Leitura Partilhada
quinta-feira, junho 26, 2008
  O canal, as correntes que nos arrastam
A leitura deste livro dá-nos uma visão da vida, da cultura, da sociedade, nas ilhas açorianas, no princípio do seculo XX. É um romance que nos conta como uma jovem Margarida Dulmo Clark, filha de famílias importantes do Faial, os Dulmo e os Clark, tem que fazer as escolhas e decisões para o seu futuro e resolver a sua vida sentimental. A sua ambição maior era tornar-se uma mulher independente, ir para Londres com o seu Tio Robert Clark. A relação com João Garcia o seu pretendente e apaixonado, parece tornar-se impossível devido às rivalidades entre as familias Dulmo e Garcia. Essa perspectiva de relacionamento com João, também parece não interessar Margarida pois provoca-lhe muitas incertezas, muitas dúvidas de como iría ser a sua vida. Há um certa atitude de desistência desse "amor", porque está à espera de um futuro melhor , de se tornar uma mulher independente. Mas as correntes dos canais entre as ilhas vão arrastar a vida de Margarida ao longo do Faial, do Pico, e de São Jorge.
Não vou revelar o fim do romance, mas a parte final é muito gira , e "prende" quem está a ler a uma grande curiosidade pelo desfecho do livro.
Vale bem a pena ler "Mau tempo no canal" de Nemésio. É muito bom conhecer as diferentes personagens da cidade da Horta, as vidas dos pescadores da ilha do Pico com o seu dialecto (que tem que ser lido com sotaque açoriano), e também a passagem de Margarida na ilha de São Jorge.

baia da cidade da Horta



Chegado o tempo de Verão, este livro deixa uma grande vontade de partir para as ilhas dos açores, e conhecer de perto esta parte do nosso país. Não apenas pelas paisagens de postal ilustrado, não só pela natureza verdejante e pela preservação das ilhas, mas pela vontade de contactar as pessoas e sua cultura, que encontramos tão bem descritos neste romance de Nemésio.

Como estive há pouco tempo com açorianos e com outras pessoas que estavam a falar dos açores, deixo-vos aqui dois comentários que ouvi e que mostram como existe um certo mistério e uma atração por estas ilhas.
"Para se dizer que conhecemos Portugal , é preciso ir conhecer os Açores"
Uma pessoa que tem muito "medo" de andar de avião: "Só abro uma excepção (para entrar num avião), que é para ir novamente aos Açores".


Luis Neves

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quarta-feira, junho 25, 2008
  Final; contra-milhas, o instinto - corrigir um rumo?
... prendeu-lhe a atenção um mostradorzinho metálico e giratório, preso a uma corda tensa e oblíqua à superficie do mar. Era o contra-milhas. A agulha marcava apenas por enquanto uns cinco ou seis mil metros; e Margarida, sem nenhum pensamento preciso, pegou maquinalmente na corda. Aquele seu gesto parecia travar a torção da barquinha que, por um sábio mecanismo, pulsando lá muito ao longe, tirava às águas revoltas o segredo da distância. Mas, largando-se a corda, o calmo corropio de há pouco recobrava o seu ritmo estrangulado. Depois, progressivamente, acalmava-se, e o San Miguel parecia só então retomar a sua rota de peixe que se desloca procurando por instinto a densidade e o calor das águas que lhe convêm.
Repetindo aquela experiência, Margarida foi naturalmente levada a olhar para a sua própria mão, que parecia entretida com um boneco de corda ou a corrigir um rumo.

Mau tempo no canal, Capítulo XXXVII, Epílogo (Andante; poì allegro, non troppo)

Luis Neves

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  A bordo do vapor San Miguel, a navegar com a Poesia
Margarida, cada vez mais interessada pelo estudante das Fontainhas, insistiu:
- Mas... seja franco!, é poeta? - E, fitando a ponta do papel que o rapaz, na precipitação, não escondera bem no bolso, acrescentou: - Então não me acha digna de reeber essa pequena confidência? ... Somos ambos ilhéus... Estamos aqui sósinhos, longe dos nossos... Leia, que ninguém ouve!

O rapaz, quase trémulo, fitou Margarida desconfiado. Depois, puxando do papelinho, chegaram-se ambos para a luz, e ele leu:

Também eu! também eu velo a noite no porto
Tão azul, apesar da escuridão perfeita ...

A voz do rapaz estava um pouco embargada; a sua mão, de repente afoita, roçava quase pelo cabelo de Margarida num gesto de pregador. Mas aquela escrita lírica tornava-se miudinha e torturada. Eram quase uns rabiscos indecifráveis ao próprio autor. Margarida, meio sobressaltada com a sua atrevida atitude e respeitando o segredo que parecia querer fechar-se naquelas palavras riscadas, disse assim:
- Que bonito que isso é! A minha opinião não vale nada, mas creia que acho esses seus versos lindos.... Fez muito bem em sair do seminário. Mas deixe lá... Em poesia, está bem que a gente tenha medo de que os outros se esqueçam de nós. É uma liberdade poética... Na vida... ? ...

