Leitura Partilhada
sábado, outubro 04, 2003
  O Tempo
Tomando de novo as palavras de Ana Cristina Leonardo na entrevista a MAP no Expresso de 27 de Setembro aqui deixo a sua conclusão:

"...em "Os Papéis de K" é a ficção que escapa à sua própria tautologia através de um nome. Michiko existiu, sonho ou pesadelo. E, como garantia Bergson, para o bem e para o mal: "O tempo é invenção ou não é nada".


Troti

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  "E ainda...
"E ainda, provavelmente, que estava convencido de que o jovem estudante de quem ela lhe falara e a quem teria ouvido a história de K. não passava de uma invenção

( cheguei a imaginar que esse jovem pudesse ser eu próprio)."



Acabei o livro com a sensação de que todos nós, de uma forma ou de outra, imaginamos e sonhamos a nossa ficção.

Troti

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sexta-feira, outubro 03, 2003
 
«De qualquer modo é uma história curiosa», disse eu, procurando tranquilizá-la. «Agora que morreu, que importa que seja verdade ou imaginação dele?»

«Ou minha...» murmurou Agnes.

«Ou tua, que importa?»

«Bom», disse Agnes, como que justificando-se. «Já que comecei...»


Os Papeis de K., páginas 32-33

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  Quem é Amir Zach?
Durante o encontro da Biblioteca Almeida Garrett da passada terça-feira, Manuel António Pina disse, entre um sorriso, que gostava muito daquele tipo de conversas; gostava de conhecer a interpretação que os leitores retiraram da história. Assim sendo, passo a levantar o véu sobre a minha.

Emir Zach foi a vítima seguinte. A misteriosa e talvez norueguesa Agnes, Inga ou demais nomes que tenha utilizado, tentou passar uma história, verídica ou não, pouco importa, ao nosso Narrador. Este ficou estupefacto, mas não a aproveitou. Agnes chega a ponto de enviar ao Narrador uma suposta prova factual, parte de uma entrevista de um Japonês a um irrepreensivel jornal. Agnes queria convencer o Narrador, queria que ele tomasse essa história e a divulgasse. Não conseguiu.

Agnes teve, então de começar tudo de novo. Nova passagem por um aeroporto internacional, novo ouvinte desprevenido. Por vingança, para não se expôr demasiado, ou para tentar tornar a história mais verosímil, contou-a na terceira pessoa, colocando o nosso Narrador no que antes tinha sido o papel dela no enredo.

Amir Zach poderá ter acreditado ou não, mas acabou por fazer o pretendido: dar a conhecer ao mundo a história de K..


A ser válida esta minha sugestão, porque terá Agnes arranjado um intermediário para publicar a história, perdendo todos os direitos que poderia obter sobre ela? Provavelmente por medo de ser tomada como louca. Aliás, de início ela tentou. Chegou a planear dar o livro a ler ao irmão do Narrador. Mas não conseguiu. Deixou que fossem outros a revelar ao mundo uma terrível explicação para um episódio trágico da nossa história.

Amir Zach não será, a meu ver, uma sombra; antes um homem mais ambicioso que o nosso Narrador.

Podia ter sido o Narrador, agora era tarde... E das duas uma: ou procurará nova oportunidade para esta glória que lhe escapou, ou nunca mais entra num bar de aeroporto!


Leitora

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  O sedutor
Aquilo de que me lembro... A frase foi já citada e lida tantas vezes. Mas quem é aquele que a diz? Não é só K., ou Agnes, que nos escapam. É também o narrador, aquele de quem não sabemos o nome. É fácil identificarmo-nos com ele, é fácil simpatizarmos - afinal, ele parece tão perplexo, tão vulnerável quanto nós perante o enredo que nos conta.
Mas é fugidio, este narrador: não nos esqueçamos que, ao contrário do que nos é aparente, não temos acesso à sua memória, mas só ao que ele acede a contar-nos. E há uma coisa que, inexplicavelmente, ele nos esconde: o nome completo de K..
Sim, o narrador joga com esta supressão. Dá e torna a tirar... Seduz-nos, tanto que só ao fechar o livro nos apercebemos do mundo que continuou a passar lá fora, as pessoas na praça, completamente alheias ao mistério em que se tornou a nossa vida durante setenta e cinco páginas.
nastenka-d

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  Onde está a alma?
"... K. citava frequentemente Mêncio, um filósofo chinês, que disse: "Quando os homens perdem as suas galinhas ou os seus cães, sabem muito bem onde procurá-los mas perdem a alma e não sabem reencontrá-la..."

Onde está a alma nos meandros da vida?

