Leitura Partilhada
quarta-feira, novembro 30, 2005
 
Para escrever é preciso ser livre. (Os Tarahumaras, pag. 121)


leitora
 
  "A QUESTÃO QUE SE COLOCA..."


"O que é grave
é sabermos
que atrás da ordem deste mundo
existe uma outra
Que outra?

Não o sabemos.

O número e a ordem de suposições possíveis
neste campo
é precisamente
o infinito!

E o que é o infinito?

Não o sabemos com certeza.

...
"

Antonin Artaud

http://www.palcoinsanio.hpg.ig.com.br/julgamento.htm

Troti
 
 
DEO ENDOVELLICO, PRAESENTISSIMI AC PRAESTANTISSIMI NUMINIS
(Deus Endovélico, génio aqui presente e muito prestativo)

Sabeis caros leitores quem eram Serápis, Trebaruna, Nabia, Endovélico, Bormanico, Bandonga, Atégina, Turiacus, Tongoenabiagos ...?
Ao calcorrear o campo devido a minha actividade, aprendi a descortinar em companhia de gente muito sábia (um abraço aos filhos predilectos de Orlando Ribeiro) algum dos seus sinais nas rochas.
Parece que já todos advínhamos; são os nosso deuses da época pré-cristã que representavam o amor, a guerra, o nascimento, a medicina, o ódio, as águas minerais, o prazer carnal, as colheitas...
De todos estes, o mais impressionante era o Deus Endóvélico, talvez na Lusitania o deus dos Deuses (representava a medicina, a segurança, a paz, o milagre) e era ao mesmo tempo um deus solar e subterrâneo e um deus masculino e feminino.
Eu sou completamente destituído de fé, seco como uma palha no pico do calor, de qualquer ingerência divina, mas quando fui ao Santuário do Endovélico (Outeiro de São Miguel da Mota-Alandroal) quase que me converti à religião de Orlando Ribeiro.
Era Abril de 1997, um dia belíssimo, e andava a trabalhar para a Universidade de Aveiro e aproveitei para fazer uma visita turística ao local.
Depois de vasculhar umas rochas (pedras?), sentei-me cansado, a observar e a ler a vasta planície verde, imensa, linear e infinita; vieram-me as lágrimas aos olhos, enquanto estivesse vivo a sabedoria seria um dos meus pilares e como é fácil descobrir a sua porta e finalmente abri-la... e pouco interessava aquilo que sabia.
Em meditação fui sacudido por um ligeiro abanão, seria o vento, seria uma estrutura tectónica a reactivar-se, seria... fiquei aterrado e desci a colina rapidamente.
Quando voltar ao Santuário, enviarei uma piscadela de olho a Orlando Ribeiro e a J. Leite de Vasconcelos e farei companhia a Heliogabalo, aos sacerdotes Tarahumaras, e obviamente estarei de braço dado com Antonin Artaud e terei Peytol; e juntos faremos um ritual ao culto solar.

Nota 1: Visitem com urgência a Fraga de Panóias (Vila Real).
Nota 2: Visitem o Museu Nacional de Arqueologia e peçam para ver o espólio do Endovélico e ficareis abismados.
Nota 3: Peço a Bormanico (o deus das águas termais ) um bom ano de 2006.
Alguém me pode dar indicações sobre este Deus (locais, imagens, escritos...) ?
Nota 4:Tenho uma fotografia para colocar aqui, gostava de mudar de letra, colocar o post em Novembro, não tenho acesso aos comentários, mas depois de eu estar doente...adoeçeu o meu computador.

Castela
 
 
No mês em que percorremos a loucura, mais um texto que nos faz pensar:

"Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época, sem começarmos por definir a loucura.
Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão, enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir como se estivessem loucas e acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?
As pessoas ficam assim quando não chegam a criar uma relação funcional e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que eles dão para a loucura que eles encontram no mundo."

Edward Bond

http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=63

Gabriel
 
terça-feira, novembro 29, 2005
 

Autorretrato de 1947

« Moi je réponds que nous sommes tous en état épouvantable d'hypotension,
nous n'avons pas un atome à perdre sans risquer d'en revenir immédiatement au squelette, alors que la vie est une incroyable prolifération, l'atome éclos en pond un autre, lequel en fait immédiatement éclater un autre.
Le corps humain est un champ de guerre où il serait bon que nous revenions.
C'est maintenant le néant, maintenant la mort, maintenant la putréfaction, maintenant la résurrection
attendre je ne sais pas quelle apocalypse d'au-delà,
l'éclatement de quel au-delà pour se décider à reprendre les choses est une crapuleuse plaisanterie.
C'est maintenant qu'il faut reprendre vie. »


"Œuvres"
Antonin ARTAUD

Troti
 
segunda-feira, novembro 28, 2005
  Janela



leitora
 
  Carta Aberta
Abandonai as cavernas do ser. Vinde o espírito se revigora fora do espírito. Já é hora de deixar vossas moradas.

Cedei ao Omni-Pensamento. O Maravilhoso está na raiz do espírito. Nós estamos dentro do espírito, no interior da cabeça. Idéias, lógica, ordem, Verdade (com V maiúscula), Razão: tudo isso oferecemos ao nada da morte. Cuidado com vossas lógicas, senhores, cuidado com vossas lógicas; não imaginais, até onde pode nos levar nosso ódio à lógica.

A vida, em sua fisionomia chamada real, só se pode determinar mediante um afastamento da vida, mediante uma suspensão imposta ao espírito; porém a realidade não está aí. Não venham pois, enfastiar em espírito a nós que apontamos para certa realidade supra-real, a nós que há muito tempo não nos consideramos do presente e somos para nós como nossas sombras reais.

Aquele que nos julga ainda não nasceu para o espírito, para este espírito a que nos referimos e que está, para nós, fora do que vós chamais espírito. Não chamem demasiado nossa atenção para as cadeias que nos unem à imbecilidade petrificante do espírito. Nós apanhamos uma nova besta.

Os céus respondem a nossa atitude de absurdo insensato. O hábito que tendes todos vós de dar às costas às perguntas não impedirá que os céus se abram no dia estabelecido, e que uma nova linguagem se instale no meio de vossas imbecis transações. Queremos dizer: das transações imbecis de vossos pensamentos.

Existem signos no Pensamento. Nossa atitude de absurdo e de morte é da maior receptividade. Através das fendas de uma realidade em frente não viável, fala um mundo voluntariamente sibilino.