Margarida fez-se pálida; e, enchendo-se daquele minuto que parecia um presente dos deuses, uma trégua inefável no seu natural destino, ia a jogar o todo pelo todo, abrir-se àquele rapaz tímido e escorraçado por um criado de câmara para a sua verdadeira classe, quando o primeiro verso do poemazinho de bordo lhe acudiu todo inteiro, permitindo-lhe assim que recuasse a tempo:
- Também eu! também eu velo a noite no porto... E dê-me licença, que são horas de ir até ao camarote. Amanhã tenho de levantar muito cedo para aproveitar-mos o dia nas Sete Cidades e nas Furnas... Boa-noite! senhor... ? Já agora, diz-me também o seu nome...
- João Cardoso Pragana.
- .... sr. João Pragana.

Mau tempo no canal, Capítulo XXXVII , Epílogo (Andante; poì allegro, non troppo)

Luis Neves

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  Conversas na Leitura com Oscar Vega - 28 Junho - Leitura books & living (Porto)
 
terça-feira, junho 24, 2008
  Caça à Baleia
A baleeira da frente seguia cega na cola do cardume invisível. Os homens do João Cezilha, com o ti Amaro à proa, já em atitudes de discóbolo, dobravam a força da vela remando como forçados.
(...)
Vendo a golfada de um grande cachalote perto, o João da Cezilha meteu à antegalha, arreou a vela e o mastro, que emechava de dobradice, e empunhou o remo de esparrela. Os baleeiros, encaixando os remos longos no fundo da canoa, armaram as seis pás. E sem pinga de sangue, contendo o fôlego, como uma quadrilha de gangsters à beira de um golpe desesperado, aproximaram-se do Leviatã.


Mau tempo no canal, Capítulo XXIX , Barcarola


foto no blog De Viagem

- E ali cum dois espermacetes de cento e corenta barris im seco, maiores qu'òs ilhéus da Madalena!...
Na roda dos homens acocorados ao fogo recapitularam-se então as emoções fortes daquela caçada ao largo:
- Que trancadela de mão cheia, Intavante! Tu seguraste o teu, logo à promeira puntuada... Ê cá só dezia: «Ai, Sinhor Santo Amaro! , qu'êle nem siquer le passa a barba do arpão polo toicinho...?» Àquela distância... um animal daqueles, que aleventava a rabada mais alto qu'à torre da igreja da' Lajas...!
- Aquilho deu um mistério d'um mergulho, qu'o fundo do Canal inté estremeceu! Arra, diabo!... Ê só tava a ver q'ando o bote afocinhava atrás da baleia e da linha... A popa do bote zenia alçada no ar, que par'cia um cistinho de cascalho... destes da faxina! Cada serra dágua...! E o patameiro de sãingue!... Apanhei ua frechada aqui pola cintuira, qu'inda me dôim as arcas!

Mau tempo no canal, Capítulo XXX , 5º Nocturno (Numa furna)

Luis Neves

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segunda-feira, junho 23, 2008
  a origem do ódio, o destino do amor
«Aparentemente não se dirigia ao muro porque se lembrava da situação do pai: despedido pela casa Clark, difamado por Diogo Dulmo, e toda a família levada aos soalheiros da Horta: a mãe expulsa de casa como adúltera, o tio Ângelo um maricas, o tio Jacinto boticário de aldeia e a avó Maria Florinda «uma velha de xaile e lenço, amiga do escrivão Severiano». Então nascia-se chumbado a coisas que acontecem a todos?»




Da inevitável missão familiar de vingança terá escapado, afinal, a ameaça de amor entre João e Margarida. Contudo, João, consciente da sua questão familiar e da fragilidade do amor, considera desde logo oa hipótese de fracasso:


«recalcava o seu amor como coisa para ter desfecho noutra vida»

e neste momento qualquer leitor receia pela derrota do amor - porque os grandes romances se querem dramáticos, porque os grandes amores se querem impossíveis, para poupar a esperança, para permitir a reconciliação com a sorte menor...

belém

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domingo, junho 22, 2008
  vencer o canal do mau tempo
Nautilus recomenda: vençamos o canal do mau tempo chegando à Madalena de barco, e sendo recebidos pelos ilhéus de pé e deitado, que descansam na entrada principal.


Para quem tiver receio de barcos que oscilam sobre ondas aparentemente agitadas, haverá certamente outras alternativas. Mas vale o combate ao medo. E às ondas que entram barcaça adentro, porque tudo o que atravessa o canal deve ser devidamente cumprimentado, molhado, lavado...

belém

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  dias iguais um após o outro...
«Havia pois uma espécie de paralisia no seu carácter; Margarida vivia dentro dele estagnada, como um nenúfar num charco que um luar de morte aviva. Luar - aquele gosto de a sentir sempre longe, sugerida e desejada sem um apetite preciso. Charco - a sua vida na Escola... Dezembro e Janeiro iguais nas ruas rodadas de eléctricos... o Cheribibi no Condes... a grande manta de pregões chorosos - ceboas... ostras... argolas para chaves a vintém... o piroliroli...»



são dias um tanto ocos, iguais um após o outro que alimentam a paixão de João Garcia. Memórias de mau tempo e da serpente cega, e uma envolvente de mistério colam-lhe Margarida à existência.

