Leitura Partilhada
segunda-feira, julho 31, 2006
  A Frederico Lourenço, tradutor da Ilíada:
Bem haja.

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(...) as figuras troianas que mais ficarão na mente do leitor da Ilíada são as femininas: Hécuba, com o seu sofrimento esmagador; Andrómaca, de cuja boca Homero faz sempre fluir poesia da mais arrebatada genialidade; e Helena, que não sendo troiana, está fisicamente em Tróia durante a guerra: afinal, é por causa de todas as mortes por ela provocadas que a Ilíada constitui o canto mais "trágico" (mesmo antes de existir tragédia... (...)) alguma vez composto sobre a condição humana.

Frederico Lourenço, Introdução à Ilíada

azuki

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"Sabem como começou a literatura europeia?", perguntava, após ter feito a chamada na primeira aula. "Com uma discussão. Toda a literatura europeia nasce de uma briga.” Depois pegava no seu exemplar da Ilíada e lia aos estudantes os versos da introdução. “”Divina Musa, cantai da desastrosa ira de Aquiles… Começai onde eles primeiro discutiram, Agamémnon, o rei dos homens, e o grande Aquiles.” E acerca de que discutem essas duas violentas e poderosas criaturas? De uma coisa tão primitiva como uma rixa de taberna. Discutem por causa de uma mulher. Uma rapariga, na verdade. Uma rapariga roubada ao seu pai. Uma rapariga raptada numa guerra. (…) Quando Aquiles exige que Agamémnon devolva a rapariga ao pai a fim de apaziguar Apolo, o deus que está furiosamente zangado devido às circunstâncias que rodearam o rapto, Agamémnon recusa: só anuirá se Aquiles lhe der a rapariga dele em troca. Voltando assim a inflamar Aquiles. O adrenalínico Aquiles, o mais altamente inflamável dos explosivos homens violentos que escritor algum jamais teve o prazer de retratar, sobretudo quando estão em causa o seu prestígio e o seu apetite; a máquina de matar mais hipersensível da história da guerra. O famoso Aquiles: afastado e antagonizado por uma afronta à sua honra. Grande e heróico Aquiles que, pela força da sua cólera perante um insulto - o insulto de não conseguir a rapariga -, se isola e coloca desafiadoramente à margem da própria sociedade da qual é o glorioso protector e que tão enormemente precisa dele. Uma desavença, portanto, uma desavença brutal por causa de uma jovem e do seu jovem corpo, das delícias da rapacidade sexual: é aí, para o bem ou para o mal, é nessa afronta ao direito fálico, à dignidade fálica de um possante príncipe guerreiro, que começa a grande literatura imaginativa da Europa, e é por isso que, quase três mil anos depois, é por aí que hoje vamos começar…”.

Philip Roth, A Mancha Humana

azuki

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domingo, julho 30, 2006
 
Nude Study of Hector, 1778
Jacques-Louis David
Musée Fabre, Montpellier
azuki

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sábado, julho 29, 2006
 
Pallas Athene
Gustav Klimt, 1890 - 91

The Obsequies of Patroclus
Jacques-Louis David, 1779
National Gallery of Ireland, Dublin

Achilles grasps at the shade of Patroclus
Henry Fuseli, 1803
Kunsthaus, Zurich

Andromache mourns Hector
Jacques-Louis David, 1783
Louvre, Paris
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“vemos , ouvimos e lemos, não podemos…”




M. Burgess,Temple of Olympian Zeus, Greece



Os gregos e os troianos aplacavam a ira dos deuses e solicitavam o seu auxílio oferecendo-lhes sacrifícios, animais e humanos, denominados também hecatombes, nesta obra que temos vindo a ler. Nas batalhas de hoje, as hecatombes sucedem-se sob a cobardia e o jogo de interesses dos deuses de pés de barro do século XXI.
...
laerce

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sexta-feira, julho 28, 2006
  Troféus de guerra
(The Battle over the body of Patroclus; attic black figure kylix; 530BC;
attributed to Exekias; Antikensammlungen, Munich)

Indignamo-nos a imaginar a raiva de Aquiles, arrastando o cadáver mutilado de Heitor e negando à família uma última homenagem ao morto. Já não é tão confortável pensar que o homem que esse cadáver era, teve exactamente os mesmos instintos.

Ora Heitor despira de Pátroclo as armas gloriosas e arrastava-o
para dos ombros lhe cortar a cabeça com bronze afiado
e dar depois o cadáver aos cães de Tróia para comerem.

(Canto XVII)

azuki

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quinta-feira, julho 27, 2006
  Em prol da Paz
(Picasso)

International Committee of the Red Cross
United Nations, UN Refugee Agency, UN High Commissioner for Human Rights, International Criminal Court
Committee on the Rights of the Child
International Criminal Tribunal for the Former Yugoslavia
International Criminal Tribunal for Rwanda
Corte Interamericana de Derechos Humanos
Inter-American Commission on Human Rights
Amnesty International
Human Rights Watch
Medecins Sans Frontieres
Assistência Médica Internacional
...
azuki

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quarta-feira, julho 26, 2006
  Guerra
A guerra é uma espécie de alienação. Praticam-se actos inexplicáveis de ambos os lados, ficam à solta os comportamentos mais primários e o melhor dos bons também é capaz do pior. Matar para se defender vem, muitas vezes, acompanhado de uma enorme raiva, e a defesa extravasa no sentido da agressão. A guerra também é um álibi para os selvagens cometerem as piores atrocidades, mas o facto é que o ser humano se transfigura e não parece haver meio-termo entre a fúria e a indiferença. A ostentação da derrota e do sofrimento do inimigo sempre fizeram parte dos troféus de guerra e foram necessários muitos séculos para que a Humanidade criasse códigos de conduta na guerra e assimilasse essas regras como fundamentais.

Some of the central principles underlying laws of war are:
• That wars should be limited to achieving the political goals that started the war (e.g., territorial control) and should not include unnecessary destruction;
• That wars should be brought to an end as quickly as possible;
• That people and property that do not contribute to the war effort be protected against unnecessary destruction and hardship.

To this end, laws of war are intended to mitigate the evils of war by:
• Protecting both combatants and noncombatants from unnecessary suffering;
• Safeguarding certain fundamental human rights of persons who fall into the hands of the enemy, particularly prisoners of war, the wounded and sick, and civilians; and
• Facilitating the restoration of peace.
(in Wikipedia)

Reflecte-se desde sempre sobre o comportamento militar (vide Sun Tzu, no sec VI a.C.) mas foi apenas nos últimos 150 anos que, efectivamente, começaram a estabelecer-se e a impor-se limites. Em 1864, é assinada a primeira Convenção de Genebra.

