quarta-feira, outubro 28, 2009

" Acreditar em algo e não o viver é desonesto." Gandhi

Ele tinha de o fazer, era por isso que o fazia e, de repente, aquele novo facto significava menos problemas e menos discussões. Mas será que explicava a atitude de toda a cidade? O tribunal tinha nomeado Atticus para o defender. E o Atticus queria defendê-lo. Era isso que não lhes agradava era tudo muito confuso.
(pg. 235)
Parece adequado falar um pouco sobre a advocacia. Atticus era advogado e um advogado que está do lado da justiça. Por vezes não é fácil sê-lo. Aliás, é importante esclarecer que estar do lado da justiça, poderá nem significar estar no lado do justo, mas estar lá; porque mesmo o injusto não pode ser injustiçado. Que seria de nós se não pudessemos confiar nos mais elementares princípios de garantia no direito?
Frequentemente poderão questionar-se como a/o advogada/o poderá defender aquele "monstro". Mas a verdade é que o faz porque tem de o fazer. E tem de o fazer não por obrigação de um ofício, mas porque o valor máximo - a justiça - assim o obriga.
Nunca me reconheci tal coragem.
Atticus é o advogado justiceiro. É o garante da igualdade e da protecção dos direitos civis. E é assim que os advogados devem ser. São frequentes as referências da obra e da sua personagem no meio jurídico. É o exemplo a seguir, é aquilo que todos gostariamos de ter coragem de ser e por isso, vamos tentando sê-lo.
Não resisto a citar Miguel Esteves Cardoso, no Público de ontem: "Gosto de médicos e gosto de advogados. São pessoas que aceitam, à partida, uma situação que era má e que, mesmo assim, querem pô-la boa."