Leitura Partilhada
quinta-feira, novembro 30, 2006
  Fernando Pessoa, 13 de Junho de 1888, 30 de Novembro de 1935
Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...


(Acordar, de Álvaro de Campos)

nastenka-d
 
segunda-feira, novembro 27, 2006
  Bibliotecas
É justo que a nova Biblioteca de Tavira venha a chamar-se (ao que ouvi dizer) Biblioteca Álvaro de Campos. O engenheiro foi lá que nasceu.

Ana
 
domingo, novembro 26, 2006
 
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Do poema Se te queres matar



...
laerce
 
quinta-feira, novembro 23, 2006
  A poesia está na rua



Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

Come, pequena suja, come!

Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!

Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,

Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.


(...)


Um destes dias, numa conversa sobre poesia com Manuel António Pina e Nuno Artur Silva, mediada por Paula Moura Pinheiro na 2:, dizia-se que a poesia se encontra essencialmente na rua, muito mais do que nos livros de poesia, e que muito poucos poemas escritos serão dignos de serem considerados poesia. Concordo em absoluto. A rua é o local por excelência para momentos de revelação, de iluminação, de transcendência, as tais epifanias a que se referia tantas vezes Joyce. Um poema limita-se a cristalizar esses momentos. A verdadeira poesia escrita será quando muito um portal que nos abre os olhos para a poesia que todos os dias passa por nós na rua, despercebida e misteriosa, quase sempre mascarada sob a forma da banalidade, como uma qualquer pequena comendo chocolates.


riverrun
 
terça-feira, novembro 21, 2006
 
conheces alguém que tivesse levado porrada?

No poema em linha recta a porrada é psicológica, mas dói. Muito. A ponto de se poder dizer que quem a leva é também um semideus.

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laerce
 
segunda-feira, novembro 20, 2006
 
curiosidade: moeda antiga




100 Escudos, homenagem a Fernando Pessoa.


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laerce
 
sábado, novembro 18, 2006
 
Campos, isto também é contigo!


Borges a Pessoa...

"Nada te costo renunciar a las escuelas y a las dogmas, las vanidosas figuras de rotorica y la tarea insistente de representar un país, una clase o una epoca. Seguro nunca pensaste en tu lugar en la historia de la literatura. tengo la seguridad que los homenages sonoros te espantan, que te espantan tanto que va directo a tu corazon.Eres hoy el poeta de Portugal, alguien pronunciara inevitablemente el nombre de Camoes.Escribiste para ti, no para la gloria...Dejame ser tu amigo !!!!"
.
Jorge Luis Borges

Carta a Fernando Pessoa. 02-01-1985


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laerce
 
sexta-feira, novembro 17, 2006
  Até já







azuki
 
 
(Pierre Jaquet-Droz)

Ode Triunfal
(...)
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)


Uma febre que contrasta dramaticamente com o idílio campestre de Caeiro (À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica / Tenho febre e escrevo), onde a justa medida da proporção e da simetria é substituída por uma medida bem menos justa, a da força e do excesso (Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, / Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos). A civilização moderna é o novo mote, com todos os seus desequilíbrios, ruídos, hedonismos,.. e com todo o dinamismo que permite esta magnífica exteriorização de vitalidade em forma de poesia. Trata-se de um poema imenso (as divagações não acabam) de um Eu insaciável que se quer fundir com os maquinismos porque o corpo humano não basta para quebrar as fronteiras e funcionar em cadência ininterrupta, tal como a torrente de pensamentos e de emoções do poeta. Agressivo, ousado, delirante, estridente, Campos quer abranger tudo e ultrapassar todos os limites, como se quisesse trespassar-se com a realidade.

São o desejo e o conhecimento que nos permitem ultrapassar as contingências físicas e manipular o mundo, talvez uma ode às máquinas lhes seja dirigida; o resto será sarcasmo, puro e brilhante sarcasmo.

azuki
 
quinta-feira, novembro 16, 2006
  Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
(…)

Compare-se este poema de 1934 com a vitalidade que transborda de “Ode Triunfal”, aparecida 20 anos mais cedo... O Campos tardio é o Campos atormentado e resignado, que se deixa vencer pelo tédio e que desiste de fazer escolhas. Ele é, de todos os heterónimos, aquele em que melhor se sente a erosão que o tempo provoca. Ao Campos que outrora fazia a apologia da liberdade, tudo se afigura um malogro: Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela? / Que importa? Todo o universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela. Mas… a liberdade também passa por perseguir a realização e é por isso que a faculdade de poder optar é tão importante. Se acreditarmos que tudo é em vão, para que nos serve a liberdade?

azuki
 
quarta-feira, novembro 15, 2006
  Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade
(…)
Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.
(…)
Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?
Por que é que me chamaste para o alto dos montes
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?
Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela
Como quem está carregado de ouro num deserto,
Ou canta com voz divina entre ruínas?
Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?
(…)
A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.