Troti


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  "É tudo o que temos"
Voltei a esta frase, que não me sai da cabeça.
E depois fui buscar a Cristina Fernandes da Janela Indiscreta que disse:

" A memória e as expectativas. A nossa vida encontra-se entre as duas".

Prefiro pensar que também temos expectativas; que elas são reais agora; e que elas nunca serão uma ficção.

Troti

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quinta-feira, outubro 02, 2003
  A Justiça, o Mal, a vida , a morte
" E eu acho que era também principalmente isso que perturbava K., a Justiça...A Justiça e o Mal..."


"...existem bons kami e maus kami, porque,...o Mal é uma qualidade inerente ao próprio Deus, ao Ein Sof, ao Vazio. Ou, no xintô, ao Grande Todo..."


"Os kami não têm o sentido da medida e da desmedida que têm os homens...Também a moral dos homens lhes é alheia. Os kami são apenas vontade. E, do mesmo modo que os homens não alcançam nos seus desígnios, também eles não alcançam nos limites e nas reservas dos homens. Um dos últimos capítulos do manuscrito é dedicado a essa recíproca e impenetrável...incompreensão, que, se é uma insuficiência dos homens, é igualmente uma insuficiência dos kami..."


A Justiça e o Mal, na sua eterna imperfeição, são um dos temas desta narrativa. Caminham a par da imprecisão e da dúvida do eu, da predestinação da vida, da inexorabilidade da morte.

Troti

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  E nós...
«O homem só se torna adulto na morte» sustenta MAP. Sob o ponto de vista psicológico, «o homem é uma criança eterna». Por estas e por outras, e porque o livro é um mundo infinito de múltiplas realidades aos olhos de cada leitor, é que o autor deixa esta frase exemplar:«Quem lê, lê-se».
(parte de uma entrevista ao jornal Terras da Beira, conduzida por Vitor Amaral)


E nós, como nos lemos em "Os Papéis de K"?

Imortais num tempo ficcionado feito de memória?


Troti

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  A interrogação
Mais adiante no artigo, Ana Cristina Leonardo escreve:

"Jogo de espelhos e de identidades, variação sobre o tempo borgeano e as suas máscaras (literárias), de que tratavam afinal os papéis de K.? De xintô( a religião nipónica), a via dos deuses, mas, sobretudo, da morte de Michiko,...


Troti

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  Interrogações
No artigo de Ana Cristina Leonardo "A via absurda dos homens" (Expresso de 27 de Setembro) as primeiras palavras são um conjunto de interrogações:

" E se Cristo não tivesse sido cruxificado e só morresse no Japão aos 106 anos? E se o destino dos homens, como descrito nas tragédias gregas, resultasse da vontade de deuses mais ou menos caprichosos e manhosos? E se a memória fosse uma ficção e nós não mais do que memória? E se a existência não passasse de uma irrealidade? ..."


E se...?

Troti

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  Onde está o Poeta Manuel António Pina neste livro "OS PAPEIS DE K."?
Claramente, Manuel António Pina é poeta. Um grande poeta, reconhecido como um dos maiores poetas portugueses vivos.

Encontro-o na postura. Questiona permanentemente. Não há certezas, antes se colocam dúvidas, hipóteses. Perspectivas possí­veis de uma mesma realidade - uma realidade multifacetada, feita de memórias.

Na passagem para a narrativa, esta realidade multifacetada concretiza-se, por exemplo, nas identidades que nos são apresentadas. Todas as personagens têm identidades, nomes e histórias alternativas. O próprio narrador duvida do seu papel em toda a história, põe em causa a sua memória "se calhar não me recordo dos factos, mas da minha recordação deles". E vê-se reinventado no final do livro, como se o mundo, subitamente, lhe tivesse dado outro papel. Assustador? Desconfortável? Talvez...

Todas as interpretações da história que nos é contada são possí­veis. A verosimilhança está muito mais na ficção do que na realidade, assim nos desafia o autor. A volubilidade do real, ao qual não é consentido nenhuma firmeza, nenhuma estabilidade.

Questiona-se, assim, o papel da literatura, que é apenas reescrita. Não é uma fraude. Nunca o poderia ser, porque «a literatura é, pela sua própria natureza, mistificação». Esconde mostrando de forma evidente. Dá com uma mão e retira com a outra. Esse é o jogo da literatura com o leitor. Sempre presente na comunicação escrita de Manuel António Pina. Seja poesia ou não.