Antonin Artaud
http://www.dhnet.org.br/desejos/textos/artaud/artaud5.htm


Troti
 
domingo, novembro 27, 2005
  Serra


leitora
 
sábado, novembro 26, 2005
  conceitos: imagem inabitada, imagem povoada

Não acredito na imaginação absoluta, quero dizer aquela que faz qualquer coisa de nada, não há imagem mental que não pareça membro cortado de uma imagem agida e vivida em qualquer lado. (Os Tarahumaras, pag. 106)
leitora
 
  Casa



leitora
 
sexta-feira, novembro 25, 2005
  Crianças





leitora
 
 
Na montanha tarahumara tudo fala apenas do Essencial, quer dizer, dos princípios pelos quais se formou a Natureza; e tudo vive apenas por tais princípios: os Homens, as tempestades, o vento, o silêncio, o sol. (Os Tarahumaras, pag. 68)

leitora
 
quinta-feira, novembro 24, 2005
  Imagem serra tarahumara




leitora
 
  Riobaldo? Nonada
Deserto.
deSertão.

Sertão, ai Sertão, Grande Sertão: Veredas.

Vizi, eu Riobaldo? Nonada.

"Sufoquei numa estrangulação de dó.
Ela rezava rezas da Bahia. Mandou todo mundo sair. Eu fiquei. E a mulher abanou
brandamente a cabeça, consoante deu um
suspiro simples. Ela me mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo e
disse...
Diadorim - nú de tudo. E ela disse:
- 'A Deus dada. Pobrezinha...'
Diadorim era mulher como o sol não ascende a água do rio Urucuia, como eu
solucei meu desespero."
Grande Sertão: Veredas
Gimarães Rosa



Vizi
***
 
  notas biográficas


Chega, chega e torna a chegar deste traumatismo castigo.
Cada aplicação de electrochoques me deixou mergulhado num terror de várias horas. E sempre que eu via aproximar-se outra sessão não podia furtar-me ao desespero, por não ignorar que iria uma vez mais perder a consciência e ver-me um dia inteiro sufocado no meio de mim próprio sem conseguir reconhecer-me, sabendo muito bem que estava num sítio qualquer mas só o diabo podia dizer qual, e como morto.
(Os Tarahumaras, pag. 31)


leitora
 
quarta-feira, novembro 23, 2005
  começar assim
OS TARAHUMARAS

“Como eu já disse” (pag. 11)


Parece-me bem, parece-me muito bem.



leitora
 
 
O sexo está presente intensamente nesta obra, mas apenas traduz uma realidade histórica. A importância desta actividade nunca me deixa de surpreender; e desde as primeiras formas de arquitectura no nosso território, francamente sexuais e sepulcrais (dólmens e menires) até à actualidade (veja-se a Internet) ele está por todo o lado e sempre deturpado. Pobre sexo, tão incompreendido!
A transcendência do acto sexual, foi imensamente utilizado por todas as religiões, louvando-o (principalmente as pré-monotéistas) ou tendo-o por inimigo (as monoteístas).
A evolução e o auge orgástico remete-nos para, a imaterialidade do ser, a unidade, o prazer, o auto-conheciemento e o afecto por outrem; será uma (i)materialização do éden?
Mas também pode acarretar loucura, crime, dor, traição, maldade, vazio e morte que nos coloca na antecâmara do inferno; não foi isto o que aconteceu a Heliogobalo?

Castela
 
terça-feira, novembro 22, 2005
  anarquias

Os princípios só valem para o espírito que pensa, e quando pensa; fora do espírito que pensa, um princípio reduz-se a nada. (Heliogabalo, pag. 62)
leitora
 
 

O Amor, que é uma força, não existe sem a Vontade. Não se ama sem a vontade, a qual passa pela consciência. (Heliogabalo, pag. 56)

Ah, alguma vez tínhamos de estar de acordo. Apesar de eu achar, novamente, que esta é apenas uma das alternativas de olhar a realidade.


leitora
 
 
Julia Mamoea, a cristã

Até à instalação das grandes religiões monoteístas, proliferava toda uma miríade de cultos religiosos, qual deles o mais bizarro; estes envolviam a necessidade de ultrapassar a morte, explicar o mundo e melhorar as condições de vida individuais e colectivas da humanidade.
O culto solar anárquico de Heliogabalo (que não passa de um jovem), intenso e coerente, é já uma tentativa monoteísta de ordenar o império romano, através do caos e do sexo e subordina-lo ao culto de Emesa.
Esta tentativa não resultou, porque Júlia Mamoea, a cristã, não o permitiu. No entanto Heliogabalo e Mamoea eram aliados, em campos opostos, na luta contra o politeísmo vigente.
Era o advento de uma nova era, em que a mensagem moral e ética do Crucificado, começava a germinar.
Castela
 
segunda-feira, novembro 21, 2005
 
Porque o alienado também é um homem que a sociedade não quis ouvir e quis impedir de formular verdades insuportáveis. (Pag. 10 - fiquei tão contente por poder participar com a mesma edição!)

"Um pássaro na gaiola durante a primavera sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom, sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será? Ele não se lembra muito bem. Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo: "Os outros fazem seus ninhos, têm seus filhotes e criam a ninhada", e então bate com a cabeça nas grades da gaiola. E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor.
"Vejam que vagabundo", diz um outro pássaro que passa, "esse aí é um tipo de aposentado". No entanto, o prisioneiro vive, e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo, ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios de sol. Mas vem a época da migração. Acesso de melancolia - "mas" dizem as crianças que o criam na gaiola, "afinal ele tem tudo o que precisa". E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade. "Estou preso, estou preso e não me falta nada, imbecis. Tenho tudo o que preciso. Ah! por bondade, liberdade! ser um pássaro como outros."
Aquele homem vagabundo assemelha-se a este pássaro vagabundo...
E os homens ficam freqüentemente impossibilitados de fazer algo, prisioneiros de não sei que prisão horrível, muito horrível.
Há, também, eu sei, a libertação, a libertação tardia. Uma reputação arruinada com ou sem razão, a penúria, a fatalidade das circunstâncias, o infortúnio, fazem prisioneiros.
Nem sempre sabemos dizer o que é que nos encerra, o que é que nos cerca, o que é que parece nos enterrar, mas no entanto sentimos não sei que barras, que grades, que muros.
Será tudo isto imaginação, fantasia
? Não creio; e então nos perguntamos: meu Deus, será por muito tempo, será para sempre, será para a eternidade?
Você sabe o que faz desaparecer a prisão. É toda afeição séria, profunda. Ser amigos, ser imãos, amar, isto abre a porta da prisão por poder soberano, como um encanto muito poderoso. Mas aquele que não tem isto permanece na morte.
Mas onde renasce a simpatia, renasce a vida.
Além disso, às vezes a prisão se chama preconceito, mal-entendido, ignorância, falta disto ou daquilo, desconfiança, falsa vergonha."
Van Gogh em carta para Théo (Julho de 1880)

Tem-se aqui o Van Gogh preso pelas convenções, com vontade de ser útil, em busca de comunhão com seu irmão. Um Vincent querendo se libertar, alçar seus vôos de corvo.