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terça-feira, julho 25, 2006
  Quem é o agressor?
(Julián Totino Tedesco, Duelo – esboço)
A guerra é algo tão hediondo que só a conseguimos encarar se nela encontrarmos alguma legitimidade, o que nos ajuda a tomar um partido e, de certa forma, nos acalma. Essa legitimidade é, geralmente, de quem se defende, a si ou aos seus princípios. Tróia foi invadida e tudo fez para se defender. Mas, afinal, quem foi atacado primeiro?

Só poderemos tentar compreender/julgar comportamentos se os inserirmos na sua época (convencendo-nos de que foi por Helena que centenas de naus se deslocaram até Tróia e o cerco a esta se perpetuou por dez anos…). Muitos séculos mais tarde, os homens batiam-se em duelo; até há bem pouco tempo, no mundo dito civilizado, era usual marido matar a mulher; e na Idade do Bronze? Haveria outra forma de um homem limpar a sua honra?

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segunda-feira, julho 24, 2006
  Grupo de Laocoonte
(Grupo de Laocoonte, sec. I a.C.,
autoria atribuída a Hagesander, Athenodorus e Polydorus)
Laocoonte alertou para a ameaça que o cavalo de Tróia significava e acabou estrangulado pelas serpentes marinhas de Poseidon. Da próxima vez que eu for ao Vaticano, verei com outros olhos esta escultura impressionante.

azuki

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sábado, julho 22, 2006
 
o sangue dos deuses




Canto V

Os deuses estão em ‘carne e osso’ no meio de um combate. Do lado dos troianos está “Atena de olhos garços”, do lado dos Argivos está Ares - “ Dos deuses do Olimpo o mais odioso”. Ares está a tirar as armas de uma das suas vítimas e é surpreendido pelo ataque de Atena:


Em seguida arremeteu Diomedes, excelente em auxílio,
com a lança de bronze; e apressou-a Palas Atena
até ao baixo ventre , onde o cingia uma mitra protectora.
Foi aí que o atingiu e feriu, rasgando a linda pele;
de novo retirou a lança. Urrou então o brônzeo Ares,
como urram nove mil ou dez mil homens
na guerra, que se juntam no conflito de Ares.
E um tremor dominou os Aqueus e os Troianos aterrados,
de tal forma urrou Ares que da guerra não se sacia
.
(versos 855- 863)


Marte seguirá para junto de Zeus pai que o repreenderá, mas será curado com “fármacos anuladores de sofrimento”.

Os deuses não saíram do Olimpo para ajudarem nas guerras dos nossos dias, limitaram-se de lá de cima a dar ordem de partida. Ansiamos para que dêem o apito final. É que ali só corre sangue humano.
...
laerce

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sexta-feira, julho 21, 2006
  Era uma vez
... um senhor muito valente que era um pouco fraco dos pés; e um outro senhor, também muito valente, que era uma pessoa muito boa mas que não foi capaz de se manter à tona; e Páris, um adolescente irresponsável que desencaminhou uma mulher casada, aquela cabeça no ar da Helena que conseguiu arranjar um grande imbróglio; e Príamo, tão desgostoso pelas situações que o filho lhe criava, até porque o marido de Helena era irmão de Agamémnon, homem muito poderoso que mandava nos ventos, pese embora não fosse grande chefe de família; descartou-se da filha lá para os deuses e a mulher dele, Dona Cli, viu-se obrigada a tomar uma atitude radical; o filho Orestes, que era um sujeito um bocado revoltado, não gostou nada daquela cena e, já que a família estava em pantanas, arrumou com a mãe.

azuki

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[...] Longínqua e fragmentária, a Ilíada tornou-se para mim uma espécie de continente mítico, inalcançável, onde voltava sempre e em torno do qual giravam todos os outros livros. Porque talvez a Ilíada não seja um livro, mas a própria ideia de literatura. E talvez todos os livros que se escreveram depois reescrevam incessantemente alguma estrofe ou algum verso da Ilíada.Ao longo dos anos, à medida que eu próprio ia mudando, a Ilíada mudava. No múltiplo e desvairado aleph que a Ilíada é, eu comovia-me ora com a despedida de Heitor de Andrómaca e do filho, ora com a dor avassaladora de Aquiles ao saber da morte de Pátrocolo, ora ainda com a coragem ou a infâmia de algum dos breves personagens que a todo o momento emergem e logo de novo se perdem na turba semovente dos combatentes.Mas todos somos, de um modo ou de outro, troianos. E o meu imutável herói foi sempre o destemido, o nobre Heitor. Desde a primeira juvenil leitura detestei a brutalidade de Agamémnon, a arrogância de Aquiles, as manhas e as habilidades retóricas de Ulisses e, em geral, o carácter e os processos dos gregos. Viria, aliás, a descobrir que Agamémnon não hesitara, antes, em assassinar a própria filha para conseguir os seus fins, e que tanto Ulisses como Aquiles tentaram, com expedientes ridículos (Ulisses fazendo-se de louco, Aquiles disfarçado de mulher), desenfiar-se da expedição... E, durante muito tempo, cheguei a alimentar o desmesurado projecto de escrever um longo poema com os acontecimentos ocorridos, que fui descobrindo avulsamente aqui e ali, em Vergílio, em Eurípides, em Sófocles, entre o final da Ilíada e o começo da Odisseia...A tradução de Frederico Lourenço da Ilíada, agora enfim publicada, é decerto um acontecimento histórico para a cultura portuguesa, finalmente aproximando da nossa língua aquele que, como Frederico Lourenço diz, é o livro primeiro e, sob muitos aspectos, o livro maior da literatura europeia. Para mim, como certamente para muitos outros leitores, é, porém, mais do que isso, é o encontro emocionado e feliz com uma parte que me faltava da minha própria vida.
Manuel António Pina, "Visão" - 21/04/05

Artigo colado por Castela

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quinta-feira, julho 20, 2006
 
Helena, Penélope e a outra





Ao contrário das figuras masculinas, as personagens humanas femininas dos dois poemas heróicos, Ilíada e Odisseia, não parecem ser modelos para ninguém. Considerando os valores da sociedade actual no que diz respeito ao discurso amoroso, será que Helena merece mesmo ser a personagem de uma história de amor irresistível e absolutamente necessária? Valerá Helena o extraordinário poema que há uns dias atrás foi colocado aqui nesta páginas?
Quando a vemos na Odisseia (cronologicamente posterior) a partilhar de novo a convivência e o leito de Menelau, há qualquer coisa de estranho que não se adequa a uma personagem heróica e íntegra, diríamos fiel, em comparação com Penélope, a famosa e astuta mulher de Ulisses. Bem, mas esta também não deixa de perturbar ao alimentar esperanças na catrefada de pretendentes que a disputam alegremente comendo e bebendo às custas do desgraçado a quem o deus Poseidon faz passar tantas desgraças. Pior mesmo só a outra, a Clitemnestra. Não esteve pelos ajustes, arranjou um amante, Egisto, enquanto o rei Agamémnon seu marido se digladiava por mais umas tantas vitórias e depois foi o que se sabe.