De um lado, a sobriedade e a simplicidade de Caeiro; do outro, a torrente verbal e a hiper-estimulação de Campos. Realmente, não parece haver nada em comum entre o mestre e o seu discípulo (a respeito de uma conversa havida entre ambos, este último desabafou: nessa altura, senti carnalmente que estava discutindo, não com outro homem, mas com outro universo). O percurso de Campos começa num inexcedível (e irónico) entusiasmo pela sociedade moderna e pelas maravilhas da técnica e termina no mais completo desencanto. Que os extremos se tocam, é algo que se repete desde os tempos primordiais da filosofia: de um intenso entusiasmo à cabal desistência vai apenas um passo, do querer sentir tudo de todas as maneiras até à mais completa atonia, o caminho revela-se curto, demasiado curto. Ele bem dizia ao seu mestre: mas por que é que ensinaste a clareza da vista, / Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?

azuki
 
terça-feira, novembro 14, 2006
  Se eu casasse com a filha da minha lavadeira / Talvez fosse feliz.
Mas que grande peta. Caro Campos, acaso julgas que alguém te acreditará?... Faz o teu ar mais circunspecto e, mesmo assim, não conseguirás enganar uma única pessoa (incluindo o principal: tu próprio). É verdade que, por vezes, um homem diz coisas em que não crê, por puro desalento. Enfim, todos temos direito às nossas bacoquices e até a pequenos momentos de insinceridade. Bem sabes que exiges bastante mais para te cumprires como ser humano.

(...)
Feliz o homem marçano
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada,
Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio,
Que dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria.

(...)

Uma visão redutora, um raciocínio quase pusilânime? Não, apenas um desabafo, por desespero ou por cinismo, e sem autenticidade. A felicidade acomodada e sem grandes perturbações também exige capacidade de gestão de quem se é e do que se tem, conforme as circunstâncias envolventes (o marido da filha da lavadeira e o homem marçano não são necessariamente felizes). Por outro lado, sabemos que fugir ou fingir é ilusório e, ainda que no dia-a-dia nos tentemos preservar da “desordem”, estaremos dispostos a correr o risco, porque a intranquilidade que possa advir da aprendizagem é um pequeno preço a pagar por um estádio superior de realização. Vá lá, Campos, tu és feito de outra matéria.

azuki
 
segunda-feira, novembro 13, 2006
  Sobre o post de azuki em 9-11-2006
(Amadeo de Souza-Cardoso, Barcos, 1913, óleo sobre tela)
Álvaro de Campos é um angustiado, querendo sempre ser outro, estar noutro sítio e esse outro nesse sítio é que seria feliz. Não conseguindo resolver a contradição de Campos ser feliz sendo não-Campos noutro lugar, vive inquieto, sem propósito, sem nexo, sem consequência. Sem presente. Naquela reflexão sobre o tempo, que azuki apresentou, Campos compraz-se afirmando a mágoa pelas suas decisões passadas que, de resto, acharia sempre erradas quaisquer que elas fossem. Há uma espécie de saudade do negativo de si. É interessante fazer o contraponto com uma reflexão idêntica de T.S. Eliot nos Four Quartets:
Time present and time past
Are both perhaps present in time future
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
all time is unredeemable.
What might have been is an abstraction
Remaining a perpetual possibility
Only in a world of speculation.
What might have been and what has been
Point to one end, which is allways present.
Aqui, o poeta anglo-americano, resolve a angústia com uma penada: o que poderia ter sido é uma abstracção especulativa; o que poderia ter sido e o que foi apontam para um fim sempre presente – a morte. Campos é mais patológico, mais teatral, mais torturado: o que ele não foi é um cadáver, que arrasta consigo. Campos, embora engenheiro por Glasgow, viajado e moderno, é um poeta português.

paulo
 
domingo, novembro 12, 2006
 
revistas e congressos








Portugal é um país de sonhos, não de sonho (é se comparado com o I. / o A. /o continente a./ e por aí). Não é de agora que se acredita lavar a cara do país com a força da democracia ou com a democracia da força. Nos princípios do século, acompanhando as grandes transformações na arte e em tudo, a revista Portugal Futurista pretende ser a voz que vai acordar o país definitivamente, aliás não só o país mas também a própria Europa. Calaram-na! Só um número! E ainda por cima apreendida quando ia a sair de casa, que é como quem diz da tipografia.
Pessoa Campos colaborou na revista, e de que maneira. Ultimatum pra eles!
O «Ultimatum» de Álvaro de Campos, na Portugal Futurista, 1917.
Fotos daqui
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laerce
 
sábado, novembro 11, 2006
 

Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima,
Começam chegando os primitivos da espera,
Já ao longe o paquete de África se avoluma e esclarece.
Vim aqui para não esperar ninguém,
Para ver os outros esperar,
Para ser os outros todos a esperar,
Para ser a esperança de todos os outros.