"Quanto a nós, é preciso cuidar para não ficarmos doentes, pois, se adoecêssemos, estaríamos mais isolados, por exemplo, que o pobre zelador que acaba de morrer; estas pessoas têm um ambiente e vêem o vaivém doméstico e vivem na ignorância. Mas nós estamos aí, sós com os nossos pensamentos, e às vezes gostaríamos de ser ignorantes. Dado o físico que temos, precisamos viver com os companheiros.
(...)
Sabe que eu acho que uma associação de impressionistas seria um negócio no gênero da associação dos doze pré-rafaelitas ingleses, e acho que ela poderia nascer. E que então sou levado a crer que os artistas garantiriam reciprocamente sua própria existência, independentemente dos marchands, resignando-se cada um a doar um número considerável de quadros à sociedade, e os lucros assim como as perdas sendo comuns.
Não acredito que esta sociedade durasse indefinidamente, mas creio que enquanto ela estivesse viva, viveríamos com mais ânimo e produziríamos.
Prefiro as coisas tais como são, tomá-las como são sem mudar nada, a reformá-las pela metade.
A grande revolução: a arte aos artistas, meu Deus, talvez seja uma utopia e então tanto pior.
Acho que a vida é curta e passa tão rápido; ora, sendo pintor é preciso portanto pintar".
(6 de junho de 1888)

Vincent buscou sempre essa comunhão que o faria libertar-se da jaula, fosse com o irmão, com Gauguin, com a tão sonhada associação de pintores.

"Tinha razão, Van Gogh, podemos viver para o infinito, satisfazer-nos apenas com o infinito, na terra e nas esferas há infinito bastante para saciar mil grandes gênios, e se Van Gogh não pôde satisfazer o seu desejo, que era irradiá-lo durante toda a vida, foi porque a sociedade lho proibiu.
Redonda e conscientemente proibiu.
(...)
Porque não foi à força de procurar o infinito que Van Gogh morreu, se viu obrigado a sufocar de miséria e asfixia, foi à força de ver que ele lhe era recusado pela turba de quantos acreditavam, mesmo na altura em que foi vivo, que podiam contra ele e o infinito". (Pag.51)

Ou como cantou Don McLean:
Starry starry night,
paint your palette blue and grey
Look out on a summers day
with eyes that know the darkness in my soul
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodills
Catch the breeze and the winter chills
in colors on the snowy linen land

Now I understand
What you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen
They did not know how
Perhaps they'll listen now

Starry Starry Night,
Flaming flowers that brightly blaze
Swirling clouds in violet haze
reflect in Vincents eyes of china blue.
Colors changing hue.
Morning fields of amber grain,
Weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artists loving hand

For they could not love you,
but still your love was true
and when no hope was left in sight
on that Starry,Starry night
you took your life as lovers often do.
But I could've told you Vincent,
this world was never meant for one as beautiful as you

Starry ,Starry Night,
Portraits hung in empty halls.
Frameless heads on nameless walls,
with eyes that watch the world and cant forget.
Like the strangers that you've met.
The ragged men in ragged clothes.
The silver thorn of bloody rose
lie crushed and broken on the virgin snow

Now I think I know
what you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen.
They're not listening still
perhaps they never will.

Gabriel

 
domingo, novembro 20, 2005
 


O Teatro da Crueldade
Antonin Artaud

Troti
 
 

Ter o sentido da unidade profunda das coisas é ter o sentido da anarquia – e o esforço a fazer para reduzir as coisas levando-as à unidade. (Heliogabalo, pag. 47)

O oposto é igualmente viável e verdadeiro. É meramente uma questão de perspectiva.



leitora
 
 
Este livro não é apenas excêntrico e demencial; é também inovador, denso, rico, reflexivo e histórico.
Estou realmente surpreendido. Nota máxima?
Assim se compreendem as razões do desmoronamento do império romano. Tudo se revela nestes imperadores pérfidos, verdadeiros monstros enlouquecidos em constante autofagismo. Na dinastia dos Severos, dos 6 imperadores, cinco foram assassinados brutalmente. Heliogabálo foi apenas um deles, sendo o mais monstruoso, o provável Pai de Heliogobálo- o temido Carcalla.
Nietzsche, provavelmente não tinha razão, ao atribuir a causa da ruína do império ao aparecimento da seita católica. E eu que sempre fui crédulo no filósofo Alemão.
Estou completamente efervescente ao escrever este “post”.
Caros leitores (onde incluo os do nosso querido clube), quem quiser entender a irracionalidade monstruosa do poder e as razões obscuras da alma humana que a sustentam, têm aqui um espantoso livro.
Castela
 
sábado, novembro 19, 2005
 

Todos os que triunfam ou dão que falar têm, eles também, algo de único; e os que, como Heliogabalo, conseguem ofuscar a História, decerto detêm qualidades que poderiam ter modificado o mundo, se as circunstâncias os tivessem favorecido. (Heliogabalo, pag. 46)

Esta ideia pode ser terrivelmente assustadora...


leitora
 
sexta-feira, novembro 18, 2005
 
Não julgo o resultado como a História pode julgá-lo; esta anarquia, esta libertinagem divertem-me, sob o ponto de vista da História e sob o ponto de vista de Heliogabalo (Heliogabalo, pag. 19)

Esta investigação é um divertimento. Um estranho divertimento...

leitora
 
  Resposta
Pequeno intervalo no impressionante Heliogabalo.
Tal como Van Gogh, Antero de Quental foi um génio enlouquecido pela Piscose Maníaca-Depressiva, que o impediu de atingir maiores cumes literários. Lembram-se de Dom Quixote? Actualmente, se os doentes forem conscienciosos, a doença é facilmente controlável; todos os dias estão por aqui (amigos, colegas, filhos, companheiros…). Artaud sofria de outra patologia, actualmente ainda muito grave.
E agora como resposta a Learce, utilizo o meu (o nosso) “Antero”.


DESPONDENCY
Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade...
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram...

Deixá-la ir, a vela que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul se levantaram...

Deixá-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa...

Deixá-la ir, a nota desprendida
Dum canto extremo... e a última esperança...
E a vida... e o amor... deixá-la ir, a vida!