E Andrómaca? Irão com certeza contrapor. Ela nunca podia fazer parte deste grupo.
...
laerce

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terça-feira, julho 18, 2006
 

Eu sou troiano. É mais confortável para a minha mente humanista.
“Pois não é vergonha nenhuma morrer pela pátria. Pois a salvo ficam a mulher e os filhos e a sua casa e propriedades incólumes, se os Argivos partirem nas naus para a amada terra pátria”.
Heitor
Mas sou principalmente heitoriano.
Cansa-me o egoísmo e futilidade de Páris e Helena, que causam a disputa por apenas um mero desejo não controlado ou por um caprichoso amor, e a soberba de todos aqueles “valentes” (Aquiles, Agamémnon, Menelau, Ulisses...)
Andrómaca e Heitor e o bebé Astíanax, protagonizam no canto VI, um diálogo e(terno) que jamais esquecerei. Ela suplica a Heitor que não combata mais, porque sabe que Aquiles o acabará por liquidar, tal como o fez com seu pai e irmãos.
Heitor confessa que ama Andrómaca e Astíanax, mas tem de cumprir o seu dever e ser responsável defendendo o seu povo. Afirma saber no seu íntimo que Tróia caiará um dia (apelando assim para o sentido efémero da existência) e conclui que não pode alterar a vontade dos Deuses. É talvez o primeiro grande momento da literatura universal.
Ao ler os vários confrontos indetermináveis hiper-realistas, estou sempre à espera, que este meu único livro, tenha um final distinto de todos as outras Ilíadas que a humanidade tem lido (inclusive os leitores do “Leitura Partilhada”) e que o filho de Príamo, regresse com o seu elmo faiscante, apuado de sangue negro do orgulhoso Aquiles, aos braços de Andrómaca e Astíanax. Tenho esperança que Frederico Lourenço se tenha enganado e me vá dar este final, ou então que Zeus se distraia no Olimpo com Hera, ou seja com quem for “ele que a Heitor, só entre muitos homens, outorgou a honra e a glória. É que exígua seria a duração da sua vida, pois já naquele momento lhe apressava o dia fatal... “
Se este não for o destino da minha Íliada pessoal, e eu que tenho alma de cientista descarnado, ficarei muito comovido e verterei lágrimas com a morte do meu herói e passarei a ser um novo elo ”de transmissão da cultura ocidental”.
Eu sou heitoriano e amo os seus ideais.
Castela

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  INTIMAMENTE ESTAMOS TODOS DO LADO DOS TROIANOS
Homero é inquestionavelmente um grande poeta, isso não se pode negar. Mas, devo cair aqui em uma heresia: para mim, a Odisséia é muito superior à Ilíada. A Ilíada tem algo de ignóbil, o tema de cantar a ira de um homem. Podemos salvar Homero supondo que se preferimos Heitor é porque ele também preferia Heitor. Creio que visto assim… por que todo mundo sente simpatia por Tróia e por Heitor e ninguém sente simpatia pelos gregos? É porque são melhor mostrados os troianos. Podemos supor que Homero, mesmo sendo grego, estava intimamente de lado dos troianos. Se todo mundo leu a Ilíada do ponto de vista de Tróia é porque o autor também a escreveu do ponto de vista de Tróia. Não creio que se equivocasse. Todos queriam descender dos troianos e ninguém quis descender de Aquiles. Posso lhe dar um dado bastante curioso: estava lendo a História dos reis da Noruega, de Snorri Sturluson, e há uma referência a Thor, o deus do trovão, e este homem escreve no século XIII, na Islândia, e diz que Thor era, sem dúvida alguma, proveniente de Héc-Thor. Todos queriam ser troianos, mesmo esse homem, ali no distante norte, queria que seus deuses fossem troianos. E depois, sempre que se fala de Odin se diz que veio de Tróia. Todos sentiam atração por Tróia. Não lhes ocorria dizer que eram parentes de Aquiles ou de Agamenon.
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Jorge Luis Borges
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Joana

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segunda-feira, julho 17, 2006
 
“palavras apetrechadas de asas”

Zeus (detail)



Sem dúvida que o artifício mitológico é um excelente contributo para o desenrolar da história da guerra de Tróia. Os deuses possibilitam o entendimento de cada batalha à luz de um destino que ultrapassa o poder deles próprios. Nem Zeus esboça algum gesto para mudar o destino dos povos. Tudo já está determinado, faz-se apenas a gestão dos diferentes momentos, agora ganham os gregos, depois os troianos, e por aí. Mas o que me fascina é mesmo a capacidade imensa que os deuses têm de transporem o Olimpo e misturarem-se com os guerreiros, protegendo-os dos golpes das lanças e das espadas, cobrindo-os com o nevoeiro, a poeira ou simplesmente retirando-os dos lugares onde certamente padeceriam à mão do inimigo. Assim como os deuses, a própria linguagem me fascina também na sua simplicidade. E uma expressão que nunca esquecerei é esta: “palavras apetrechadas de asas”, palavras que nos fazem a nós, mais leitores que ouvintes, parte integrante da Ilíada enquanto herdeiros da cultura grega.
...
laerce

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Gostei muito de participar neste maravilhoso site. Lastimo ter andado desterrado, por este Portugal ignorado da Beira interior, e só muito esporadicamente pude colocar uma entrada no vosso blog, mas nestas duas semanas serei bastante assíduo (estou quase de férias), pois a Ilíada tudo merece.
Confesso que (re)li quase todos os livros que foram propostos pela “Leitura Partilhada”.
Gostei de ver a vossa reacção ao defenderem os “Lusíadas”, onde eu me incluo. Amo profundamente a minha pátria, sem qualquer ponta de chauvinismo, e fico muito entristecido por verificar que os portugueses, não amam a "Lusitânia Notável", porque não conhecem os seus locais de eleição, as suas gentes, os seus méritos, nem tão pouco os seus “deuses”.
Um dos “deuses” de Portugal é obviamente Luís de Camões, cantor feérico dos "meus" campos do Mondego. Gostava que relêssemos os Lusíadas em 2007 o livro de uma das nossas “Odisseias”, que li obrigado e com fastio no nono ano de escolaridade e que retomei naquelas férias grandes longínquas, tornando-se num dos livros da minha vida (tenho mais de vinte). E já agora vamos ler a Odisseia também?
Amanhã, comento o comovente canto VI e o papel de Andrómaca (uma das minhas personagem favorita). Estou no canto XVI.
Castela

