O ALEPH", de Jorge Luis Borges (1 a 31 de Outubro de 2006) (link)

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS (1 a 30 de Novembro de 2006)

"DOM CASMURRO", de Machado de Assis (1 a 31 de Dezembro de 2006)(link)

POESIA DE RICARDO REIS E DE FERNANDO PESSOA (1 a 31 de Janeiro de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 28 de Fevereiro de 2007)

"O VERMELHO E O NEGRO" e "A CARTUXA DE PARMA", de Stendhal (1 a 31 de Março de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 30 de Abril de 2007)

"A RELÍQUIA", de Eça de Queirós (1 a 31 de Maio de 2007)

"CÂNDIDO", de Voltaire (1 a 30 de Junho de 2007)

"MOBY DICK", de Herman Melville (1 a 31 de Julho de 2007)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2007)

"PARAÍSO PERDIDO", de John Milton (1 a 30 de Setembro de 2007)

"AS FLORES DO MAL", de Charles Baudelaire (1 a 31 de Outubro de 2007)

"O NOME DA ROSA", de Umberto Eco (1 a 30 de Novembro de 2007)

POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (1 a 31 de Dezembro de 2007)

"MERIDIANO DE SANGUE", de Cormac McCarthy (1 a 31 de Janeiro de 2008)

"METAMORFOSES", de Ovídio (1 a 29 de Fevereiro de 2008)

POESIA DE AL BERTO (1 a 31 de Março de 2008)

"O MANUAL DOS INQUISIDORES", de António Lobo Antunes (1 a 30 de Abril de 2008)

SERMÕES DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA (1 a 31 de Maio de 2008)

"MAU TEMPO NO CANAL", de Vitorino Nemésio (1 a 30 de Junho de 2008)

"CHORA, TERRA BEM-AMADA", de Alan Paton (1 a 31 de Julho de 2008)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2008)

"MENSAGEM", de Fernando Pessoa (1 a 30 de Setembro de 2008)

"LAVOURA ARCAICA" e "UM COPO DE CÓLERA" de Raduan Nassar (1 a 31 de Outubro de 2008)

POESIA de Sophia de Mello Breyner Andresen (1 a 30 de Novembro de 2008)

"FOME", de Knut Hamsun (1 a 31 de Dezembro de 2008)

"DIÁRIO 1941-1943", de Etty Hillesum (1 a 31 de Janeiro de 2009)

"NA PATAGÓNIA", de Bruce Chatwin (1 a 28 de Fevereiro de 2009)

"O DEUS DAS MOSCAS", de William Golding (1 a 31 de Março de 2009)

"O CÉU É DOS VIOLENTOS", de Flannery O´Connor (1 a 15 de Abril de 2009)

"O NÓ DO PROBLEMA", de Graham Greene (16 a 30 de Abril de 2009)

"APARIÇÃO", de Vergílio Ferreira (1 a 31 de Maio de 2009)

"AS VINHAS DA IRA", de John Steinbeck (1 a 30 de Junho de 2009)

"DEBAIXO DO VULCÃO", de Malcolm Lowry (1 a 31 de Julho de 2009)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2009)

POEMAS E CONTOS, de Edgar Allan Poe (1 a 30 de Setembro de 2009)

"POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA", de Harper Lee (1 a 31 de Outubro de 2009)

"A ORIGEM DAS ESPÉCIES", de Charles Darwin (1 a 30 de Novembro de 2009)

Primeira Viagem Temática BLOOMSDAY 2004

Primeira Saí­da de Campo TORMES 2004

Primeira Tertúlia Casa de 3 2005

Segundo Aniversário LP

Os nossos marcadores

ARQUIVO
07/01/2003 - 08/01/2003 / 08/01/2003 - 09/01/2003 / 09/01/2003 - 10/01/2003 / 10/01/2003 - 11/01/2003 / 11/01/2003 - 12/01/2003 / 12/01/2003 - 01/01/2004 / 01/01/2004 - 02/01/2004 / 02/01/2004 - 03/01/2004 / 03/01/2004 - 04/01/2004 / 04/01/2004 - 05/01/2004 / 05/01/2004 - 06/01/2004 / 06/01/2004 - 07/01/2004 / 07/01/2004 - 08/01/2004 / 08/01/2004 - 09/01/2004 / 09/01/2004 - 10/01/2004 / 10/01/2004 - 11/01/2004 / 11/01/2004 - 12/01/2004 / 12/01/2004 - 01/01/2005 / 01/01/2005 - 02/01/2005 / 02/01/2005 - 03/01/2005 / 03/01/2005 - 04/01/2005 / 04/01/2005 - 05/01/2005 / 05/01/2005 - 06/01/2005 / 06/01/2005 - 07/01/2005 / 07/01/2005 - 08/01/2005 / 08/01/2005 - 09/01/2005 / 09/01/2005 - 10/01/2005 / 10/01/2005 - 11/01/2005 / 11/01/2005 - 12/01/2005 / 12/01/2005 - 01/01/2006 / 01/01/2006 - 02/01/2006 / 02/01/2006 - 03/01/2006 / 03/01/2006 - 04/01/2006 / 04/01/2006 - 05/01/2006 / 05/01/2006 - 06/01/2006 / 06/01/2006 - 07/01/2006 / 07/01/2006 - 08/01/2006 / 08/01/2006 - 09/01/2006 / 09/01/2006 - 10/01/2006 / 10/01/2006 - 11/01/2006 / 11/01/2006 - 12/01/2006 / 12/01/2006 - 01/01/2007 / 01/01/2007 - 02/01/2007 / 02/01/2007 - 03/01/2007 / 03/01/2007 - 04/01/2007 / 04/01/2007 - 05/01/2007 / 05/01/2007 - 06/01/2007 / 06/01/2007 - 07/01/2007 / 07/01/2007 - 08/01/2007 / 08/01/2007 - 09/01/2007 / 09/01/2007 - 10/01/2007 / 10/01/2007 - 11/01/2007 / 11/01/2007 - 12/01/2007 / 12/01/2007 - 01/01/2008 / 01/01/2008 - 02/01/2008 / 02/01/2008 - 03/01/2008 / 03/01/2008 - 04/01/2008 / 04/01/2008 - 05/01/2008 / 05/01/2008 - 06/01/2008 / 06/01/2008 - 07/01/2008 / 07/01/2008 - 08/01/2008 / 08/01/2008 - 09/01/2008 / 09/01/2008 - 10/01/2008 / 10/01/2008 - 11/01/2008 / 11/01/2008 - 12/01/2008 / 12/01/2008 - 01/01/2009 / 01/01/2009 - 02/01/2009 / 02/01/2009 - 03/01/2009 / 03/01/2009 - 04/01/2009 / 04/01/2009 - 05/01/2009 / 05/01/2009 - 06/01/2009 / 06/01/2009 - 07/01/2009 / 07/01/2009 - 08/01/2009 / 08/01/2009 - 09/01/2009 / 09/01/2009 - 10/01/2009 / 10/01/2009 - 11/01/2009 / 11/01/2009 - 12/01/2009 / 03/01/2010 - 04/01/2010 / 04/01/2010 - 05/01/2010 / 07/01/2010 - 08/01/2010 / 08/01/2010 - 09/01/2010 / 09/01/2010 - 10/01/2010 / 05/01/2012 - 06/01/2012 /


Powered by Blogger

Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!