Será a impossibilidade o principal alimento da paixão?

belém

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sábado, junho 21, 2008
  Festas do Espírito Santo
As festas do Espírito Santo enchem a Primavera das ilhas de um movimento fantástico, como se homens e mulheres, imitando os campos, florissem. Da Páscoa ao Pentecostes e à Santíssima Trindade são sete ou oito semanas de ritos de uma espécie de florália cristã adaptados à vida da lavoura, dos pastos carregados de humidade e de trevo no meio das escórias de lava - o «Mistério».


Em vão os bispos de Angra, talvez lembrados do que deviam à sucessão de D. Fr. Jorge de Santiago e à sua douta luta pela pureza da fé e do culto nas secções do Concílio de Trento, tentavam desterrar da religião insulana aquelas estranhas práticas: o Paráclito entre círios e olhos de raparigas ardentes , o Veni creator cantado aos rés do transepto cheios de vestidos leves. O próprio abuso dos «foliões» trajando a opa dos bobos e dançando a toque de caixa, em plena capela-mor, foi reprimido a custo. A alma do ilhéu é cândida e tenaz: quer um Deus vivo e alegre; chama-o à intimidade do seu pão e das suas ervas húmidas.
Deus lhes perdoe...
... Ou a ilha das Meninas. Um bando delas, em filas que semeiam os caminhos de rosas e madressilva, levam o «emblema do Divino Espírito Santo» a casa do pobre e do rico. O «alferes da bandeira» desfralda o estandarte de uma realeza de sonho, império do pão dourado. Vêm os «vereadores» com varas de mordomos, o «pagem da coroa» investido na grandeza do reino, a criança ou o pobre de pedir coroados pelo sacerdote. Fecha o cortejo a fanfarra e o esturro bufado dos foguetes. - «Imperador do sétimo domingo: Chico Bana!» -tum, tum ...
Botas novas, rodadas de rosquilhas e aguardente no giro das bandejas de lata, um trono a arder de círios e rosas abertas no canto da casa térrea. «Vamos a entrar cá pâr' dentro! Toca a gastar, senhores!» - E assim sete dias.

(....)

O Bodo aos pobres

Estava combinado que ficaria no Capelo desde a sexta-feira do bezerro ao domingo da coroação. O bezerro esquartejava-se para esmolas de pão e carne estendidas em bancadas improvisadas na rua com tubões e toalhas, e postas nos seus pratos de barro coroados de ramos de hortelã. O pobre que dá ao pobre cobre a sua alma e empresta a Deus. Fartura é naqueles dias! Cozido e alcatra a amigos e compadres nas panelas de arroba mexidas pela «mestra da função». Domingos rijos!

Mau tempo no canal, Capítulo XVIII, No tempo da fror



fotografias da ilha S.Jorge, no site http://www.portaldodivino.bpgplus.com.br/Divacores/acores1.htm
Poema Vitorino Nemésio
Festas Faial 2007

Luis Neves

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quarta-feira, junho 18, 2008
  Ler o futuro nas cartas
E, tirando um baralho da étagère, começou a dispor uma paciência:
- Eu vai fazer aqui uma difeculdade.... Came-lão!
As raparigas tinham-se instalado à roda da mesinha; Carlota regulou a altura da lâmpada suspensa pelo peso de porcelana. Mas Laura, num movimento arisco que lhe punha a fiada dos dentinhos húmida e carniceira, misturou os renques das cartas enaipadas e, toda electrizada, sacudiu Ângelo por um ombro:
- Antes nos deite as cartas, sr. Ângelo! Ande lá ... A ver se o bife sempre casa com a Margarida Dulmo ou se calha em sorte à Carlota.
- Tens cada ideia, menina!
- Vamos lá, sr. Ângelo; deite-nos as cartas! Aí é que está o tira-teimas. E o João também tem que entrar; oh, se tem!... Não é só ter as famas.... - Foi buscar João Garcia ao canto onde folheava melancolicamente figurinos; arrastou uma cadeira, obrigando-o a sentar-se:
- Isso! Carlota, dama de paus... ,
O João, como é alferes, rei de espadas... ,
E o bife...
- O bife, rei de oiros!
Laura bateu palmas:
- Bem apanhado! Veio cheiinho de libras... Bravo! Isto começa bem.

(Roberto Clark)


- E tu, meu amor, dama de copas! Papagaio loiro... Canarinho belga... - cantarolava Ângelo, passando-lhe a mão pelo cabelo.

- Ah... Abaixe a pata!




(Laura)

(....)