E o papel do leitor é deixar-se levar:

«Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás»






Leitora

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  K., Agnes, e nós
Segundo Eduardo Prado Coelho, no seu artigo "Do mesmo modo que o escritor inventa o leitor", o ponto aponta para uma supressão.: à partida, sabemos que algo se omite, que uma das personagens aparece apenas numa das suas faces, envolta em segredo. Quais as razões desta rasura? No fundo, este é o tema do livro. Que leva o indivíduo que se chama K. a ser apenas K.? Por outro lado, a escolha da letra K. não é inocente (...) K. é uma letra estranha ao nosso alfabeto e que remete claramente para uma refência ao absurdo: em literatura, K é sempre Kafka, e só depois outra coisa.

Um vazio no tempo, devido a um problema de grave internacional de controladores aéreos, permite que o narrador acabe por conhecer no bar do hotel onde fica alojado uma personagem feminina cujo nome é Agnes. Trata-se de uma mulher estranha, que acompanha um homem já de idade (K. precisamente), e com quem as convenções narrativas sugeririam que se estabelecesse uma relação amorosa. Nada disso, mesmo que a relação entre Agnes e o narrador tenha verdadeiros saltos no sentido da intimidade. Mas essa intimidade é sobretudo a estranheza crescente da história que ela conta. O grande mérito do texto de Manuel António Pina é fazer coincidir o enigma de Agnes com uma espécie de impossibilidade de darmos sentido à História e, por isso, de aprendermos o sentido das histórias com que nos vamos expondo (no próprio movimento de ocultação) uns em relação aos outros.

O que mais nos fascina nesta narrativa de Manuel António Pina é que quanto mais se reúnem elementos que permitem compreender mais o mistério se adensa. Não um mistério tremendo e devastador, mas um mistério aparentemente menor, que por vezes se joga todo em pormenores.

Onde o sonho de um toca o sonho do outro, a ficção é mais realidade e as sombras menos sombras.


nastenka-d

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  Realidade
Do encontro desta terça-feira com Manuel António Pina na Biblioteca Almeida Garrett ficaram-me algumas frases proferidas pelo autor. Frases iluminadas. Poéticas, como sempre.


«A memória é mais rica do que a realidade.»

«A realidade é muito mais improvável do que a ficção.»





Pergunto, então: E a realidade, o que será? ... O livro vai-me respondendo: Não sabemos. Apenas temos memória... e toda a memória é, na sua essência, reinventada.


Leitora

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quarta-feira, outubro 01, 2003
  Ficção da ficção da ficção
Que compreensão poderemos tirar do livro? Como apreender a história simples e com tantas ressonâncias que nos é contada?

Sim, claro, o nosso papel é acreditar, sabendo que nos estão a mentir. Mas acreditar em quê? Perguntas, Nastenka, "Quem é Agnes?"... Eu não sei. Imagino para ela uma realidade diferente todos os dias!Todo o conhecimento que vamos adquirindo com a história pode ser revisto. E é, de facto, alterado por várias vezes.

Neste contexto, o narrador é-nos muito próximo. Apesar de ser o principal culpado das dúvidas, porque se calhar não se recorda de factos mas da sua recordação deles, é a sua principal vítima, acabando por ser reinventado pelo correr da história. É o narrador, antes me mais, que sofre com o desconforto da realidade em constante reconstrução, revisão. E diz ele a propósito de K.:


«Escrevera ele uma ficção, ou tentara, desesperadamente, descobrir um sentido, uma razão, em tudo o que acontecera, algo a que pudesse amparar-se de modo a poder, senão aceitar, pelo menos compreender? Porque, no meio do desespero, compreender pode confortar e pode, se possível, permitir um pouco de paz.»



E assim, com esta simplicidade, se levantam mais um monte de questões. Filosóficas, psicológicas, sociológicas, religiosas... Poderá parecer só literatura. Só uma novela. Está cheio de ressonâncias...


Leitora

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  K-MAP
A MAP tudo pode acontecer...
O pavor pelas viagens de avião funciona como atracção magnética do insólito.
Nos seus périplos pelo mundo, ao serviço da sua função de jornalista, MAP conheceu a estranha história de K..
K que compilou a sua vida em papéis sem capa, e os confiou a uma destemida secretária de identidade duvidosa...
MAP constroi e desconstroi...
A narrativa avisa os incautos e é premonitória: "Aquilo de que me lembro (...) está cheio não só de estranhezas e improbabilidades mas igualmente de vazios, de hesitações e de imprecisõees, pois se calhar não me recordo de factos mas da minha recordação deles."
Faz lembrar a memória de Melk e a sua narração dos factos ocorridos numa abadia imortalizada por Umberto Eco em "O Nome da Rosa".
Mas MAP não é o Melk que fala pela pena do Eco e não se perde na descrição dos pormenores.
Antes pelo contrário...
Vai directo ao assunto.
Constroi para destruir contruindo.
O leitor fica enredado numa trama de cumplicidade e complexidade, não sabendo se deve seguir MAP ou Agnes - a secretária.
O que é a realidade e o que é a ficção?
Cumpre ao leitor a função de descobrir.
A linguagem é fluí­da e a trama está editada como se de um filme se tratasse.
Não é uma obra prima, mas é uma lufada fresca da ficção nacional que cativa e que se lê em...
...muito rapidamente.
Não esqueçamos as raízes de MAP: jornalista, poeta, ensaista, cronista, escritor de livros infantis...
...síntético, objectivo, mas que deixa ao leitor uma última palavra.