Trago um grande cansaço de ser tanta coisa.
Chegam os retardatários do princípio,
E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser,
Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me fita muito mas rapidamente.

Regresso à cidade como à liberdade.

Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.



Comentário: Esta presença dos outros nos poemas de Campos vejo-a como uma grande manifestação de solidão e por mais que o poeta diga que está ali para ser os outros, para ser a esperança dos outros, a verdade é que os outros são sempre os outros e ele, Campos, será apenas ele. Muitos expressivos visualmente os dois últimos versos (1+1), assim separados dos outros lá em cima.

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laerce
 
sexta-feira, novembro 10, 2006
  Citações
Um post da Ana:

Ode marítima


Ah, [...]


Ah, [...]


Ah [...]


Ah, [...]


Ó [...]


Ah, [...]


Ah, [...]

Ah, [...]

Ah, [...]

Ah,[...]

Ah, [...]


Ah, [...]

Ahò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-yyyy... [...]
[...] ahò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò-ò - yyyy...) [...]

Ah [...]

Eh [...]

Eh [...]


Eh [...]
Eh [...]


Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]


Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]

Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]

Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]


Eh-eh-eh-eh-eh! [...]


Eh-eh-eh-eh eh! Eh eh-eh-eh eh! Eh-eh-eh-eh-eh-eh eh!
Eh lahô-lahô laHO-lahá-á-á-à-à! [...]

- ah! [...]

[...] -aw-aw-aw-aw!
[...] -aw-aw-aw-aw!
[...] a-a-aft [...] ru-u-u-u-u-u-u-u-u-um [...].

Eia, [...], eia!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Eh-lahô-lahô-laHO-lahá-á-á-à-à!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
[...]
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]

Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]

Ahó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-yyyy...
[...] ahó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó- yyyy...

Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! [...]

Ah [...]

Ah, [...]

(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
1ª publ. in Orpheu, nº2. Lisboa: Abr.-Jun. 1915.)
 
 

O Binómio de Newton

O Binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó---óóóóóó óóó---óóóóóóó óóóóóóóó
(O vento lá fora.)


15-1-1928


Compreendo o que faz Vénus de Milo neste poema matemático, o que já me custa ver é por que teve Campos de utilizar o parênteses para explicar o óóóóó…. Porque se podia confundir com o óó de adormecer? Vai ver que é isso. E se não é? E se for mesmo porque o vento tem tanta importância no poema como o Binómio ou a Vénus? E que importância tem a pouca gente que dá por isso, ou a pouca gente é o mais importante? Ou será que o poeta quer acordar a muita gente que fica de fora e que passa pela vida fazendo óóóóó e não sabe apreciar o Binómio, ou a Vénus, ou o vento?

nota: informação sobre o Binómio de Newton
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laerce
 
quinta-feira, novembro 09, 2006
 

(...)
Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.
(...)
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
(...)

para repetir dez vezes por dia:
Há uma vertente da memória que teima em nos conduzir por caminhos que nunca percorremos, doendo-nos esse alguém que não fomos e tudo o que não fizemos: “o irreparável do nosso passado”. Existirá sempre uma angústia funda que nos diz que, por um segundo diferente, a vida teria tido mil outros trilhos. Mas as imagens, sensações, experiências e emoções de que nos fazemos acompanhar deveriam servir para nos iluminar a existência, e não como um esconderijo de um presente sem significado e de um futuro que não se deseja. Este raciocínio também é válido para todos os nossos ses.

azuki
 
quarta-feira, novembro 08, 2006
 
Subitamente, nos dois últimos dias, as estatísticas do Leitura Partilhada viveram uma pequena explosão. Terá sido porque utilizei as palavras "amor", "paixão" e... "erótica"?