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domingo, julho 16, 2006
  Ilíada lida em voz alta
Mostra Internacional de Teatro (Lisboa MITE’06)
Teatro Nacional D. Maria II (Sala Estúdio)
19 JULHO | 21H45
Gianluigi Tosto
Narração da Ilíada (Homero)
1h15
Legendado em português

Gianluigi Tosto, acompanhado apenas de meia-dúzia de instrumentos rudimentares, traz a Lisboa a leitura encenada da Ilíada. O actor italiano recupera assim o primitivo carácter recitativo do poema.

riverrun

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sábado, julho 15, 2006
  Três anos de amor e amizade
Quem diria! Três anos a partilhar leituras e sempre com vontade. É o amor às palavras que nos reune e nos impele a continuar, o vício do intenso sabor que retiramos da fantástica conjugação de frases e sentidos que os escritores nos oferecem. Por isso continuamos, com o mesmo amor do início e uma amizade feita de cumplicidade e comunhão de espíritos.

Troti
 
 
três anos de Leitura Partilhada
três anos de Leitura Partilhada
três anos de Leitura Partilhada

Seria pouco exequível reunir, com frequência, um grupo de pessoas para partilhar leituras. O Leitura Partilhada oferece-nos o privilégio da comunicação diária e, hoje, já não me reconheço como uma consumidora compulsiva de livros, pois ganhei os bons hábitos de reflectir sobre o que leio e de tentar expressar aquilo que penso e sinto. Apraz-me pertencer a este espaço amistoso e sem pretensões, que me ajuda a viver um livro por mês. Passados três anos, estou melhor situada no mundo.

azuki
 
 
Desejavelmente, um blogue não servirá para preencher uma vida vazia, mas para enriquecer uma vida cheia.

Um blogue não pode ser
uma obsessão
uma forma destrutiva de sublimar a agressividade.

Um blogue não deve
implicar descuido no trabalho
encurtar-nos o sono.

Um blogue tem que ser
uma forma saudável de desenvolvimento pessoal.

azuki
 
  Mais um ano a partilhar leituras
 
sexta-feira, julho 14, 2006
  Game Boy
Colocando grande empenho em atingir os seus fins e em proteger os seus interesses, os deuses ajudam o guerreiro preferido movidos por sentimentos tão elevados como o ressentimento ou a vaidade. As lutas entre os Homens são uma réplica das suas, como se estivessem lá em cima a jogar connosco, confundindo-nos com sonhos e visões. Os deuses preocupam-se tanto com os mortais que quase não se lembram deles e as suas escolhas parecem arbitrárias, como que a dizer que o mundo é cruel e pouco sensível ao merecimento, e que os Homens acabam por cair, sejam bons ou maus. Se atentarmos na forma como as pessoas tratam as pessoas, quando têm sobre elas algum ascendente, talvez encontremos um quadro familiar: subjugar é quase incontrolável. Afinal, os deuses do Olimpo são um espelho da humanidade e…. bom, a humanidade podia ser melhor.

azuki

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quinta-feira, julho 13, 2006
 
(detalhe de Aquiles na corte do rei Licomedes; Colecção Borghese, Museu do Louvre)
Num poema repleto de violência e de destruição, o contraste com os momentos de descanso e de paz funciona de forma admirável. Os intervalos de harmoniosa interacção humana, em que os homens se juntam para comer e beber, recordando a terra longínqua e a família, são momentos luminosos no meio do sufoco. Mas o facto é que este é um poema de exaltação da guerra, em que o verdadeiro herói se distingue pela valentia e pela glória, e não tanto pela prossecução do bem. Talvez Homero não pretenda, nem fazer a apologia da guerra, nem tão-pouco lamentá-la, como que a dizer-nos que o conflito e a luta são uma inevitabilidade e sempre farão parte da nossa natureza e da nossa história.

Os heróis de Homero estão muito acima do comum dos mortais e, se ajudado pelos deuses, um guerreiro pode ser mais poderoso do que todo um exército (aqui está uma sui generis noção das proporções). A Ilíada exalta o valor individual e características como a coragem, a força e a destreza. Uma raça superior, protegida pelos deuses, glorificada nas palavras de Homero, porque as pessoas precisam de heróis.

azuki

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quarta-feira, julho 12, 2006
 
faltam

três dias

para o nosso

terceiro aniversário

 
  HMS Achilles
Admiradora confessa do escritor Patrick O'Brian, lembrava-me de ter lido sobre um HMS Achilles num dos livros da serie Aubrey / Maturin , na qual foi inspirado o filme Master and Commander. No total existiram 10 Achilles na Royal Navy
.
Six ships of the Royal Navy have been named HMS Achilles, after the Greek hero Achilles.
The first Achilles was an 8-gun schooner purchased in 1747. She served in the War of the Austrian Succession and was captured in 1748 by the Spanish.
The second Achilles was a 60-gun fourth-rate launched in 1757 and sold in 1784.
The third Achilles, launched in 1863, was a broadside ironclad frigate. Displacement 9820 tons and had an armament of 20 guns.
The fourth Achilles was a Warrior-class armoured cruiser launched in 1905. She served in World War I and was sold in 1921.
The fifth and famous Achilles, launched in 1932, Leander-class light cruiser. She was made famous for taking part in the Battle of the River Plate in 1939. Later, she was transferred to the RNZN, she was returned at the end of World War II and recommissioned as Delhi before being was sold in the 1948 to India and commissioned as INS Delhi.
The sixth Achilles, launched in 1968, was a Leander-class frigate. She was sold to Chile in 1990 and renamed Ministro Zenteno.
Four ships of the Royal Navy have been named HMS Achille, after the Greek hero Achilles. The French spelling celebrates the capture of ships of this name from the French.
The first Achille was an 8-gun French sloop captured in 1745 during the War of the Austrian Succession.
The second Achille was a storeship purchased in 1780 and sold in 1784.
The third Achille was originally the French 78-gun third-rate ship of the line Annibal launched in 1778, renamed Achille in 1786, and captured at the Glorious First of June in 1794 during the French Revolutionary Wars.
The fourth Achille was 74-gun third-rate built at Gravesend and launched in 1798. She fought at the Battle of Trafalgar and was sold in 1865.
.
Fonte: Wikipedia
Ilustracao:Geoff Hunt,The red flag is hoisted aboard HMS Achilles at the Nore, 1797.
.
Joana