Antero de Quental
Castela
 
quinta-feira, novembro 17, 2005
  Heliogabalo, a personagem historica
Elagabalus or Heliogabalus (c. 203–March 11, 222), born Varius Avitus Bassus and also known as Varius Avitus Bassianus Marcus Aurelius Antoninus, was a Roman emperor of the Severan dynasty who reigned from 218 to 222. Elagabalus was and is one of the most controversial Roman emperors. During his reign he showed a disregard for Roman religious traditions and sexual taboos. Elagabalus' name is a Latinized form of the Semitic deity El-Gabal, a manifestation of the Semitic deity Ēl. He replaced Jupiter, head of the Roman pantheon, with a new god, Deus Sol Invictus, which in Latin means "the Sun, God Unconquered". Elagabalus forced leading members of Rome's government to participate in religious rites celebrating Sol invictus which he personally led.

He also took a Vestal Virgin as one of a succession of wives and openly flaunted that his sexual interest in men was more than the pastime of previous emperors.

Elagabalus developed a reputation among his contemporaries for eccentricity, decadence, and zealotry which was likely exaggerated by his successors. This black propaganda was passed on and as such he was one of the most reviled Roman emperors to early Christian historians and later became a hero to the Decadent movement of the late 19th century.

(para ler a continuacao)

Fonte: Wikipedia
.
Joana
 
  oriente - ocidente

somos nós, nós, gentes do Ocidente, os dignos filhos dessa mãe estúpida, porque, aos nossos olhos, somos nós os únicos civilizados, e tudo o mais, que é a medida da nossa universal ignorância, se identifica com a barbárie. (Heliogabalo, pag. 16)

O Oriente, longe de transmitir as suas doenças e o seu mal-estar, permitiu que não se perdesse a Tradição. Os princípios não se inventam, não se descobrem, conservam-se, comunicam-se. (Heliogabalo, pag. 16)


leitora
 
quarta-feira, novembro 16, 2005
  Nós
Se Van Gogh é um grito contra a Cultura Ocidental do séc. XX (a cultura estabelecida, normalizada), contra os seus discursos e instrumentos repressivos, nomeadamente os psiquiátricos que Artaud e Van Gogh sentiram na pele, Heliogabalo é um retorno às origens mais sagradas do Ocidente, recuando a um momento histórico em que já se agravavam os sintomas que conduziram um império à decadência.


Do ponto de vista geográfico, continuava activa a franja de barbárie que limitava o chamado Império de Roma, e no Império de Roma há que meter a Grécia, que foi quem inventou historicamente a ideia de barbárie. E deste ponto de vista somos nós, nós, gentes do Ocidente, os dignos filhos dessa mãe estúpida, porque, aos nossos olhos, somos nós os únicos civilizados, e tudo o mais, que é a medida da nossa universal ignorância, se identifica com a barbárie.

in Heliogabalo ou O Anarquista Coroado (p. 16)

riverrun
 
 
Heliogabalo



leitora
 
terça-feira, novembro 15, 2005
  Artaud actor


Artaud como monge no filme de Carl Dreyer,
A Paixão de Joana D'Arc (1928)

Filmografia de Artaud


riverrun
 
 
"...a humanidade não quer dar-se ao trabalho de viver, de entrar nessa coabitação natural das forças que formam a realidade para tirar daí um corpo que já nenhuma tempestade conseguirá penetrar.
Sempre gostou mais de se contentar muito simplesmente em existir.

...

Quem não cheira a bomba assada e vertigem comprimida não é digno de estar vivo.
Foi o ditame que o pobre van Gogh em acesso de chama fez questão de manifestar.
(p.44/45)

Troti
 
segunda-feira, novembro 14, 2005
  Quanto Vale o Leitura Partilhada?
http://blogshares.com/blogs.php?blog=http://leiturapartilhada.blogspot.com%2F
.
Joana
 
 
Para relembrar as leituras de Maio e Junho: Dom Quijote.

http://www.atalantafilmes.pt/2005/domquixote/


Elsita

 
 
11 de Setembro 1891

Porque Antero de Quental andou ostensivamente por esses caminhos que estamos a percorrer aqui no blogue ao longo deste mês.


Antero de Quental

São Miguel está, como quase sempre, sob uma espessa camada de nuvens. Azorian torpor é como os ingleses chamam a esta atmosfera opressiva, obsidiante, que não só atormenta o corpo como parece infiltrar-se e assediar a mente.




Metendo pela Rua de S. Brás, encaminha-se a passos lentos para o Campo de São Francisco, uma ampla praça pública de Ponta Delgada. Aí, senta-se num banco, junto do muro do convento da Esperança.. Nesse muro, por cima do banco, um dístico em pedra lavrada mostra a palavra esperança sobreposta a uma âncora. Antero sorri. Esperança e uma âncora que o segurem à vida, eis precisamente o que lhe falta.
Fonte


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental

...
laerce
 
 
"As suas paisagens são velhos pecados que ainda não reencontraram os seus primitivos apocalipses, mas não deixarão de fazê-lo.
Por que hão-de as pinturas de Van Gogh dar-me assim a sensação de serem vistas como quew do outro lado do t~umulo de um mundo onde os seus sói terão sido, no fim de contas, tudo quanto rodou e iluminou alegremente?
Pois o que vive e morre nas suas paisagens convulsionárias e nas suas flores não será a história inteira daquilo a que um dia se chamou a alma?"
(p.43)

Toti
 
 
Será este o rosto intranquilo, amargurado e psicologicamente contraditório, o causador da morte de Vicent? Artaud tinha razão?
O quadro é belíssimo e capta todo o psiquismo do Dr. Gachet... e a resposta parece-me óbvia.

"Encontrei no Dr. Gachet um verdadeiro amigo, qualquer coisa como um outro irmão, tanto nos parecemos física como mentalmente.
Também ele é um homem muito nervoso e bastante estranho no seu comportamenot; tem mostrado simpatia com os artistas da nova escola e tem-nos ajudado tanto quanto pode.
Pintei o seu retrato outro dia, e vou também pintar um retrato da filha dele que tem 19 anos. Perdeu a mulher há alguns anos, o que muito contribuiu para o tornar num homem despedaçado...
Assim , o retrato do Dr. Gachet mostra uma cara cor de tijolo sobreaquecido e queimado pelo sol, com cabelo arruivado e um boné branco, rodeado por um cenário rústico e um fundo de montes azuis; as roupas são de um azul ultramarino- o que realça a cara e a torna mais pálida, apesar do facto der cor de tijolo.
As mãos, são as mão de um obstreta, são mais pálidas do que a cara. À frente dele, em cima de uma mesa vermelha de jardim, estão livros amarelos e dedaleiras de um tom roxo sombrio".
Carta para a irmã (1ª metade de Junho de 1890)

Castela
 
domingo, novembro 13, 2005
 
"A luz tempestuosa da pintura de van Gogh começa as suas recitações sombrias no próprio instante em que deixamos de vê-la."
(p.40)

Troti
 
 
“Com efeito, o rosto humano transporta uma espécie de morte perpétua no rosto”.
Artaud a propósito do auto-retrato com chapéu de feltro (p.78).