Kun Fu-tse

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  Sensibilidade
"No entanto, quem escutasse com atenção poderia ainda ouvir os gritos."

Quem escreve com sensibilidade tem o extraordinário poder de dar sensibilidade a quem lê.

Troti

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  A vida
" A vida é uma força admirável".

Esta é, para mim, a grande frase do livro.

Troti

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  Capa / K.
A primeira vez que ouvi falar neste livro foi no programa "Livro Aberto" de Francisco José Viegas na NTV. Ouvi "papeis de capa" e os primeiros elogios.
pensei num jogo da capas alternativas, em diferentes papeis para servir de capa, para esconder, para proteger. Papeis que por definição têm natureza degradável, pouco duradoura, mas que mesmo assim guardam, escondem.

Claro que rapidamente descobri o logro. Mais feliz fiquei. Mesmo não sendo intencional, é maravilhoso. Perderão as futuras traduções.


A capa propriamente dita, é de autoria de Ilda David. A quem é dedicado o livro. E que foi a grande implusionadora desta edição. O Autor diz que sem Ilda David este livro nunca teria sido editado. Obrigada, Ilda David, por ter insistido.

O K., segundo o Autor, é resultado do acaso. Porque é muito difícil dar nomes às personagens. E até andou à procura de outra letra, correu todo o alfabeto, "mas nenhuma tinha esta sonoridade". Nem este mar de possibilidades, proponho eu. Porque K. se diz CAPA em português. Porque é a inicial de Kami, e o senhor K. seria, por hipótese, descendente de um certo kami que cometeu um crime e que origina toda a história de vingança e castigo...

A páginas tantas, 38 para ser precisa, faz-se luz na minha leitura e exclamo "K. vem de Kami!!". Mas uma vez... reconheço que caí na armadilha... porque K. será sempre uma hipótese em aberto, poderá ser um nome qualquer...

Todo o livro teve em mim um sorriso: está a enganar-me, e vai dizendo que me engana, ficção da ficção da ficção...


Mas isso fica para outro post!

Leitora

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  Contribuição para a partilha
Devia ter relido o livro antes de participar (li-o já em Agosto e a minha memória vai deixando muito a desejar), mas não tive tempo, embrenhado que estou na leitura do último romance da Patrícia Melo. Ainda assim, para corresponder ao convite que gentilmente me fizeram, sempre me ocorre dizer que o "programa" de "Os Papéis de K." está logo expresso nos primeiros parágrafos: este é um livro sobre as armadilhas e os desvãos da memória e sobre o mistério da literatura. Todavia, há ali muito mais do que isto (que já não seria pouco); há uma história envolvente e magistralmente narrada, com a simplicidade a que só os mais capazes conseguem chegar, o que nos leva a devorar o livro até ao fim.


Jorge

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O QUE ESTAMOS A LER

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PROXIMAS LEITURAS

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LEITURAS NO ARQUIVO

"ULISSES", de James Joyce (17 de Julho de 2003 a 7 de Fevereiro de 2004)

"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

"AS ONDAS", de Virginia Woolf (13 a 20 de Outubro de 2003)

"AS HORAS", de Michael Cunningham (27 a 30 de Outubro de 2003)

"A CIDADE E AS SERRAS", de Eça de Queirós (30 de Outubro a 2 de Novembro de 2003)

"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

"PEQUENO TRATADO SOBRE AS ILUSÕES", de Paulinho Assunção (22 a 28 de Dezembro de 2003)

"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. IV - Sodoma e Gomorra)", de Marcel Proust (1 a 30 de Setembro de 2004)

"UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES" e outros, de Clarice Lispector (1 a 31 de Outubro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. V - A Prisioneira)", de Marcel Proust (1 a 30 de Novembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", de José Saramago (1 a 21 de Dezembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ", de José Saramago (21 a 31 de Dezembro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VI - A Fugitiva)", de Marcel Proust (1 a 31 de Janeiro de 2005)