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terça-feira, julho 11, 2006
  Como se chegou aqui
O panteão é uma teia difícil de destrinçar, em que todos serão mais ou menos primos, acrescendo os heróis ou semi-deuses a que as suas relações com os mortais deram origem. Nada como começar pela Teogonia (ou Genealogia dos Deuses), de Hesíodo, onde encontraremos… a origem do mundo. Com mais ou menos imprecisões e ausências, é assim que esta história se organiza na minha mente e foi deste modo que ontem a contei ao jantar, por entre Duas Quintas e gelado de manga:

Primeiro, havia o Caos. Depois, nasceu Gaia (“terra”) que, de forma espontânea, gerou as montanhas, o mar, o céu (Urano)… Este último, em relação incestuosa com a mãe, deu origem a uma vasta prole, onde se contam Ciclopes, os Titãs, os Hecatonquitos,… Mas o facto é que Urano não tinha muita apetência para exercer a paternidade e era cruel com os filhos obrigando-os, por exemplo, a permanecer no ventre da mãe, o que originou uma rebelião. Nesta sequência, Gaia entrega uma foice ao filho Cronos (“tempo”) que ele utiliza para decepar os genitais do pai, separando assim o céu da terra e fazendo surgir Afrodite, da espuma que se fez no mar. Tendo ocupado o lugar de Urano e casado com a irmã (Réia), Cronos devorava os filhos à nascença, para evitar ser destronado por um deles, conforme ditava uma profecia. Salvou-se Zeus, que a mãe escondeu em Creta, onde seria criado por uma ninfa com corpo de cabra. Já adulto, Zeus derrota o pai numa terrível batalha, conseguindo que este regurgite os filhos. No final, os três irmãos dividem o mundo entre si: o mar para Poseidon, o mundo dos mortos para Hades e o céu para Zeus. Zeus foi marido da sua irmã Hera e pai de vários deuses e semi-deuses. É o deus dos deuses.

Gostar de ler também nos oferece isto: a faculdade de contar uma boa história aos amigos.

azuki

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segunda-feira, julho 10, 2006
 
pelos segredos da leitura integral


Quem estiver interessado na Guerra de Tróia encontra facilmente uma imensidão de resumos na Internet e nada impede o debate sobre as qualidades e defeitos exibidos por aquelas famosas personagens que povoam o imaginário de todas as gerações passadas, presentes e futuras. Um pouco como fazem muitos estudantes que lendo os resumos de “Os Maias” ou da “ Aparição” ou do “Memorial do Convento” se acham preparados para enfrentar um exame nacional de 12º ano. A verdade é que um resumo não diz tudo acerca de qualquer obra. No máximo traça umas linhas indicativas sobre o princípio, o meio e o fim, deixando de lado os pormenores, o mais importante em qualquer obra de arte, a verdadeira marca do artista.

Agora que grande parte dos heróis se veste com outras roupagens e deambula por obras que mostram a decadência do império …………(seja ele qual for), ler a Ilíada é quase como ler uma história para crianças.

Estou no Canto IX, Aquiles recebe Ulisses, Ájax e Fénix enviados por Agamémnon para o convencerem a entrar na guerra. A alegria de ver os amigos consubstancia-se no banquete oferecido:

Depois de ter assado a carne e de a ter colocado em travessas,
Pátroclo pegou no pão e arranjou-o em cima da mesa
em belos cestos, enquanto Aquiles servia a carne.
(versos 215-217)
...
laerce

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domingo, julho 09, 2006
 
Listen. All great literature is about what a bummer it is to be a human being: Moby Dick, Huckleberry Finn, The Red Badge of Courage, the Iliad and the Odyssey, Crime and Punishment, the Bible and "The Charge of the Light Brigade."

But I have to say this in defense of humankind: no matter in what era in history, including the Garden of Eden, everybody just got there. And except for the Garden of Eden, there were already all these crazy games going on, which could make you act crazy, even if you weren't crazy to begin with."
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Kurt Vonnegut, Elder Speak
.
Joana

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Na Ilíada, poema épico bélico, de gente e deuses zangados, há corpos estropiados, sangue e lágrimas, no entanto amiúde, os que morrem têm um nome, um pai, uma profissão nobre, um feito... e isto comove-me. O Humanismo, nasceu pelo menos na Idade do Bronze, e a escuridão não cobriu os olhos de alguns.
Peço aos deuses, aos aqueus aos troinanos, aos leitores comuns, aos especialistas e aos colaboradores do Leitura Partilhada que coloquem mais energia e argúcia na leitura de um maiores feitos da humanidade.
Ao lado dele o nosso Lusíadas, 2300 anos depois, parece mera literatura de cordel e uma adaptação frágil da nossa história à Odisseia e à Ilíada. Aliás o mesmo acontece com a Eneida (Eneias também aqui aparece) de Virgílio.
Castela

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  Batamos com os pés
A edição da Livros Cotovia da Ilíada com a nova tradução de Frederico Lourenço, a primeira tradução contemporânea integral do original grego, é um acontecimento que ficará para além da nossa habitual e furiosa produção de espuma cultural subsidiada. O poema homérico brilha agora no português de hoje com o mesmo esplendor das origens, feito de primeiras palavras, de metáforas ainda completamente vivas, de nomes que milhares de anos tornaram familiares arrastando-nos a este mundo antigo, tão nosso, tão por debaixo do nosso chão. Se estivéssemos na Grécia, ou mesmo em Roma, podíamos bater com os pés na terra para saudar o livro, como o poeta Horácio aconselhava depois da batalha do acio. [...] A Ilíada, tanto como a Odisseia, é o nosso terreno fundador, o de um mundo que a guerra moldou muito mais do que hoje queremos, ou podemos admitir.
José Pacheco Pereira, in Público

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sábado, julho 08, 2006
  Nunca pisé la varonil Troya

“Los ruiseñores no te dejarán dormir en Platres”.

Tímido ruiseñor, en el aliento de las hojas,
tú que regalas música bañada por el rocío de los bosques
a cuerpos desunidos y a las almas
de quienes saben imposible su regreso.
Ciega voz, que palpas en la nocturna memoria
pisadas y ademanes –no me atrevería a decir besos–
y el amargo jadeo de alguna bárbara esclava.

“Los ruiseñores no te dejarán dormir en Platres”.