Ontem passei algum tempo a procurar a morte no meu rosto e encontrei-a; depois procurei nos retratos dos meus íntimos e ela lá estava serena, e se em alguns casos ela é evidente, noutros está bem submersa; a espera do erro, do acaso e do tempo...e então sentei-me angustiado e perdido, a olhar para a face dos Meus Amores.

Castela
 
sábado, novembro 12, 2005
 
"...Van Gogh terá sido, realmente, o mais autêntico pintor entre todos os pintores, o único que não quis ultrapassar a pintura como meio estrito da sua obra, e quadro estrito dos seus meios.
E por poutro lado o único, absolutamente o único, que ultrapassou completamente a pintura, o acto inerte de representar a natureza para fazer jorrar, nessa representação exclusva da natureza, uma força rodopiante, um elemento arrancado em pleno coração.
Sob a representação fez brotar uma atmosfera, e fechado dentro dela um nervo, que não existem na natureza, que são de natureza e atmosfera mais verdadeiras do que a atmosfera e o nervo da natureza verdadeira."
(p.39)

Troti
 
  Off Topic
Boa tarde a todos os participantes da Leitura Partilhada.
Queria apenas deixar uma mensagem a agradecer o convite da leitora para me juntar a vós.
Obrigada e boas leituras!
Elsita
 
sexta-feira, novembro 11, 2005
  Invocação à múmia
Estas ravinas de osso e de pele
por onde começas as trevas
do absoluto, e a pintura desta boca
que fechas como uma cortina

E o ouro que te desliza em sonho
a vida que te despoja de ossos,
e as flores deste olhar falso
por onde reencontras a luz

Múmia, e estas mãos de fusos
para remexer nas tuas entranhas,
estas mãos onde a sombra espantosa
toma o aspecto de um pássaro

Tudo isso de que a morte se orna
como de um rito aleatório,
esta conversa de sombras, e o ouro
onde bóiam as negras entranhas

Por aí é que eu te alcanço,
ardida senda das veias, e o ouro
é como a minha dor
o testemunho certo e pior

Poema de Artaud mudado para português por Herberto Helder (Doze Nós Numa Corda)

riverrun
 
 
Depois de Van Gogh não descreverei, portanto, um quadro de Van Gogh mas direi que Van Gogh é pintor porque voltou a congregar a natureza, como que a retranspirou e fez suar, fê-la espirrar em feixes nas telas, em molhos como monumentais de cores, a secular trituração de elementos, a assustardora pressão elementar de apóstrofes, estrias, vírgulas, traços cujos correspondentes naturais já não se pode acreditar, depois dele, que estejam por fazer.
...
Um plantio de trigo ao vento oblíquo, que tem por cima as asas de um único pássaro em vírgula pousado, que pintor não estritamente pintor poderia ter tido, como van Gogh, a audácia de se atirar a tema de uma tão desarmante simplicidade?
...
E não conheço pintura apocalíptica, hieroglífica, fantasmagórica ou patética que me dê, a mim, esta estrangulada sensação de oculto...
...
(p.35/37)

Troti
 
quinta-feira, novembro 10, 2005
  Maldita psicologia
Para Foucault, depois de Artaud, não são mais as obras dos loucos e malditos que precisam justificar-se diante da psicologia, mas a psicologia, questionada, posta contra a parede, é que precisa justificar-se diante de tais obras.

in Revista de Cultura, Cláudio Willer

riverrun
 
 
"Descrever um quadro de van Gogh, para quê?! Nenhuma descrição que outro tente poderá valer o simples alinhamento de objectos naturais e matizes a que o próprio Van Gogh se entrega,
tão grande escritor como grande pintor e que dá, a propósito da obra descrita, a impressão da mais estonteante autenticidade
."
(p.32)

Troti
 
quarta-feira, novembro 09, 2005
  O Suicídio É Uma Solução?
Não, o suicídio ainda é uma hipótese. Quero ter o direito de duvidar do suicídio assim como de todo o restante da realidade.

(...)

O suicídio nada mais é que a conquista fabulosa e remota dos homens bem-pensantes, mas o estado propriamente dito do suicídio me é incompreensível. O suicídio de um neurastênico não tem qualquer valor de representação, mas sim o estado de espírito de um homem que efetivamente tiver determinado seu suicídio, suas circunstâncias materiais e o momento do seu desfecho maravilhoso.

(...)

Tolero terrivelmente mal a vida. Não existe estado que eu possa atingir. E certamente já morri faz tempo, já me suicidei. Me suicidaram, quero dizer. Mas que achariam de um suicídio anterior, de um suicídio que nos fizesse dar a volta, porém para o outro lado da existência não para o lado da morte? Só este teria valor para mim. Não sinto o apetite da morte, sinto o apetite de não ser, de jamais ter caído neste torvelinho de imbecilidades, de abdicações, de renúncias e de encontros obtusos que é o eu de Antonin Artaud, bem mais frágil que ele.


in La Révolution Surréaliste (1925)

riverrun
 
 
"Nunca ninguém escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu, inventou, sem ser para sair realmente do inferno."
(p.31)

Troti
 
 
Não há fantasmas nos quadros de Van Gogh, nem visões, nem alucinações.
Há a verdade tórrida de um sol das duas da tarde.
Um lento pesadelo genésico a pouco e pouco elucidado.
Sem pesadelo e sem efeito.
Mas lá se encontra o sofrimento ante-nascido.
(Pag. 36)



leitora
 
terça-feira, novembro 08, 2005
 
Na França, nos anos 20, dadaístas e surrealistas contestam os valores estabelecidos. Apontam como seu precursor Alfred Jarry, que, no fim do século XIX, criou as farsas ligadas ao personagem absurdo do Pai Ubu. Antonin Artaud é o principal teórico desse movimento.





Confesso que Artaud é um autor incómodo. Creio que será sempre. Penso que nunca passará de um círculo reduzido de entendidos em arte e literatura com as teorias todas preto no branco, Tudo muito bem catalogado, época, estilo, ideias, dialéctica, ética, imagética, estética e tudo mais que acharmos necessário dizer para que continue no seu nicho, endeusado ou desprezado pelo conteúdo da sua vida e da sua obra.