- O rei de oiros anda à saga da dama de paus ... - perorou Ângelo depois de concentrado uns segundos em que o seu bigodinho, húmido do creme, luziu e se afitou.
- Vês, Carlota? Aqui está porque ele corta sempre pela calçada, quando vem a cavalo da Lomba...
- .... Mas a dama de paus tem os cinco sentidos na terra alheia, com dinheiros grossos...
- É o americano do Capelo, que te fez namoro no Relvão, filha! Mas é ele!



- Entretanto salta daqui o rei de copas...
- Quem é?
- Psch...!
- Ora essa? Então não tenho o direito de saber quem é meu par?! O meu rico rei de copas...




(Margarida Dulmo)

- Salta daqui o rei de copas com pensamentos na igreja (é um sete), e a dama de oiros espadilha-se por causa do rei de espadas.
Pensa na embarcação (seis de copas: navio à vela...), com ciúmes... suspeitas... ditérios de uma alcoviteira... Atravessa-se a dama de copas...
- Agora é contigo, menina... - disse Carlota, com um sorriso de quem experimentava o alívio de uma brincadeira complicada de mais para os seus gostos.
- Eu?! Eu nunca me atravessei no caminho de ninguém, graças a Deus! Não tinha mais que fazer senão meter-me nos namoros da delambida!

- E agora ... - disse Ângelo, impondo silêncio só pelos seus gestos de pitonisa casando as cartas distantes. - Agora ... o rei de oiros levava a sua dama, se não fosse aqui este alma do diabo deste cavalo de espadas, que não sei que lhe hei de fazer...
Não! Mesmo há aqui um sete de espadas, que é morte... E um codilho.
Leve o diabo as cartas, que não quero cá brincadeiras!




Mau Tempo no Canal, Capítulo XVI, A bruxa da espadilha

Luis Neves

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  Latim
"O latim é uma língua muito subtil, toda de sons e de sentidos condensados, rebelde à grosseira tendência perifrástica das nossas línguas vulgares, que têm a mania de trocar tudo em miúdos."
Mau Tempo no Canal, pg. 63
Num particular momento, em que se discute a evolução da língua portuguesa, é extremamente satírica (em prognose) a personagem de Mateus Dulmo. A utilização frequente de aforismos latinos e francesismos, mais que culto, torna-o pedante.
Claro está que o latim não é língua morta. Basta considerar as classificações de fauna e flora e lá está o latim, perfeitamente imbuído na linguagem científica.
Porém, aponta-se ao latim (melhor dizendo, aos seus utilizadores) o seu elitismo. E a verdade é que, mesmo quando foi língua oficial de reinos e religiões, sempre foi um sinal de divisão social.
E voltamos ao futuro. O acordo ortográfico...uma tragédia grega em vários atos...Enfim... mutatis mutandis.
cristina_pt

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  Margarida
Margarida vai crescendo...

na primeira impressão, uma jovem namoradeira. E contudo, com uma evidente sageza. Rebelde, mas contra as arbitrariedades e excessos de fidalguia.

Não gosta de versos. Até porque, todas nós sabemos que os poetas são todos uns choninhas.

Irá crescer bem?




cristina_pt

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segunda-feira, junho 16, 2008
  Batalhas: Garcias contra os Dulmos
- Não tenho tirado os olhos do retrato do sr. Comendador. Que falta que ele fez ao Faial!
D. Carolina Amélia compôs-se ao canto do sofá: A amizade do sr. Garcia sentia-se em tudo.
- Ainda bem que cá veio! - E explicou: tinha-se habituado ao seu procurador como a um médico. Dia em que não o visse, ficava nei sei como; mandava sempre fechar o portão mais tarde, numa esperança ...
(....)
A propósito de rendeiros, Januário(Garcia) endireitou a conversa à questão em menos de um minuto. Os depósitos no Banco Lisboa & Açores estavam todos em dia; só faltava regular aquele caso das letras; cujos prazos expiravam agora. Ele era pelo protesto. Sabia bem quanto uma medida violenta repugnava à sua constituinte, mas o dever dele era zelar. Depois ... Contou, sob segredo profissional, a resolução dos Avelares. Eles próprios o tinham procurado para executar a casa Clark.
( .... )
- Eu ia a dizer... Nada; não quero influir no ânimo da srª. D. Carolina Amélia.
- Diga!
- São precisamente esses costumes soltos que nos mandam ser prudentes. O Diogo Dulmo, desgraçadamente... É doloroso, mas tenho a obrigação moral de não ocultar a verdade à minha constituinte. - Januário acompanhava o jogo de curiosidade e boa-fé da velha senhora ali diante, um pouco empertigada nas suas ideias feitas mas vulnerável a um não sei quê de sólido e de preciso que parecia estar sempre a pedir à presença do procurador. Jogou a carta - Desgraçadamente o Diogo Dulmo é um insensato, gasta tudo com amantes...
- Aquela ligação do largo de D. Alexandre? - acudiu a velhota - Sempre é verdade?
- E pior, minha senhora; infelizmente, muito pior! Noitadas com mulheres, na tasca da Mariquinhas Estragada... - Levantou-se, foi à janela que dava para o Poço da Carrasca.
(...) Propositadamente demorara o olhar por longe de D. Carolina Amélia; deixara arder o rastilho. A velha senhora estava de pé, de queixo direito sobre o broche. - Recebo as suas ordens srª. D. Carolina Amélia. E quanto às letras ...
- Faça o sr. Garcia o que entender. O sr. Garcia tem ao mesmo tempo zelo e bom coração. O que a sua consciência lhe ditar...
- Faremos tudo pelo melhor, minha senhora - disse Januário