erótica
erótica
erótica
erótica
erótica
erótica
erótica

azuki
 
terça-feira, novembro 07, 2006
  Porque é que as cartas de amor são ridículas?
Transcrever esse poema para o Leitura Partilhada levou-me a reflectir sobre o mecanismo. O facto de as cartas de amor serem ridículas é algo que se intui. Mas, exactamente, porquê? Porque acontecem em momentos de exacerbamento das emoções (que nos ofuscam a razão e tornam ténues o auto-domínio e o pudor) e porque escrever é mais simples do que fixar outros olhos, levando-nos a registar sentimentos extremos em palavras que habitualmente não usamos. Porque não é fácil falar de amor e de paixão com graciosidade e equilíbrio sem tropeçar num discurso delico-doce ou imbecil, e porque quem as escreve não costuma ter as aptidões literárias de um Fernando Pessoa (que, como génio que era, nunca poderia ter escrito cartas de amor ridículas, mas sim cartas de amor belas e intemporais). Porque, no reconhecimento da extinção de um grande amor ou paixão, os autores sofrem um misto de frustração, de humilhação e de desencanto.

Contudo, por excessivas e vibrantes que sejam, as cartas de amor são admiráveis testemunhos da afectividade humana e quem um dia as escreveu não deveria sentir a necessidade de se retratar perante si próprio.

azuki
 
segunda-feira, novembro 06, 2006
  De certeza que Pessoa e Campos eram o mesmo?!
Todas as cartas de amor são ridículas. Entendo e concordo com o conceito, mas também me apetece dizer que há cartas de amor belíssimas, que nos tocam e que nos enternecem, e que nada têm de ridículo. É verdade que estamos mais expostos quando falamos sobre a Vénus de Milo do que quando falamos sobre o binómio de Newton e que certos textos só devem ser lidos com o coração aberto. Ridículas? Ridículas eram as cartas de amor de Fernando Pessoa, que encaixam lindamente na minha definição de massacre. Infantis e mimalhas para além do razoável, imaturas, apalermadas, patéticas mesmo. Ainda bem que ele só teve uma namorada e que esse namoro durou pouco (em dose dupla, mas curta), poupando-nos à miséria que seria descobrir um extenso rol dessas aberrações. Acima de tudo, pôde canalizar energias para isto, isto, isto, poesia de uma impressionante força erótica:

ODE MARÍTIMA
(…)
Sim, sim, sim... Crucificai-me nas navegações
E as minhas espáduas gozarão a minha cruz!
Atai-me às viagens como a postes
E a sensação dos postes entrará pela minha espinha
E eu passarei a senti-los num vasto espasmo passivo!
Fazei o que quiserdes de mim, logo que seja nos mares,
Sobre conveses, ao som de vagas,
Que me rasgueis, mateis, firais!
(…)
Façam enxárcias das minhas veias!
Amarras dos meus músculos!
Arranquem-me a pele, preguem-a às quilhas.
E possa eu sentir a dor dos pregos e nunca deixar de sentir!
Façam do meu coração uma flâmula de almirante
Na hora de guerra dos velhos navios!
Calquem aos pés nos conveses meus olhos arrancados!
Quebrem-me os ossos de encontro às amuradas!
Fustiguem-me atado aos mastros, fustiguem-me!
A todos os ventos de todas as latitudes e longitudes
Derramem meu sangue sobre as águas arremessadas
Que atravessam o navio, o tombadilho, de lado a lado,
Nas vascas bravas das tormentas!
(…)
Embrulho-me em tudo isto como uma capa no frio!
Roço-me por tudo isto como uma gata com cio por um muro!
Rujo como um leão faminto para tudo isto!
Arremeto como um toiro louco sobre tudo isto!
Cravo unhas, parto garras; sangro dos dentes sobre isto!
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
(…)
Ser o meu corpo passivo a mulher-todas-as-mulheres
Que foram violadas, mortas, feridas, rasgadas pelos piratas!
Ser no meu ser subjugado a fêmea que tem de ser deles
E sentir tudo isso - todas estas coisas duma só vez - pela espinha!
(…)
Estar convosco na carnagem, na pilhagem!
Estar orquestrado convosco na sinfonia dos saques!
Ah, não sei quê, não sei quanto queria eu ser de vós!
Não era só ser-vos a fêmea, ser-vos as fêmeas, ser-vos as vítimas,
Ser-vos as vítimas - homens, mulheres, crianças, navios -,
Não era só ser a hora e os barcos e as ondas,
Não era só ser vossas almas, vossos corpos, vossa fúria, vossa posse,
Não era só ser concretamente vosso acto abstracto de orgia,
Não era só isto que eu queria ser - era mais que isto o Deus-isto!
Era preciso ser Deus, o Deus dum culto ao contrário,
Um Deus monstruoso e satânico, um Deus dum panteísmo de sangue,
Para poder encher toda a medida da minha fúria imaginativa,
Para poder nunca esgotar os meus desejos de identidade
Com o cada, e o tudo, e o mais-que-tudo das vossas vitórias!
(…)

azuki
 
domingo, novembro 05, 2006
 
Ah a frescura na face de não cumprir um dever!