E, no entanto, não o podemos ignorar, nós que temos da leitura a fruição estética e a partilha de temas pertinentes para a compreensão do homem e da sociedade, não podemos esquecer a loucura que perpassa em tanta coisa que vemos e que Artaud revela com a sensibilidade peculiar de um artista/ ser humano muito, mas mesmo muito, para além do ‘ politicamente correcto’.
...
laerce


 
  Angústia
Há um mal contra o qual o ópio é soberano e chama-se Angústia, na sua forma mental, clínica, fisiológica, lógica ou farmacêutica, como quiserdes.

A Angústia que faz os loucos.
A Angústia que faz os suicidas.
A Angústia que faz os danados.
A Angústia que a medicina ignora.
A Angústia que o médico não escuta.
A Angústia que lesa a vida.
A Angústia que laqueia o cordão umbilical da vida.

in Carta de Antonin Artaud contra as restrições na venda do ópio (1925)

riverrun
 
 
"O que Van Gogh mais prezava no mundo era a sua ideia de pintor, a sua terrível ideia fanática, apocalíptica, de iluminado.
...
o apocalipse, um apocalipse consumado, neste momento está a incubar nas telas do velho Van Gogh martirizado, e aterra precisa dele para escoicinhar com cabeça e pés."
(p.30/31)

Troti
 
 


Porque a realidade é terrivelmente superior a qualquer história, qualquer fábula, qualquer divindade, qualquer surrealidade.
Basta haver génio de saber interpretá-la.
(Pag. 23)



leitora
 
segunda-feira, novembro 07, 2005
  "Somos hoje o que éramos ontem"
"Às vezes é bom ir ao fundo e freqüentar os homens, e às vezes somos até obrigados e chamados a isto, mas aquele que prefere permanecer só e tranqüilo em sua obra, e não quer ter mais que uns poucos amigos, é quem circula com maior segurança entre os homens e no mundo. É preciso não se fiar jamais no fato de viver sem dificuldades ou sem preocupações ou obstáculos de qualquer natureza, mas não se deve procurar ter uma vida muito fácil. E mesmo nos ambientes cultos e nas melhores sociedades e circunstâncias favoráveis, é preciso conservar algo do caráter original de um Robinson Crusoé ou de um homem da natureza, jamais deixar extinguir-se a chama interior, e sim cultivá-la. E aquele que continua a guardar a pobreza e que a preza, possui um grande tesouro e ouvirá sempre com clareza a voz de sua consciência; aquele que escuta e segue esta voz interior, que é o melhor dom de Deus, acabará por encontrar nela um amigo e jamais estará só..."

Van Gogh, em carta para seu irmão Théo

Gabriel
 
  Não há coincidências
Reconhece-se em ambos a sua genialidade e loucura. Ambos foram também malditos, marginalizados e incompreendidos durante as suas vidas. Hoje são ícones culturais, discutidos nas universidades e nas escolas de arte, arrematados nas leiloeiras e estampados em t-shirts.



Auto-retratos de Van Gogh (1889) e Artaud (1947),
ambos no último ano das suas vidas.

riverrun
 
 
"Há dias em que o coração sofre tão terrívelmente o beco sem saída, que apanha como uma pancada de cana na cabeça, a ideia de já não conseguir passar."
(p.30)

Troti
 
  sois embriagados
Daquele que em vida fez girar tantos sóis embriagados sobre tantas medas saídas do exílio. (Pag. 21)



lindo.


leitora
 
domingo, novembro 06, 2005
  Artaud vs. Sociedade
Tudo o que eu pretendo afirmar por agora é que havia delírio, delírio crónico, e que esse delírio punha Artaud violentamente anti-social, perigoso para a ordem pública e para a segurança das pessoas. Voluntariamente repito os lugares-comuns da lei e do hábito, que a sociedade chamou a si para sua defesa própria, e legítima defesa.

(...)

Evitarei pois ter aqui uma discussão relacionada com o valor da sismoterapia e o eventual papel de algumas sessões de electrochoques no caso Artaud. Vejo-me contudo obrigado a meter o ferro onde ninguém até hoje se atreveu: os electrochoques são rigorosamente indolores - contrariando afirmações de repórteres e romancistas com manias.

in Eu Tratei Antonin Artaud, Gaston Ferdière (director do manicómio de Rodez)

riverrun
 
 
"Também sou como o pobre Van Gogh, já não penso mas dirijo cada vez de mais perto formidáveis ebulições internas, e só faltava que uma medicina medíocre viesse repreender-me por me cansar."
(p.28)

Troti
 
 
Porque até ali ninguém tinha, como ele, feito da terra aquele trapo sujo a escorrer vinho e ensopado com sangue. (Pag. 21)

Esta é uma imagem que eu nunca tinha alcançado. Mesmo assim não sei se consigo. Demasiado cru. Mas acho que Artaud tem razão...


leitora
 
sábado, novembro 05, 2005
  Lúcidos ou loucos?
Um rigoroso diagnóstico psiquiátrico não tem dúvidas em considerar Artaud um maníaco-depressivo, um esquizofrénico, um louco tal como Van Gogh.

Em 1925, Artaud escreve para a revista La Révolution Surréaliste uma Carta aos Médicos-chefes dos Manicômios em que diz o seguinte:

A repressão dos atos anti-sociais é tão ilusória quanto inaceitável no seu fundamento. Todos os atos individuais são anti-sociais. Os loucos são as vítimas individuais por excelência da ditadura social; em nome dessa individualidade intrínseca ao homem, exigimos que sejam soltos esses encarcerados da sensibilidade, pois não está ao alcance das leis prender todos os homens que pensam e agem.

Sem insistir no caráter perfeitamente genial das manifestações de certos loucos, na medida da nossa capacidade de avaliá-las, afirmamos a legitimidade absoluta da sua concepção de realidade e de todos os atos que dela decorrem.


in Escritos de Antonin Artaud, 1983, trad. Cláudio Willer

riverrun
 
 
"...Van Gogh era destas naturezas com uma lucidez superior que em qualquer circunstância lhes permite ver mais longe, infinita e perigosamente mais longe do que o real imediato e aparente dos factos.
Quero dizer dessa consciência que a consciência tem por costume manter vigiada.
No fundo dos seus olhos como que pelados de carrasco, Van Gogh entregava-se, incansável, a uma destas operações de alquimia soturna que tomaram a natureza como objecto e o corpo humano como marmita ou cadinho."
...
É que Van Gogh tinha atingido o estado do iluminismo em que o pensamento em desordem reflui perante as descargas invasoras
e em que pensar deixou de ser gastar-nos,
e deixou de ser,

e em que só resta juntar corpos, quero dizer
EMPILHAR CORPOS."