Mau Tempo no Canal , capitulo vi , Outra aranha e outra teia

Luis Neves

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domingo, junho 15, 2008
  porque hoje é domingo
aqui fica uma fabulosa selecção de fotografias do Pico. quem for capaz que escolha uma favorita. (eu não sou...)

belém

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sábado, junho 14, 2008
  subir ao pico
"Não estava um dia muito claro; mas vira aparecer o Sol dos lados da Terceira, todo sangrento num mar de chumbo, um mar como nunca tinha visto, fresco e sem nada que lhe cortasse a ilimitação parada, a não ser as ilhas negras e acobardadas numa neblina. Para a banda das Flores, uma Lua de bordos tristes ia morrer. Mas ela sentia-se contente a ver o Sol crescer devagar para ela, que o esperava à beira da cratera apagada do Pico, com um pau ferrado. O vulto estirado de São Jorge, a Ponta dos Rosais ao Topo, parecia um navio azulado pelo próprio fumo da marcha, de proa à «suposta ilha» de Fernão Dulmo, que via a nudez do Sol primeiro que outra alguma."
Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, p. 45







fotografia de Nicolau Wallenstein

(inveja sem palavras...)

belém

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  Eurátomo - Poema de Vitorino Nemésio
Este Poema é dedicado a todos Irlandeses que poderam dizer Não, e ao escolheram desta forma representam todos os Europeus que não se revêm neste tratado.

Eurátomo

Europa, nossa mãe rasgada,
Estrela fria a vinte pontas nos céus de aço,
Ursa a Leste, Leoa aonde? se da Loba
Cabisbaixa só tens pobres tetas sugadas
E o Homem-de-Branco pensativo?
Que é do Lis elegante,
Tua Águia bifronte,
Teu Leopardo agressivo,
Licorne de tapete rilkiano,
Europa roubada,
Ursa a Leste,
Gata a Oeste,
Mas dos quatro quadrantes retirada.
Euroátomo de Europa,
Sem núcleo,
Neutrão sem massa,
Erva de Átila em que tudo calca e passa,
Tu que deste a cabeça ao toiro
E a Jove a mão,
Onde puseste o estéril coração?

E mais dois poemas do mesmo livro "Limite de Idade"

Cão Atómico

Este cão tem folhas nas orelhas,
Com quatro talos:
Mas o que este cão devia ter era calos,
E só tem olhos e ossos
e morrinha num dente!
Mas, meu Deus , este cão
Quase o diria meu irmão:
Parece gente !

Este cão é redondo. Está deitado,
Rosna com gengivas de uivo.
Dizem-me que foi lobo,
Mas perdeu a alcateia
Como os homens perderam a Razão,
Que hoje serve de osso ao cão
Escapo ao cogumelo nuclear,
E por essa razão se foi deitar.

E a parte final do poema
Relações de Incerrteza
...
Em todo o caso, emtodo o caso,
Ainda um talvez,
Como em Boltzmann e Gibbs a vastos formalismos:
Uma poeira astral era uma vez
E foi-se pelo Gama dos abismos.
Mas logo outra galáxia calculada
O vermelho longínquo condensou.
Eu digo por hipótese: Do nada,
Deus, que é cálculo e amor, tudo tirou,
Que eu, se pudesse, ao giz pedia apenas,
Além da cal mortuária, o Alfa carbónico
De um homem novo :
O meu filho electrónico,
Aliviado das minhas penas.
Mas, pra milagre tal, que é dele, o ovo ?

Poesia futurista digo eu!
Boa para misturar com a leitura de"Mau tempo no canal" ?


Luis Neves

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sexta-feira, junho 13, 2008
  sobre os riscos da literatura menor
"Mas tinham-na secado com versos de poetas das ilhas - «pétalas mimosas», «amo-te quando à tarde» e «poeta» ficou para ela uma vaga equivalência de parvo, de choninhas."
Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, p. 45



para bem ou para mal, a leitura vai fazendo o seu leitor - repelindo-o ou retendo-o, como tudo o que tenha comunicação inerente.