¿Qué son las Platres,? ¿Quién conoce esta isla?
He vivido mi vida oyendo nombres nunca oídos antes:
nuevos lugares y locuras nuevas de los hombres
o de los dioses;
Mi destino oscilante
entre la última estocada de un Áyax
y el hallazgo de alguna otra Salamina
me trajo aquí, a esta playa.
La luna
se levanta del mar como Afrodita;
abriga los astros del arquero, ahora asciende
al corazón de Scorpio, y todo así transforma.
¿Dónde está la verdad?
Arquero fui también en la guerra,
mi suerte es la de un hombre que erró el blanco.

Ruiseñor melodioso,
en una noche como ésta, sobre las playas de Proteo,
te escuchaban las esclavas espartanas
y alzaron su lamento,
y entre ellas estaba –¡Quién lo pensara!–
Helena.
Ella, a quien buscamos tantos años en aquel Escamandro.
Estaba ahí, en las orillas del desierto; yo la toqué, me habló:
“No es verdad, no es verdad” – dijo gritando.
“Yo no abordé jamás el barco azul.
Nunca pisé la varonil Troya”.

Ceñido el pecho, el sol en sus cabellos, erguida la figura,
sombras y sonrisas donde quiera
en sus hombros y muslos y rodillas;
Viva la piel, y con aquellos ojos de pestañas enormes,
estaba allí, sobre los bancos de un Delta.
¿Mas en Troya?
En Troya, nada – un fantasma.
Así lo dispusieron las deidades.
Y Páris, con una sombra yace, cual si fuera sólida;
Y nosotros matámonos los unos a los otros por Helena
durante diez inmensos años.
Grave dolor había llovido sobre la Hélade.
Tantos cuerpos arrojados a las fauces del mar,
a las fauces de la tierra.
Tantas almas trilladas como espigas en piedras de molino.
Y los ríos expiran entre el lodo la sangre
por una ondulación de lino, por una nubecilla,
un aletear de mariposa, por la pluma de un cisne,
por una prenda vacía, por una Helena.
¿Y mi hermano?
Ruiseñor, ruiseñor, ruiseñor,
¿Qué cosa es dios? ¿Qué cosa no lo es? ¿Y en medio de ambas cosas?

“Los ruiseñores no te dejarán dormir en Platres”.

Medroso pájaro,
En Chipre, besada por el mar,
donde hube de acordarme de la patria,
yo, solo, anclé con esta fábula,
si fábula es la mía,
si en verdad los hombres ya no acogerán más
el viejo engaño de los dioses.
Si en verdad
algún otro Teucro, al correr de los años,
o algún Áyax u otro Príamo, alguna Hécuba
o alguien desconocido, anónimo,
pero que hubiese visto un Escamandro
con aquellos aluviones de cadáveres,
no estuviera fatalmente destinado
a oír al emisario que descubre
cómo tanto dolor y tanta vida
se despeñaron al abismo
Por una prenda vana, por alguna Helena.


Giórgos Seféris

(versão de Paola B. Khanno; não consegui encontrar uma tradução portuguesa)

Bem dizia Eurípides. Tanta desgraça, tanta destruição, tanto tempo e, afinal, ela não estava lá…

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sexta-feira, julho 07, 2006
 
apenas um pedido


















Ingres, Jupiter and Thetis. 1811.



……………………………………….Não olvidou Tétis
os pedidos do seu filho, mas emergiu de manhã cedo
da onda do mar e subiu ao rasgado céu, ao Olimpo.
Encontrou Zeus que vê ao longe sentado longe dos outros,
no píncaro mais elevado do Olimpo de muitos cumes.
Sentou-se junto dele e com a mão esquerda lhe agarrou
os joelhos, enquanto com a direita o segurava sob o queixo.

Ilíada, Canto I, (versos 495-501)


nota1 - Quem não gosta nada disto é Hera, a legítima.

nota2 - Há aqui qualquer coisa errada com a esquerda e a direita, não há?

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(Evelyn De Morgan (1855-1919), Helen of Troy)
No texto mítico, por exemplo, conforme a teoria de Lotman da tipologia da trama, existem somente dois personagens: o herói e o obstáculo ou fronteira. O primeiro é o sujeito mítico, que se move através do espaço-trama estabelecendo diferenças e normas. O segundo é apenas uma função daquele espaço, um marcador de fronteira, e, portanto, inanimado, mesmo quando antropomorfizado....No texto mítico, então, o herói tem de ser masculino, independentemente do gênero da personagem, porque o obstáculo, qualquer que seja sua personificação (esfinge ou dragão, feiticeira ou vilão), é morfologicamente feminino – e, de fato, este é, simplesmente, o útero, a terra, o espaço do movimento do herói. Quando cruza a fronteira e ‘penetra’ no espaço do outro, o sujeito mítico é construído como ser humano e masculino; ele é o princípio ativo de cultura, o que estabelece distinção, o criador de diferenças. Feminino é o que não é suscetível de transformação, vida ou morte; é um elemento do espaço-trama, um ‘topos’, uma resistência, matriz e matéria.
(Teresa de Lauretis, Tecnologies of Gender, The violence of Rhetoric, 1987)

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quinta-feira, julho 06, 2006
 
" antes de começar"



Aquiles acusa Agamémnon de ter lhe roubado a jovem Briseida quando Atena se faz invisível e lhe segura os cabelos para o acalmar.


Agamémnon, apesar de rei, era ganancioso, iracundo, invejoso e prepotente (nada a ver com Adriano, Imperador de Roma) e a história começa aí mesmo. Afinal, antes de Helena, há Briseida.


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  Cyclic Epics
There is no single, authoritative text which tells the entire story of the war. Instead, the story is assembled from many different sources, which sometimes report contradictory versions of events. The most important literary sources are the two epic poems traditionally credited to Homer, the Iliad and the Odyssey. Each poem narrates only a part of the war. The Iliad covers a short period in the last year of the siege of Troy, while the Odyssey concerns Odysseus's return to his home island of Ithaca after the sack of Troy.

Several other poems fill the story of the Trojan War that was untold by Homer, these were known as the
Epic Cycle or Cyclic Epics. These poems are often dated to the 7th and the 6th century BC. They are the Kypria, which begins with Zeus' decision to reduce the number of people on earth through the Trojan War through the day the Iliad begins. The Aithiopis begins the day after the Iliad and ends with the death of Achilles. The Little Iliad continues until the entry of the Trojan Horse inside the walls of Troy. The Iliou Persis narrates Troy's fall, and the Nostoi relates the return of the Achean heroes (except Odysseus) to their homes and their fates. The Telegony gives Odysseus' adventures after the Odyssey until his death. The Cyclic Epics only survive in fragments. For knowledge of their contents we are dependent on Proclus, a writer of the 2nd or 5th century AD, who gives a summary of the epics with some quotations in his Chrestomathy.