(p.27)

Troti
 
  fronteiras

E o que é alienado autêntico?
É um homem que preferiu ficar doido, no sentido em que socialmente o entendemos, a envergonhar uma certa ideia superior de honra humana.
(Pag. 12)

leitora
 
sexta-feira, novembro 04, 2005
 
"Van Gogh pensava que temos de saber deduzir o mito das coisas mais terra-a-terra da vida."
(p.23)

Troti
 
  Inferno
Nunca ninguém escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu, inventou, sem ser para sair realmente do inferno.

(p. 31)

Sem dúvida o traço mais aparente do que se convencionou chamar de obra de Artaud – na verdade um fluxo incandescente de energia, inteligência e sensibilidade atualizado em formas literárias mistas – é a necessidade de “sair do inferno”. Mais do que a intenção de comunicar, o movimento incessante de seus textos indica uma tentativa exasperada de auto-expressão.

in Linguagem e vida (prefácio), Sílvia Fernandes e J. Guinsburg

riverrun
 
  terminal

Van Gogh não era doido mas as suas pinturas eram foguetes incendiários, bombas atómicas cujo ângulo de visão, ao lado de todas as outras pinturas que na época faziam estragos, foi capaz de perturbar com gravidade o conformismo larvar da burguesia Segundo Império e dos esbirros de Thiers, Gambetta e Félix Faure, tal como os de Napoleão III (pag. 10)


(Quando Artaud visita a exposição de Van Gogh no L’Orangerie tinha acabado de sair de um longo internamento em asilos psiquiátricos e após lhe ter sido diagnosticada uma doença terminal. Deram-lhe três meses de vida.)
leitora
 
  Artaud fotografado por Man Ray (1926)


riverrun
 
quinta-feira, novembro 03, 2005
  Dupla inclassificável
A Van Gogh nem lhe coube a prateleira dos impressionistas nem a dos expressionistas. Também Artaud sempre foi difícil de categorizar. Entre o dadaísmo e o surrealismo, do qual se afastou e acabou por trilhar o seu próprio caminho, Artaud preferiu ser um génio solitário, tal como Van Gogh. A viagem surrealista não o poderia levar onde pretendia chegar: a um estado pré-linguagem, antes da palavra, antes dos deuses, antes do homem, antes de tudo.

Se Artaud é difícil de classificar também o são os seus textos, como é o caso de Van Gogh, um híbrido entre o ensaio poético e a biografia ficcional.

riverrun
 
 
"...há desfiles giratórios constelados por tufos de plantas de carmim, caminhos escavados que um teixo remata, sóis violáceos a rodar sobre medas de trigo de ouro puro...
para lembrar de que simplicidade sórdida de objectos, pessoas, materiais, elementos,
Van Gogh extraiu estas espécies de canto de orgão, estes fogos-de-artifício, estas epifanias atmosféricas...

...

e o drama fica iluminado."

(p.20/22)


Paul Gauguin's Armchair
Arles,Dec 1888

Troti
 
  Artaud fotografado por Man Ray (1921)


riverrun
 
quarta-feira, novembro 02, 2005
  Psiquiatria da crueldade (antes, durante e depois)

A angústia de Artaud não o levou à automutilação, como Van Gogh que cortou a sua própria orelha, mas os anos que passou em asilos psiquiátricos deixaram-lhe marcas no corpo. Também o ópio, sobre o qual escreveu e que lhe foi inicialmente receitado por um médico para aliviar as dores, lhe terá degradado a saúde. Os electrochoques que lhe administraram para supostos efeitos terapêuticos causaram-lhe a queda dos dentes. O sofrimento e a tortura por que passou ficaram-lhe vincados no rosto.

riverrun
 
 
"PORQUE É LOGICA ANATÓMICA DO HOMEM MODERNO SÓ CONSEGUIR VIVER, OU PENSAR EM VIVER, COMO UM POSSESSSO."
(p.16)

Troti
 
  Não posso morrer, nem viver

A matar-me não será no intuito de destruir-me, mas sim para me reconstruir, o suicídio será para mim unicamente um meio de me reconquistar pela violência, de fazer uma irrupção à bruta no meu ser, de ganhar a pouco segura vantagem de Deus.

(...)

Não posso morrer, nem viver, nem sequer desejar morrer ou viver. E todos os homens são como eu.

in O Suicídio (1925)

riverrun

 
 

Wheatfield with Crows, Julho de 1890 Oil on Canvas, 50.5 X 103 cm Van Gogh Museum, Amsterdam(Vincent van Gogh Foundation
Retirado do site:
www.communitas.princeton.edu/blogs/writingart4

Vincent escreveu ao irmão sobre as pinturas com campos de trigo que executou em Auvers.
“Com isso procuro deliberadamente expressar o sentimento de tristeza e extrema solidão que há nelas”.

Corvos muito pretos que fogem em revoada ao mais pequeno estrépito, o céu matizado de mil azuis carregados de turbulência que deveriam ser cinzentos; e um caminho no campo de trigo, que divaga no horizonte e se estende até à eternidade.

Quem sou eu? Quem és tu? Porque sofres tanto? Dispara no peito, é dia 27 de Julho de 1890.

Quem te suicidou?
- Artaud aponta para a sociedade, que se serve e utiliza o Dr. Gachet e a jovem psiquiatria. Antonin é enquanto escreve... Vincent.
- A demência bibolar é temível..., especialmente em 1890!
- Ou então foi aquele caminho tão tentador...para o abismo e aqueles corvos a sussurrarem...”não temas, não temas...” .
- ...................................................................................

Castela
 
terça-feira, novembro 01, 2005
 
"Van Gogh não morreu de um estado de delírio seu
mas por ter sido corporalmente campo de um problema à volta do qual se debate desde as origens o espírito iníquo desta humanidade.
O da predominância da carne sobre o espírito, ou do corpo sobre a carne, ou do espírito sobre um e outra.
E neste delírio onde fica o lugar do eu humano?
Durante toda a vida Van Gogh procurou o seu com energia e determinação estranhas,
não se suicidou num ataque de loucura, no transe de lá não chegar,
pelo contrário, acabava de lá chegar e descobrir o que era e quem era quando a consciência geral da sociedade, como castigo de ele se ter extirpado dela,
o suicidou."

(p.15)

O problema do eu humano e da sua autonomia será sempre um desafio.