é curioso este comentário jocoso vindo de um açoriano e também poeta. talvez se justifique, ou seja resposta às habituais quezílias entre autores contemporâneos.


belém

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quinta-feira, junho 12, 2008
  sobre a partilha do silêncio
«Pareciam ter muito que dizer, e mal falavam.»
Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, p.34




há intensidades de discurso de discurso não verbal que acabam por dispensar palavras. não será assim com toda a paixão? apesar da palavra ser preciosa, em momentos essenciais optamos por prescidir dela. paradoxalmente, quanto mais valor damos às palavras, mais as poupamos.

teremos uma ilusão orçamental com as palavras, apesar de as podermos produzir nós próprios sem custos adicionais? porque nos enganamos? porque egoistamente poupamos nas palavras?

bem, não queria ser injusta com os jovens Margarida e João - no caso deles será manifestamente ansiedade de amor novo e - não vale a pena escondê-lo - falta de jeito...



belém

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quarta-feira, junho 11, 2008
  sobre a profundidade do tempo
«(e sete anos, nas ilhas, dão grande fundura ao tempo)»

Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, p.33







o tempo tem vários tempos - dependendo essencialmente do nosso estado emocional, da situação, do prazer - e também do local.



será o tempo eterno nas ilhas?



à ideia de fundura do tempo associo a impregnação do passado. como se se continuasse lá, no vivido, em paralelo com o presente, um passado intenso. como se o futuro se atrasasse, por capricho. poeticamente belo, experiencialmente... suponho que não.





belém

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terça-feira, junho 10, 2008
  Ler o autor antes do romance (1)

Sem o livro à mão (à espera de novo exemplar que a livraria me faça chegar) e sem ajuda da memória sobre a já muito passada leitura do Mau Tempo no Canal, opto enquanto o livro não chega por recolher da rede alguns dados sobre Nemésio, fugindo assim ao preceito estruturalista que recomenda ler a obra literária sem recurso à biografia do autor. 

Começo por uma área de curiosidades que espero tenha alguma utilidade. Trata-se da pesquisa sobre o espólio da correspondência recebida e enviada por Nemésio. É uma verdadeira viagem sobre fronteiras (de diferentes tipos), e com alguns elementos decerto surpreendentes, esta lista de textos dos (ou para os) correspondentes do criador da açorianidade: ANDRADE, Eugénio de
167168; BENOÎT, Francine
[30], [33], [216], [255]; BRANDÃO, Raul
[35], 248, [313]; CAETANO, Marcelo
78284; COCHOFEL, João José
181; CORTESÃO, Jaime
[348]; DUARTE, Afonso
285335; FONSECA, Branquinho da
59; FREIRE, Gylberto
115; GRAÇA, Fernando Lopes
60; LARBAUD,Valéry
[37], 132, [247], [322], 323, [347]; LE GENTIL, Georges
363847; LISBOA, Irene
[58], [273]; LOPES, Óscar
86; LOURENÇO, Eduardo
215; MENDES, Murilo
146; MONTEIRO, Adolfo Casais
[31], [43], 44, [45], [46], [54], [55], 57142, [143], [259], 262, [263], [264], [271], [311], [324], [325]; NEMÉSIO, Gabriela
[34], [37], [91], [130], [197], [321]; PASCOAIS,Teixeira de
63; QUINTANILHA, Aurélio
83207; QUINTELA, Paulo
68176; RÉGIO, José
[48], [56], [61], [92], 272327; RIBEIRO, Aquilino
[40], [244], [250], [251], 252, [257], [260], [283]; SALAZAR, António de Oliveira
[52], 73, [74]; SÉRGIO, António
145; SERPA, Alberto de
65, [66], 231; SIMÕES, João Gaspar
[270], 343; SOUSA, António de
337; SUPERVIELLE, Jules
64; THOMAS, Lucien-Paul
3953; TORGA, Miguel
275332; UNAMUNO, Miguel de
[24], [30], [253], 254, [312], 315317, [322]; VIEIRA, Afonso Lopes
[32], 243245; WOOLF,Virginia
269.

Nota: os elementos hipertextuais entre parênteses rectos correspondem às cartas enviadas por Nemésio. Os outros referem-se aos textos por ele recebidos. Fonte: Biblioteca Nacional

ams
 
domingo, junho 08, 2008
  Ouvir Vitorino Nemésio comentar o romance "O Bobo", de Alexandre Herculano
Fonte: Arquivos sonoros da RDP

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  Comemorações da morte de Vitorino Nemésio


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sábado, junho 07, 2008
  Ouvir Vitorino Nemésio falar sobre a «diáspora» portuguesa
Fonte: Arquivos sonoros da RDP

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  Horna da Semana
N'As Palavras dos Outros fomos escolhidos para o primeiro "ilustre blogue convidado da semana". Agradecemos à Ana não só a honra do convite, como especialmente as citações inspiradoras que escolheu para nós. Simone de Beauvoir, Ricardo Reis, D. H. Lawrence e Eugénio de Andrade são leituras que já passaram por esta página, e a que voltaremos sempre. Outras leituras nos inspiram, e a Ana, claro, tem um papel fundamental em relembrar-nos o que lemos e motivar-nos com o muito que ainda iremos ler.