Álvaro de Campos é demasiado verdadeiro, demasiado sincero, demasiado humano. A Fernando Pessoa não lhe chegava dividir-se ele mesmo, dividia também os seus ‘compagnons de route’ e vemos um Campos repartido em três, o decadente, o futurista, o niilista, e depois todos aqueles ismos a perder de vista. O espelho que reflecte Campos é um espelho quebrado, múltiplos pedacinhos e nós a tentarmos catalogá-los como se fosse possível. Mas, em poesia podemos sempre sentir a frescura na face de não cumprir um dever.
...
laerce
 
sábado, novembro 04, 2006
 
Há apenas duas coisas interessantes em Portugal -
a paisagem e o Orpheu.

Álvaro de Campos






...
laerce
 
 
Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Hoje, não se escrevem cartas de amor, escrevem-se e-mail´s de amor e SMS´s de amor (que horror…). As minhas "cartas de amor" são ridículas. As cartas de amor de Fernando Pessoa eram mais do que ridículas. Eu posso escrever cartas de amor ridículas porque eu não sou o Nininho.

azuki
 
sexta-feira, novembro 03, 2006
  Plaaaaaaaastic Man!!

(...)
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Não é longo o percurso de um supremíssimo desejo a um supremíssimo cansaço. Cansaço. Dez vezes a palavra “cansaço”. O cansaço da intranquilidade e da desesperança (como pode ter esperança o humano que não se contenta com os limites de que é feito?). Ele é tão intenso que só pode ficar exausto, ele é tão intenso que nunca poderá viver apaziguado. Avassalado, subjugado, trespassado? Não, nenhuma destas palavras capta o seu estado de espírito, nem sequer a palavra “supremíssimo”, que parece exigir a repetição do sufixo formativo do superlativo absoluto sintético. Um Álvaro de Campos alephado?

Enquanto os demais desejam o infinito e o impossível enquadrados pela sua condição, Campos aspira ao finito e ao possível mas de um modo desmedido, como se o seu cérebro e o seu corpo se fossem desintegrar. De que forma o imagino? Um ser em implosão ou… o Homem Plástico.

azuki
 
  Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas.

Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 in de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos – o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma – só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É, um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.

Carta a Adolfo Casais Monteiro (Lisboa, 13 de Janeiro de 1935)
 
quinta-feira, novembro 02, 2006
 


Placa inserida num monumento a Pessoa, com todas as personalidades que manteve, nos Claustros do Mosteiro dos Jerónimos.

Elsita

 
 
(...)
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosa em torno de si,
Cruzando-se em todas as direcções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam.

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minha'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direcções!

O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...
O Campos queria ser um aleph...

azuki
 
  A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim.
(...) Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. (…) a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – (...) fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. (…) assim tudo acaba em silêncio e poesia...
(…)
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)
(…)
Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases (…). Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura – cara, estatura, traje e gesto – imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo... E tenho saudades deles.
(...)

Carta a Adolfo Casais Monteiro (Lisboa, 13 de Janeiro de 1935)

 
quarta-feira, novembro 01, 2006
 
um outro engenheiro






Um belo dia para a chegada de Álvaro de Campos, este primeiro de Novembro. Por aqui o céu está cinzento mas o calor atípico introduz uma densidade nova nas memórias que guardamos dos que amaremos para sempre. Se é certo que Campos nunca viveu, também é certo que nunca morreu e não compreendo por que razão existe o lado Campos nos Jerónimos e não existe o lado Bernardo Soares, pelo menos. A ânsia de enquadrar geometricamente um poeta comporta os seus riscos, como neste caso.
Embora Campos nunca tenha vivido, podemos encontrar retratos e poemas dele. Os retratos são feitos por pintores e os poemas são escritos pela mão emprestada de Fernando Pessoa, o que viveu e morreu de verdade, que esteve anos no Cemitério dos Prazeres e depois foi trasladado para o claustro dos Jerónimos.
Nos retratos que tenho visto de Campos, intriga-me o conteúdo daquela maleta. Sendo engenheiro é lógico que ali devem estar projectos, traçados, linhas, ângulos, orçamentos, relatórios, no entanto, acredito mesmo que estão as extensas odes que Pessoa se encarregou de substituir enquanto Campos adormecia cansado de ser tudo de todas as maneiras.

...

laerce

 
  Senhoras e Senhores: Álvaro de Campos
 

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"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

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"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

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"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

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"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

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"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

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UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

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