Troti
 
  Auto-retrato (1915)


riverrun
 
  Moi, Antonin Artaud, je suis mon fils, mon père, ma mère et moi.
in Ci-gît (1947)

riverrun
 
 


"POST SCRIPTUM"

Qui suis-je?
D'où je viens?
Je suis Antonin Artaud
et que je le dise
comme je sais le dire
immédiatement
vous verrez mon corps actuel
voler en éclats
et se ramasser
sous dix mille aspects
notoires
un corps neuf
où vous ne pourrez
plus jamais
m'oublier.



http://www.antoninartaud.org/

Troti
 
  Nota preparatória de uma viagem ao inferno
Durante este mês vamos fazer uma viagem delirante pelo universo alucinado e agreste de Antonin Artaud. Nesse itinerário incluem-se destinos como o México indígena, a Roma imperial ou os quadros de Van Gogh. É por aí que vamos começar, pelo fim. Van Gogh foi escrito em Rodez, no último dos doze anos que Artaud permaneceu internado em asilos psiquiátricos. Artaud viria a morrer um ano mais tarde, em 1948.

riverrun
 

O QUE ESTAMOS A LER

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LEITURAS NO ARQUIVO

"ULISSES", de James Joyce (17 de Julho de 2003 a 7 de Fevereiro de 2004)

"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

"AS ONDAS", de Virginia Woolf (13 a 20 de Outubro de 2003)

"AS HORAS", de Michael Cunningham (27 a 30 de Outubro de 2003)

"A CIDADE E AS SERRAS", de Eça de Queirós (30 de Outubro a 2 de Novembro de 2003)

"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

"PEQUENO TRATADO SOBRE AS ILUSÕES", de Paulinho Assunção (22 a 28 de Dezembro de 2003)

"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. IV - Sodoma e Gomorra)", de Marcel Proust (1 a 30 de Setembro de 2004)

"UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES" e outros, de Clarice Lispector (1 a 31 de Outubro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. V - A Prisioneira)", de Marcel Proust (1 a 30 de Novembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", de José Saramago (1 a 21 de Dezembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ", de José Saramago (21 a 31 de Dezembro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VI - A Fugitiva)", de Marcel Proust (1 a 31 de Janeiro de 2005)

"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

"A GRANDE ARTE", de Rubem Fonseca (1 a 30 de Abril de 2005)

"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2005)

UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

"RICARDO III" e "HAMLET", de William Shakespeare (1 a 31 de Janeiro de 2006)

"SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE" e "PALOMAR", de Italo Calvino (1 a 28 de Fevereiro de 2006)

"OTELO" e "MACBETH", de William Shakespeare (1 a 31 de Março de 2006)

"VALE ABRAÃO", de Agustina Bessa-Luis (1 a 30 de Abril de 2006)

"O REI LEAR" e "TEMPESTADE", de William Shakespeare (1 a 31 de Maio de 2006)

"MEMÓRIAS DE ADRIANO", de Marguerite Yourcenar (1 a 30 de Junho de 2006)

"ILÍADA", de Homero (1 a 31 de Julho de 2006)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2006)

POESIA DE ALBERTO CAEIRO (1 a 30 de Setembro de 2006)

"O ALEPH", de Jorge Luis Borges (1 a 31 de Outubro de 2006) (link)

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS (1 a 30 de Novembro de 2006)

"DOM CASMURRO", de Machado de Assis (1 a 31 de Dezembro de 2006)(link)

POESIA DE RICARDO REIS E DE FERNANDO PESSOA (1 a 31 de Janeiro de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 28 de Fevereiro de 2007)

"O VERMELHO E O NEGRO" e "A CARTUXA DE PARMA", de Stendhal (1 a 31 de Março de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 30 de Abril de 2007)

"A RELÍQUIA", de Eça de Queirós (1 a 31 de Maio de 2007)

"CÂNDIDO", de Voltaire (1 a 30 de Junho de 2007)

"MOBY DICK", de Herman Melville (1 a 31 de Julho de 2007)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2007)

"PARAÍSO PERDIDO", de John Milton (1 a 30 de Setembro de 2007)

"AS FLORES DO MAL", de Charles Baudelaire (1 a 31 de Outubro de 2007)

"O NOME DA ROSA", de Umberto Eco (1 a 30 de Novembro de 2007)

POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (1 a 31 de Dezembro de 2007)

"MERIDIANO DE SANGUE", de Cormac McCarthy (1 a 31 de Janeiro de 2008)

"METAMORFOSES", de Ovídio (1 a 29 de Fevereiro de 2008)

POESIA DE AL BERTO (1 a 31 de Março de 2008)

"O MANUAL DOS INQUISIDORES", de António Lobo Antunes (1 a 30 de Abril de 2008)

SERMÕES DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA (1 a 31 de Maio de 2008)

"MAU TEMPO NO CANAL", de Vitorino Nemésio (1 a 30 de Junho de 2008)

"CHORA, TERRA BEM-AMADA", de Alan Paton (1 a 31 de Julho de 2008)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2008)

"MENSAGEM", de Fernando Pessoa (1 a 30 de Setembro de 2008)

"LAVOURA ARCAICA" e "UM COPO DE CÓLERA" de Raduan Nassar (1 a 31 de Outubro de 2008)

POESIA de Sophia de Mello Breyner Andresen (1 a 30 de Novembro de 2008)

"FOME", de Knut Hamsun (1 a 31 de Dezembro de 2008)

"DIÁRIO 1941-1943", de Etty Hillesum (1 a 31 de Janeiro de 2009)

"NA PATAGÓNIA", de Bruce Chatwin (1 a 28 de Fevereiro de 2009)

"O DEUS DAS MOSCAS", de William Golding (1 a 31 de Março de 2009)

"O CÉU É DOS VIOLENTOS", de Flannery O´Connor (1 a 15 de Abril de 2009)

"O NÓ DO PROBLEMA", de Graham Greene (16 a 30 de Abril de 2009)

"APARIÇÃO", de Vergílio Ferreira (1 a 31 de Maio de 2009)

"AS VINHAS DA IRA", de John Steinbeck (1 a 30 de Junho de 2009)

"DEBAIXO DO VULCÃO", de Malcolm Lowry (1 a 31 de Julho de 2009)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2009)

POEMAS E CONTOS, de Edgar Allan Poe (1 a 30 de Setembro de 2009)

"POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA", de Harper Lee (1 a 31 de Outubro de 2009)

"A ORIGEM DAS ESPÉCIES", de Charles Darwin (1 a 30 de Novembro de 2009)

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