Também para a Ana, relemos em voz alta:


Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca.
(Jorge Luís Borges)


belém
 
  Poema de Vitorino Nemésio - A Caminho do Corvo

[P.S. - A malta do norte vai toda para Serralves, por isso não esperem posts com sotaque]

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sexta-feira, junho 06, 2008
  ainda do prefácio de João Miguel Fernandes Jorge

«Supomos lutar e sofrer pela própria alma, mas somente lutamos e sofremos pela própria pele. E o resto não conta. Há muito de drama - um drama açoriano que envolve a história das ilhas centrais - neste Mau Tempo no Canal. Um drama que tem, em cada personagem, um sentido e que é uma espécie de lógica incarnada no sofrimento, que lhes está sempre a dizer baixinho, como se se tratasse de um rearranjo de destroços: o resto não conta.»

agora, sim, podemos mergulhar no livro...


belém

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quinta-feira, junho 05, 2008
  prefácio II
sobre outras leituras impredíveis escreve João Miguel Fernandes Jorge no prefácio ao livro:




"(Tirando a minha longa prática com Camilo e Agustina, tenho como meus romances:
Húmus de Raul Brandão, A Velha Casa de Régio, A Torre da Barbela de Ruben A., O
Físico Prodigioso de Jorge de Sena e Finisterra de Carlos Oliveira. Acrescem como um final de território onde se queimam as páginas, mapas que foram e já não são mais, figuras perdidas de um império que se esvaiu na linguagem de Aquilino, de Tomaz Figueiredo e de Virgílio Ferreira.)"




de certa forma, estes mapas de continuidade literária são preciosas indicações para seguirmos caminho. e alguns destes, certamente, já encontramos ou iremos encontrar nos territórios pessoais de leitura...





belém

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  prefácio I
sobre o mau tempo e outras manifestações metereológicas escreve João Miguel Fernandes Jorge no prefácio ao livro:




"Quase página sim página não há uma referência aos fenómenos metereológicos. Eles são como que um primeiro temperamento do olhar e, sobretudo, no face a face do Faial e do Pico. Essa temperatura de vento bonançoso ou de mar tempestuoso incitam o leitor à confidência de um quase mundo outro, que se isola da colectividade (...)"







belém
 
  Convite
Caro/a Leitor/a,

Está convidado/a para uma caminhada.

O percurso não se adivinha fácil, cheio de caminhos velhos, delimitados por igualmente velhos muros de pedra. Atravessando o verde que só é cortado pelo mar, somos assaltados pelos sentidos que não são nossos, mas que em nós se entranham.

Mas não se preocupe. Existe uma guia para orientações mais precisas... Margarida (Margarida Clark Dulmo).

Venha ler connosco Mau Tempo no Canal de Vitorino Nemésio.



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quarta-feira, junho 04, 2008
  promessas de bom tempo
planeamos com detalhe viagens desejadas. também foi assim na minha primeira visita aos Açores. queria porque queria levar um livro especial, que estivesse intimamente ligado às ilhas. decidi que seria "Mau Tempo no Canal". mas na época o livro estava esgotado. corri as principais livrarias do Porto, e a resposta foi sempre a mesma. mesmo na INCM não o tinham. decidi comprá-lo à chegada às ilhas, mas aí a míngua provou ser ainda maior: há muitos meses que não conseguiam receber nenhum. já não me lembro que livro me acompanhou na viagem, deixou de ser importante, porque o livro que lhe estava destinado não pode afinal ser lido. até agora.


curioso, é o fascínio injustificável que tenho pelo livro. ainda não li, não sei do que trata, desconheço o seu estilo. mas situo-o irremediavelmente colado à beleza e mistério dos Açores. e é com esta mágica atracção que me detenho a lê-lo.
belém

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  Açorianidade de Vitorino Nemésio
Na obra de Nemésio, como num búzio, ouvimos a açorianidade.


Fonte: Biblioteca Nacional

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terça-feira, junho 03, 2008
  A obra

Poesia
O Bicho Harmonioso (1938)
Eu, Comovido a Oeste (1940)
Nem Toda a Noite a Vida (1953)
O Verbo e a Morte (1959)
Canto de Véspera (1966)
Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)
Ficção
Paço de Milhafre (1924)
Varanda de Pilatos (1926)
Mau Tempo no Canal (1944), romance galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros;

Ensaio e Crítica
Sob os Signos de Agora (1932)
A Mocidade de Herculano (1934)
Relações Francesas do Romantismo Português (1936)
Ondas Médias (1945)
Conhecimento de Poesia (1958)
Crónica
O Segredo de Ouro Preto (1954)
Corsário das Ilhas (1956)
Jornal do Observador (1974).