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quarta-feira, julho 05, 2006
 
rapto



imagem daqui


1 acto ou efeito de capturar alguém de forma violenta e mantê-lo aprisionado, exigindo, em geral, dinheiro em troca da sua vida; 2 roubo violento, rapina; 3 (fig.) arroubo, êxtase;4 (fig.) rasgo de eloquência ( do lat. Raptu-, “ roubo”)

Dicionário Porto Editora



Sendo o rapto de Helena a origem da guerra de Tróia e a guerra de Tróia o assunto da Ilíada e da Odisseia, fico pelo sentido figurado da palavra "rapto".

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  PINTURA DO MUNDO

Há um ano, Eduardo Pitta no Da Literatura:

"No curto lapso de dois anos, Frederico Lourenço (n. 1963) verteu para português a Odisseia e a Ilíada homéricas. Doze e dezasseis mil versos, respectivamente. Tanto bastou para o reconhecimento do autor, que é professor de grego na Faculdade de Letras de Lisboa, tradutor de duas tragédias de Eurípides — Hipólito e Íon —, autor de um cativante diário dos verdes anos, Amar não Acaba (2004), a que ele chama «crónica pessoal», de um volume sobre autores da antologia grega, Grécia Revisitada (2004), e também de uma breve saga romanesca focalizada em certos meios académicos e sociais de Lisboa: Pode um Desejo Imenso (2002), O Curso das Estrelas (2002) e À Beira do Mundo (2003). O mérito da trilogia não é despiciendo, pois cumpre a função pedagógica de recentrar a discussão em torno da homossexualidade como modo de vida. Além do estudo da poesia grega, Frederico Lourenço tem-se dedicado à exegese da obra de Platão e Camões. Os mais atentos sabem que tem escrito sobre cinema, em suplementos do Público e em catálogos da Cinemateca Portuguesa. A que vem este retrato? Ao facto de ter acabado de publicar uma colectânea de ficções, A Formosa Pintura do Mundo, ficções de extensão variável que têm como elo a pintura, a música e o desejo, cruzando figuras reais (Camões, Voltaire, Nancy Mitford, Mário Soares, etc.) com outras imaginárias, em cenário português e romano, sem nunca perder de vista algum biografismo. E se é o registo memorialístico que sobreleva no texto de abertura, «A Medula da Alma», noutros identificamos derivações da saga da Arrábida. São inéditos nove dos catorze textos coligidos: «Os Centauros» foi primeiro publicado numa antologia — Fotografia de Grupo, 2003 — que juntou ficcionistas da Cotovia; «Actéon em Sintra» teve edição autónoma num voluminho de proporção extravagante (11,5x8cm); «Nada Menos que Voltaire» vem da revista Colóquio-Letras; e os outros dois, um deles oriundo da revista Egoísta, outro de um volume colectivo da Asa, li-os agora pela primeira vez. Para todos os efeitos, o autor considera definitivas as actuais versões. Do conjunto, os meus preferidos são o primeiro e «Os Signos». Frederico Lourenço consegue dar «o tom» de um certo meio, ilustrando com fidelidade as suas falas peculiares, os tiques de casta e os modos de afirmação. Ainda não leu? Então vá."

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terça-feira, julho 04, 2006
  Tróia
Troy (Ancient Greek Τροία Troia, also Ίλιον Ilion) is a legendary city and center of the Trojan War. Today it is the name of an archaeological site, the traditional location of Homeric Troy, in Anatolia, close to the seacoast in what is now Çanakkale province in northwest Turkey, southwest of the Dardanelles under Mount Ida. A new city of Ilium was founded on that site in the reign of the Roman Emperor Augustus. It flourished until the establishment of Constantinople, and declined gradually during Byzantine times. In the 1870s the German archaeologist Heinrich Schliemann excavated the area. Later excavations revealed several cities built in succession to one another. One of the earlier cities (Troy VII) is often identified with Homeric Troy.

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segunda-feira, julho 03, 2006
  Homero
Homer was a legendary early Greek poet and rhapsode traditionally credited with the composition of the Iliad and the Odyssey, commonly assumed to have lived in the 8th century BC. Tradition held that Homer was blind, and various Ionian cities are claimed to be his birthplace, but otherwise his biography is a blank slate. There is considerable scholarly debate about whether Homer was actually a real person, or the name given to one or more oral poets who sang traditional epic material.

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domingo, julho 02, 2006
  HERE WE GO, LADIES AND GENTLEMEN
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Ilustracao: Chris Papasadero
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Joana

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sublinhado

"Às vezes parece que morrer, na Ilíada, é muito mais importante que viver."

Introdução

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  Homeric Greece
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sábado, julho 01, 2006
  O mês de Julho no Leitura Partilhada


















O livro primeiro.
Ilíada, poema de guerra, da afirmação da masculinidade.
Escolhemos uma história de machos para o nosso mês de Julho.

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O QUE ESTAMOS A LER

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PROXIMAS LEITURAS

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LEITURAS NO ARQUIVO

"ULISSES", de James Joyce (17 de Julho de 2003 a 7 de Fevereiro de 2004)

"OS PAPEIS DE K.", de Manuel António Pina (1 a 3 de Outubro de 2003)

"AS ONDAS", de Virginia Woolf (13 a 20 de Outubro de 2003)

"AS HORAS", de Michael Cunningham (27 a 30 de Outubro de 2003)

"A CIDADE E AS SERRAS", de Eça de Queirós (30 de Outubro a 2 de Novembro de 2003)

"OBRA POÉTICA", de Ferreira Gullar (10 a 12 de Novembro de 2003)

"A VOLTA NO PARAFUSO", de Henry James (13 a 16 de Novembro de 2003)

"DESGRAÇA", de J. M. Coetzee (24 a 27 de Novembro de 2003)

"PEQUENO TRATADO SOBRE AS ILUSÕES", de Paulinho Assunção (22 a 28 de Dezembro de 2003)

"O SOM E A FÚRIA", de William Faulkner (8 a 29 de Fevereiro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. I - Do lado de Swann)", de Marcel Proust (1 a 31 de Março de 2004)

"O COMPLEXO DE PORTNOY", de Philip Roth (1 a 15 de Abril de 2004)

"O TEATRO DE SABBATH", de Philip Roth (16 a 22 de Abril de 2004)