"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

"A GRANDE ARTE", de Rubem Fonseca (1 a 30 de Abril de 2005)

"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2005)

UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

"RICARDO III" e "HAMLET", de William Shakespeare (1 a 31 de Janeiro de 2006)

"SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE" e "PALOMAR", de Italo Calvino (1 a 28 de Fevereiro de 2006)

"OTELO" e "MACBETH", de William Shakespeare (1 a 31 de Março de 2006)

"VALE ABRAÃO", de Agustina Bessa-Luis (1 a 30 de Abril de 2006)

"O REI LEAR" e "TEMPESTADE", de William Shakespeare (1 a 31 de Maio de 2006)

"MEMÓRIAS DE ADRIANO", de Marguerite Yourcenar (1 a 30 de Junho de 2006)

"ILÍADA", de Homero (1 a 31 de Julho de 2006)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2006)

POESIA DE ALBERTO CAEIRO (1 a 30 de Setembro de 2006)

"O ALEPH", de Jorge Luis Borges (1 a 31 de Outubro de 2006) (link)

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS (1 a 30 de Novembro de 2006)

"DOM CASMURRO", de Machado de Assis (1 a 31 de Dezembro de 2006)(link)

POESIA DE RICARDO REIS E DE FERNANDO PESSOA (1 a 31 de Janeiro de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 28 de Fevereiro de 2007)

"O VERMELHO E O NEGRO" e "A CARTUXA DE PARMA", de Stendhal (1 a 31 de Março de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 30 de Abril de 2007)

"A RELÍQUIA", de Eça de Queirós (1 a 31 de Maio de 2007)

"CÂNDIDO", de Voltaire (1 a 30 de Junho de 2007)

"MOBY DICK", de Herman Melville (1 a 31 de Julho de 2007)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2007)

"PARAÍSO PERDIDO", de John Milton (1 a 30 de Setembro de 2007)

"AS FLORES DO MAL", de Charles Baudelaire (1 a 31 de Outubro de 2007)

"O NOME DA ROSA", de Umberto Eco (1 a 30 de Novembro de 2007)

POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (1 a 31 de Dezembro de 2007)

"MERIDIANO DE SANGUE", de Cormac McCarthy (1 a 31 de Janeiro de 2008)

"METAMORFOSES", de Ovídio (1 a 29 de Fevereiro de 2008)

POESIA DE AL BERTO (1 a 31 de Março de 2008)

"O MANUAL DOS INQUISIDORES", de António Lobo Antunes (1 a 30 de Abril de 2008)

SERMÕES DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA (1 a 31 de Maio de 2008)

"MAU TEMPO NO CANAL", de Vitorino Nemésio (1 a 30 de Junho de 2008)

"CHORA, TERRA BEM-AMADA", de Alan Paton (1 a 31 de Julho de 2008)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2008)

"MENSAGEM", de Fernando Pessoa (1 a 30 de Setembro de 2008)

"LAVOURA ARCAICA" e "UM COPO DE CÓLERA" de Raduan Nassar (1 a 31 de Outubro de 2008)

POESIA de Sophia de Mello Breyner Andresen (1 a 30 de Novembro de 2008)

"FOME", de Knut Hamsun (1 a 31 de Dezembro de 2008)

"DIÁRIO 1941-1943", de Etty Hillesum (1 a 31 de Janeiro de 2009)

"NA PATAGÓNIA", de Bruce Chatwin (1 a 28 de Fevereiro de 2009)

"O DEUS DAS MOSCAS", de William Golding (1 a 31 de Março de 2009)

"O CÉU É DOS VIOLENTOS", de Flannery O´Connor (1 a 15 de Abril de 2009)

"O NÓ DO PROBLEMA", de Graham Greene (16 a 30 de Abril de 2009)

"APARIÇÃO", de Vergílio Ferreira (1 a 31 de Maio de 2009)

"AS VINHAS DA IRA", de John Steinbeck (1 a 30 de Junho de 2009)

"DEBAIXO DO VULCÃO", de Malcolm Lowry (1 a 31 de Julho de 2009)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2009)

POEMAS E CONTOS, de Edgar Allan Poe (1 a 30 de Setembro de 2009)

"POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA", de Harper Lee (1 a 31 de Outubro de 2009)

"A ORIGEM DAS ESPÉCIES", de Charles Darwin (1 a 30 de Novembro de 2009)

Primeira Viagem Temática BLOOMSDAY 2004

Primeira Saí­da de Campo TORMES 2004

Primeira Tertúlia Casa de 3 2005

Segundo Aniversário LP

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