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O QUE ESTAMOS A LER

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PROXIMAS LEITURAS

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LEITURAS NO ARQUIVO

"ULISSES", de James Joyce (17 de Julho de 2003 a 7 de Fevereiro de 2004)

"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

"AS ONDAS", de Virginia Woolf (13 a 20 de Outubro de 2003)

"AS HORAS", de Michael Cunningham (27 a 30 de Outubro de 2003)

"A CIDADE E AS SERRAS", de Eça de Queirós (30 de Outubro a 2 de Novembro de 2003)

"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

"PEQUENO TRATADO SOBRE AS ILUSÕES", de Paulinho Assunção (22 a 28 de Dezembro de 2003)

"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. IV - Sodoma e Gomorra)", de Marcel Proust (1 a 30 de Setembro de 2004)

"UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES" e outros, de Clarice Lispector (1 a 31 de Outubro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. V - A Prisioneira)", de Marcel Proust (1 a 30 de Novembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", de José Saramago (1 a 21 de Dezembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ", de José Saramago (21 a 31 de Dezembro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VI - A Fugitiva)", de Marcel Proust (1 a 31 de Janeiro de 2005)

"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

"A GRANDE ARTE", de Rubem Fonseca (1 a 30 de Abril de 2005)

"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2005)

UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

"RICARDO III" e "HAMLET", de William Shakespeare (1 a 31 de Janeiro de 2006)

"SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE" e "PALOMAR", de Italo Calvino (1 a 28 de Fevereiro de 2006)

"OTELO" e "MACBETH", de William Shakespeare (1 a 31 de Março de 2006)

"VALE ABRAÃO", de Agustina Bessa-Luis (1 a 30 de Abril de 2006)

"O REI LEAR" e "TEMPESTADE", de William Shakespeare (1 a 31 de Maio de 2006)

"MEMÓRIAS DE ADRIANO", de Marguerite Yourcenar (1 a 30 de Junho de 2006)

"ILÍADA", de Homero (1 a 31 de Julho de 2006)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2006)

POESIA DE ALBERTO CAEIRO (1 a 30 de Setembro de 2006)

"O ALEPH", de Jorge Luis Borges (1 a 31 de Outubro de 2006) (link)

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS (1 a 30 de Novembro de 2006)

"DOM CASMURRO", de Machado de Assis (1 a 31 de Dezembro de 2006)(link)

POESIA DE RICARDO REIS E DE FERNANDO PESSOA (1 a 31 de Janeiro de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 28 de Fevereiro de 2007)

"O VERMELHO E O NEGRO" e "A CARTUXA DE PARMA", de Stendhal (1 a 31 de Março de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 30 de Abril de 2007)

"A RELÍQUIA", de Eça de Queirós (1 a 31 de Maio de 2007)

"CÂNDIDO", de Voltaire (1 a 30 de Junho de 2007)

"MOBY DICK", de Herman Melville (1 a 31 de Julho de 2007)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2007)

"PARAÍSO PERDIDO", de John Milton (1 a 30 de Setembro de 2007)

"AS FLORES DO MAL", de Charles Baudelaire (1 a 31 de Outubro de 2007)

"O NOME DA ROSA", de Umberto Eco (1 a 30 de Novembro de 2007)

POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (1 a 31 de Dezembro de 2007)

"MERIDIANO DE SANGUE", de Cormac McCarthy (1 a 31 de Janeiro de 2008)

"METAMORFOSES", de Ovídio (1 a 29 de Fevereiro de 2008)

POESIA DE AL BERTO (1 a 31 de Março de 2008)

"O MANUAL DOS INQUISIDORES", de António Lobo Antunes (1 a 30 de Abril de 2008)

SERMÕES DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA (1 a 31 de Maio de 2008)

"MAU TEMPO NO CANAL", de Vitorino Nemésio (1 a 30 de Junho de 2008)

"CHORA, TERRA BEM-AMADA", de Alan Paton (1 a 31 de Julho de 2008)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2008)

"MENSAGEM", de Fernando Pessoa (1 a 30 de Setembro de 2008)

"LAVOURA ARCAICA" e "UM COPO DE CÓLERA" de Raduan Nassar (1 a 31 de Outubro de 2008)

POESIA de Sophia de Mello Breyner Andresen (1 a 30 de Novembro de 2008)

"FOME", de Knut Hamsun (1 a 31 de Dezembro de 2008)

"DIÁRIO 1941-1943", de Etty Hillesum (1 a 31 de Janeiro de 2009)

"NA PATAGÓNIA", de Bruce Chatwin (1 a 28 de Fevereiro de 2009)

"O DEUS DAS MOSCAS", de William Golding (1 a 31 de Março de 2009)

"O CÉU É DOS VIOLENTOS", de Flannery O´Connor (1 a 15 de Abril de 2009)

"O NÓ DO PROBLEMA", de Graham Greene (16 a 30 de Abril de 2009)

"APARIÇÃO", de Vergílio Ferreira (1 a 31 de Maio de 2009)

"AS VINHAS DA IRA", de John Steinbeck (1 a 30 de Junho de 2009)

"DEBAIXO DO VULCÃO", de Malcolm Lowry (1 a 31 de Julho de 2009)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2009)

POEMAS E CONTOS, de Edgar Allan Poe (1 a 30 de Setembro de 2009)

"POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA", de Harper Lee (1 a 31 de Outubro de 2009)

"A ORIGEM DAS ESPÉCIES", de Charles Darwin (1 a 30 de Novembro de 2009)

Primeira Viagem Temática BLOOMSDAY 2004

Primeira Saí­da de Campo TORMES 2004

Primeira Tertúlia Casa de 3 2005

Segundo Aniversário LP

Os nossos marcadores

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