"A MANCHA HUMANA", de Philip Roth (23 de Abril a 1 de Maio de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. II - À Sombra das Raparigas em Flor)", de Marcel Proust (1 a 31 de Maio de 2004)

"A MULHER DE TRINTA ANOS", de Honoré de Balzac (1 a 15 de Junho de 2004)

"A QUEDA DUM ANJO", de Camilo Castelo Branco (19 a 30 de Junho de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. III - O Lado de Guermantes)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2004)

"O LEITOR", de Bernhard Schlink (1 a 31 de Agosto de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. IV - Sodoma e Gomorra)", de Marcel Proust (1 a 30 de Setembro de 2004)

"UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES" e outros, de Clarice Lispector (1 a 31 de Outubro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. V - A Prisioneira)", de Marcel Proust (1 a 30 de Novembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", de José Saramago (1 a 21 de Dezembro de 2004)

"ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ", de José Saramago (21 a 31 de Dezembro de 2004)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VI - A Fugitiva)", de Marcel Proust (1 a 31 de Janeiro de 2005)

"A CRIAÇÃO DO MUNDO", de Miguel Torga (1 de Fevereiro a 31 de Março de 2005)

"A GRANDE ARTE", de Rubem Fonseca (1 a 30 de Abril de 2005)

"D. QUIXOTE DE LA MANCHA", de Miguel de Cervantes (de 1 de Maio a 30 de Junho de 2005)

"EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (Vol. VII - O Tempo Reencontrado)", de Marcel Proust (1 a 31 de Julho de 2005)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2005)

UMA SELECÇÃO DE CONTOS LP (1 a 3O de Setembro de 2005)

"À ESPERA NO CENTEIO", de JD Salinger (1 a 31 de Outubro de 2005)(link)

"NOVE CONTOS", de JD Salinger (21 a 29 de Outubro de 2005)(link)

Van Gogh, o suicidado da sociedade; Heliogabalo ou o Anarquista Coroado; Tarahumaras; O Teatro e o seu Duplo, de Antonin Artaud (1 a 30 de Novembro de 2005)

"A SELVA", de Ferreira de Castro (1 a 31 de Dezembro de 2005)

"RICARDO III" e "HAMLET", de William Shakespeare (1 a 31 de Janeiro de 2006)

"SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE" e "PALOMAR", de Italo Calvino (1 a 28 de Fevereiro de 2006)

"OTELO" e "MACBETH", de William Shakespeare (1 a 31 de Março de 2006)

"VALE ABRAÃO", de Agustina Bessa-Luis (1 a 30 de Abril de 2006)

"O REI LEAR" e "TEMPESTADE", de William Shakespeare (1 a 31 de Maio de 2006)

"MEMÓRIAS DE ADRIANO", de Marguerite Yourcenar (1 a 30 de Junho de 2006)

"ILÍADA", de Homero (1 a 31 de Julho de 2006)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2006)

POESIA DE ALBERTO CAEIRO (1 a 30 de Setembro de 2006)

"O ALEPH", de Jorge Luis Borges (1 a 31 de Outubro de 2006) (link)

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS (1 a 30 de Novembro de 2006)

"DOM CASMURRO", de Machado de Assis (1 a 31 de Dezembro de 2006)(link)

POESIA DE RICARDO REIS E DE FERNANDO PESSOA (1 a 31 de Janeiro de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 28 de Fevereiro de 2007)

"O VERMELHO E O NEGRO" e "A CARTUXA DE PARMA", de Stendhal (1 a 31 de Março de 2007)

"OS MISERÁVEIS", de Victor Hugo (1 a 30 de Abril de 2007)

"A RELÍQUIA", de Eça de Queirós (1 a 31 de Maio de 2007)

"CÂNDIDO", de Voltaire (1 a 30 de Junho de 2007)

"MOBY DICK", de Herman Melville (1 a 31 de Julho de 2007)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2007)

"PARAÍSO PERDIDO", de John Milton (1 a 30 de Setembro de 2007)

"AS FLORES DO MAL", de Charles Baudelaire (1 a 31 de Outubro de 2007)

"O NOME DA ROSA", de Umberto Eco (1 a 30 de Novembro de 2007)

POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (1 a 31 de Dezembro de 2007)

"MERIDIANO DE SANGUE", de Cormac McCarthy (1 a 31 de Janeiro de 2008)

"METAMORFOSES", de Ovídio (1 a 29 de Fevereiro de 2008)

POESIA DE AL BERTO (1 a 31 de Março de 2008)

"O MANUAL DOS INQUISIDORES", de António Lobo Antunes (1 a 30 de Abril de 2008)

SERMÕES DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA (1 a 31 de Maio de 2008)

"MAU TEMPO NO CANAL", de Vitorino Nemésio (1 a 30 de Junho de 2008)

"CHORA, TERRA BEM-AMADA", de Alan Paton (1 a 31 de Julho de 2008)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2008)

"MENSAGEM", de Fernando Pessoa (1 a 30 de Setembro de 2008)

"LAVOURA ARCAICA" e "UM COPO DE CÓLERA" de Raduan Nassar (1 a 31 de Outubro de 2008)

POESIA de Sophia de Mello Breyner Andresen (1 a 30 de Novembro de 2008)

"FOME", de Knut Hamsun (1 a 31 de Dezembro de 2008)

"DIÁRIO 1941-1943", de Etty Hillesum (1 a 31 de Janeiro de 2009)

"NA PATAGÓNIA", de Bruce Chatwin (1 a 28 de Fevereiro de 2009)

"O DEUS DAS MOSCAS", de William Golding (1 a 31 de Março de 2009)

"O CÉU É DOS VIOLENTOS", de Flannery O´Connor (1 a 15 de Abril de 2009)

"O NÓ DO PROBLEMA", de Graham Greene (16 a 30 de Abril de 2009)

"APARIÇÃO", de Vergílio Ferreira (1 a 31 de Maio de 2009)

"AS VINHAS DA IRA", de John Steinbeck (1 a 30 de Junho de 2009)

"DEBAIXO DO VULCÃO", de Malcolm Lowry (1 a 31 de Julho de 2009)

...leitura livre... de leitores amadores (1 a 31 de Agosto de 2009)

POEMAS E CONTOS, de Edgar Allan Poe (1 a 30 de Setembro de 2009)

"POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA", de Harper Lee (1 a 31 de Outubro de 2009)

"A ORIGEM DAS ESPÉCIES", de Charles Darwin (1 a 30 de Novembro de 2009)

Primeira Viagem Temática BLOOMSDAY 2004

Primeira Saí­da de Campo TORMES 2004

Primeira Tertúlia Casa de 3 2005

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